A resposta da construção aos desafios de produtividade e crédito

Industrialização, sistemas inteligentes e metodologias inovadoras contribuíram para que 2025 fosse um ano de grandes resultados para a construção civil brasileira

Por Celere Publicado em 18/12/2025 Leitura: 10 min
Compartilhar:
A resposta da construção aos desafios de produtividade e crédito

Industrialização, sistemas inteligentes e metodologias inovadoras contribuíram para que 2025 fosse um ano de grandes resultados para a construção civil brasileira

A construção civil vive um ponto de virada. Os desafios enfrentados pelo mercado já não podem ser resolvidos apenas com métodos tradicionais. Estamos falando de produtividade estagnada, escassez de mão de obra qualificada, prazos curtos, custos elevados e um cenário de crédito mais restrito. Diante desse contexto, a inovação deixou de ser discurso e se tornou necessidade estratégica.

Em 2025, acompanhamos de perto como novas soluções vêm ganhando força em todas as etapas da obra – do projeto à execução.

Industrialização de componentes, painelização, design de fachadas com foco em valor, decisões estruturais baseadas em dados e sistemas construtivos inteligentes começaram a se consolidar não apenas como tendência, mas como resposta concreta a gargalos históricos do setor.

Abrimos nossa retrospectiva deste ano com uma seleção de artigos relembrando as conversas promovidas na série de webinars INCORPOD, série de webinars promovida pela Celere e parceiros com o objetivo de debater soluções para uma construção mais eficiente, sustentável e lucrativa.

Da melhoria de produtividade ao impacto no VGV, passando por cases reais que quebraram paradigmas, estes conteúdos mostram como empresas e especialistas têm traduzido inovação em eficiência, redução de riscos, previsibilidade financeira e, principalmente, resultado de obra.

Industrialização na construção: como kits hidráulicos e elétricos podem transformar a produtividade e reduzir custos

A resposta da construção aos desafios de produtividade e crédito - gestão de obras

Há décadas a construção civil enfrenta um desafio crítico: a baixa produtividade.

De acordo com o estudo Reinventing construction: A route to higher productivity, desenvolvido pela McKinsey Global Institute, a produtividade na construção cresceu uma média de 1% nas últimas duas décadas, enquanto a média de crescimento geral da economia global foi de 2,8%.

Entre os principais gargalos estão as instalações prediais, que impactam diretamente o cronograma e o orçamento das obras. Isso porque as instalações estão presentes em praticamente todas as etapas da construção e têm interface direta com outras disciplinas. Portanto, um atraso ou incompatibilidade nessa área pode gerar um efeito cascata, impactando não só seus próprios custos, mas também estrutura, acabamentos e outras etapas da obra.

Diante desse desafio, a industrialização surge como uma solução promissora, capaz de trazer melhorias significativas na produtividade.

Esse foi o pano de fundo da sétima edição do INCORPOD. Durante o evento, Raphael Chelin (CEO da Celere), Mauro de Couet (Diretor Executivo da Nexxa Engenharia) e Paulo Borges (Diretor Técnico da Sky Master) conversaram sobre como kits hidráulicos e elétricos industrializados podem facilitar o gerenciamento das suas instalações, reduzir a dependência de mão de obra, minimizar retrabalhos e acelerar a execução dos seus projetos.

Neste artigo, destacamos os principais pontos da conversa.

Como a painelização pode reduzir custos e prazos na construção civil

A resposta da construção aos desafios de produtividade e crédito - orçamento de obras

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam que 7 em cada 10 construtoras enfrentam dificuldade para contratar profissionais qualificados. Além disso, a idade média dos trabalhadores do setor já chega aos 43 anos. Essa situação evidencia um problema estrutural: a mão de obra está escassa e envelhecendo, enquanto a demanda por produtividade permanece alta.

Esse cenário, somado à pressão por prazos curtos e custos elevados, torna a industrialização uma necessidade urgente.

Na oitava edição do INCORPOD, Raphael Chelin, CEO da Celere, Alan Schütz, da Bauser, e Mauro de Couet, da Nexxa Engenharia, conversaram sobre os principais desafios da industrialização no Brasil e mostraram, na prática, como a painelização pode transformar a lógica tradicional dos canteiros de obra.

Saiba como foi essa conversa aqui.

Fachadas industrializadas: o que muda no custo, no prazo e na segurança da construção

Fachadas industrializadas: o que muda no custo, no prazo e na segurança da construção

A fachada de um edifício pode parecer apenas um elemento de acabamento. Mas, na prática, montagem manual, andaimes externos, longos ciclos de execução e alta demanda de mão de obra podem tornar essa fase crítica para o cronograma, a segurança e o custo final do empreendimento.

Em um contexto em que os prazos são cada vez mais curtos, há uma evidente escassez de profissionais qualificados e uma pressão por maior produtividade, ela ganha ainda mais relevância, tornando-se um ponto-chave de decisão estratégica.

Na nona edição do INCORPOD, Raphael Chelin e Mauro de Couet receberam dois convidados para debater como a industrialização das fachadas impacta o custo global da obra e por que essa escolha técnica também é uma decisão de negócio.

Confira os destaques desse debate.

Design de fachadas como estratégia para vender mais e valorizar empreendimentos

Design de fachadas como estratégia para vender mais e valorizar empreendimentos

Em um mercado imobiliário cada vez mais competitivo, em que a diferenciação pode determinar o sucesso de um empreendimento, o design de fachadas emerge como uma possível estratégia para agregar valor e acelerar vendas.

É nesse contexto que surge a proposta do arquiteto Chirochi Shimizu Júnior, fundador do escritório CHIRO, especializado em design de fachadas para edifícios.

Durante o 9º INCORPOD, Chiro apresentou sua metodologia exclusiva para transformar empreendimentos em "joias lapidadas" – projetos que se destacam não apenas pela beleza, mas, principalmente, pelo retorno financeiro que proporcionam aos incorporadores.

Conheça essa história aqui.

Como a industrialização de fachadas acelera obras, reduz riscos e agrega valor a edifícios

Como a industrialização de fachadas acelera obras, reduz riscos e agrega valor a edifícios

Descarregar materiais de no centro de São Paulo das 22h às 5h para não impactar o trânsito. Resolver o problema de obras que deixam resíduos de reboco na quadra inteira em centros urbanos adensados. Desenvolver sistemas que eliminam trabalhos arriscados em altura. Esses são alguns dos desafios que a Rissi Fachadas e Esquadrias transformou em soluções inovadoras.

Em 28 anos de mercado, a Rissi saiu do interior de Santa Catarina para se tornar referência nacional em fachadas unitizadas, participando das maiores obras do país.

Conheça as soluções que têm transformado a execução de fachadas em edifícios altos e descubra as inovações que a empresa está desenvolvendo neste artigo.

Como escolher sistemas estruturais inteligentes para edifícios

Como escolher sistemas estruturais inteligentes para edifícios

A decisão sobre qual sistema estrutural adotar pode determinar se um empreendimento será lucrativo ou problemático. Cada solução (lajes maciças, nervuradas, protendidas ou treliçadas) tem seu lugar no mercado, mas escolher por inércia ou baseando-se em experiências passadas ou de terceiros pode custar milhões em um único projeto.

Além disso, em um contexto de escassez de mão de obra qualificada, pressão por prazos cada vez menores e necessidade de otimização de custos, a escolha inteligente do sistema estrutural se torna um diferencial competitivo.

É nesse contexto que os estudos comparativos técnicos ganham relevância estratégica. Afinal, eles permitem avaliar não apenas o custo direto dos materiais, mas também produtividade, prazo de execução, consumo de mão de obra e ganhos indiretos que muitas vezes não aparecem nas planilhas tradicionais.

Entenda como estudos comparativos baseados em dados podem economizar milhões.

Dois projetos estruturais que quebraram paradigmas e economizaram milhões

Dois projetos estruturais que quebraram paradigmas e economizaram milhões

Números não mentem. Então, quando o engenheiro Lucas Oliveira apresentou os resultados de estudos comparativos feitos pela ASPEN Engenharia durante a décima edição do INCORPOD, os dados revelaram uma realidade que muitos incorporadores ainda resistem em aceitar: a escolha estrutural baseada em metodologia técnica rigorosa pode economizar milhões em um único projeto.

Nas últimas décadas, a ASPEN se consolidou como referência em soluções estruturais inovadoras, desenvolvendo projetos em 12 estados brasileiros para mais de 70 clientes. Mas o que diferencia a empresa não são apenas os números, é a metodologia que transforma dados técnicos em decisões estratégicas lucrativas.

Durante sua apresentação, Lucas compartilhou cases que exemplificam como a engenharia estrutural inteligente resolve problemas complexos e gera valor mensurável. São projetos em que a solução "óbvia" se mostrou inadequada e a inovação técnica superou expectativas de custo e prazo.

Leia o artigo completo e conheça projetos que mostram como estudos comparativos técnicos podem transformar a viabilidade de grandes empreendimentos.

Funding escasso e demanda aquecida: como se adaptar à nova realidade do crédito imobiliário

Funding escasso e demanda aquecida: como se adaptar à nova realidade do crédito imobiliário

Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou números recordes de vendas e lançamentos. Porém, a crescente dificuldade de acesso ao crédito para construção vem ameaçando a sustentabilidade do crescimento. E os números são prova disso:

Enquanto as vendas no primeiro semestre superaram em 9,6% o mesmo período do ano anterior e os lançamentos cresceram 6,8%, os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para pessoas jurídicas despencaram 54%. Ao mesmo tempo, a Selic a 15% torna o custo do dinheiro proibitivo para muitas operações.

Durante a 11ª edição do INCORPOD, Marcelo Gonçalves, sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica apresentou esses e outros dados que ajudam a entender que há um paradoxo que define o momento atual do setor: demanda aquecida de um lado, funding escasso de outro.

A apresentação foi uma verdadeira aula sobre o mercado. Neste texto apresentamos os principais destaques.

Industrialização na construção na prática: da obra ao produto

Industrialização na construção na prática: da obra ao produto

Mão de obra desqualificada. Essa é a reclamação que 98% dos empresários trazem quando chegam à Donos de Construtoras – consultoria especializada em aceleração de construtoras e incorporadoras com foco em autonomia operacional e aumento de margem.

Segundo Guilherme David, engenheiro civil que lidera a empresa, existem dois tipos de mentalidade diante desse cenário: há quem aceita passivamente que "é assim mesmo" e há quem age para mudar a realidade.

Para quem escolhe agir, a industrialização surge como resposta estrutural para esse e outros desafios crônicos do setor.

Mas como sair do discurso e de fato promover a industrialização na construção? Como transformar canteiros caóticos em ambientes produtivos e previsíveis?

As respostas para essas perguntas estão neste artigo.

4 cases de industrialização na construção da teoria à execução

4 cases de industrialização na construção da teoria à execução

Três semanas. Esse foi o tempo que a Tecverde levou para erguer duas torres habitacionais sobre palafitas no dique da Vila Gilda, em Santos – uma das áreas de maior vulnerabilidade social da cidade. A obra acontecia sobre uma laje de concreto construída em cima de um mangue, com espaço zero para estoque de materiais e logística que precisava funcionar como um relógio suíço.

Oito meses depois, em outro projeto completamente diferente, a mesma empresa entregava 140 flats executivos de alto padrão, com acabamentos sofisticados e alto nível de personalização.

E então veio o desafio definitivo: São Sebastião. 518 unidades habitacionais em 6 meses para famílias desabrigadas por um desastre ambiental que atingiu a região em 2023. Uma média de mais de 86 unidades por mês. Mais de 20 unidades por semana.

Três projetos. Três contextos radicalmente diferentes. Uma única metodologia: a industrialização.

Durante a 12ª edição do INCORPOD, Stephan Constantino, líder de engenharia e operações da Tecverde, apresentou a metodologia estruturada de industrialização utilizada pela companhia para operacionalizar todos esses projetos.

Mas frameworks conceituais são apenas o começo. A questão que define o sucesso ou fracasso da industrialização é como esses conceitos se traduzem em canteiros reais, com prazos apertados, clientes exigentes e restrições operacionais brutais.

Neste artigo, mostramos como os quatro cases compartilhados por Stephan respondem exatamente essa pergunta, revelando não apenas o que funciona, mas principalmente por que funciona.