Escolher o sistema estrutural adequado é mais do que uma decisão técnica, é uma estratégia que impacta custo, prazo e produtividade. Saiba como estudos comparativos baseados em dados podem economizar milhões e entenda por que a integração entre estrutura e arquitetura deve começar na viabilidade
A decisão sobre qual sistema estrutural adotar pode determinar se um empreendimento será lucrativo ou problemático. Cada solução (lajes maciças, nervuradas, protendidas ou treliçadas) tem seu lugar no mercado, mas escolher por inércia ou baseando-se em experiências passadas ou de terceiros pode custar milhões em um único projeto.Além disso, em um cenário de escassez de mão de obra qualificada, pressão por prazos cada vez menores e necessidade de otimização de custos, a escolha inteligente do sistema estrutural se torna um diferencial competitivo.
É nesse contexto que os estudos comparativos técnicos ganham relevância estratégica. Afinal, eles permitem avaliar não apenas o custo direto dos materiais, mas também produtividade, prazo de execução, consumo de mão de obra e ganhos indiretos que muitas vezes não aparecem nas planilhas tradicionais. Na décima edição do Incorpod, webinar promovido pela Celere em parceria com a Nexxa Engenharia e a ASPEN Engenharia, o engenheiro Lucas Oliveira, da ASPEN, apresentou cases reais com estudos comparativos detalhados que demonstram como a metodologia baseada em dados pode revolucionar a tomada de decisão em projetos estruturais.Leia também: Fachadas industrializadas: o que muda no custo, no prazo e na segurança da construção
A importância da estrutura desde o início
Lucas abriu sua apresentação no Incorpod falando sobre um dos maiores gargalos na otimização de projetos estruturais, que é a falta de integração entre disciplinas desde as fases iniciais.
Como lembrou o engenheiro da ASPEN, é comum que o projeto arquitetônico avance significativamente antes que a engenharia estrutural seja envolvida, o que gera soluções não otimizadas ou até inviáveis tecnicamente.
“Todo projeto precisa nascer com estrutura e arquitetura integrados, mas em edifícios altos isso é ainda mais importante”, alerta. Ele acrescentou que para edifícios de 100, 120 ou 150 metros de altura, as exigências estruturais são muito mais complexas devido a questões como contraventamento, rigidez horizontal e efeitos do vento, e que a falta dessa integração pode levar a problemas custosos, dentre os quais estão:
- Estruturas de transição robustas demais
- Reconfiguração completa do projeto
- Perda de eficiência
- Aumento de custos
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Por que não existe “a melhor solução estrutural”?
Avançando no debate, Lucas disse que não existe a melhor solução estrutural; o que existe é a mais fácil de construir, a mais econômica, a mais bonita, a mais rápida. Ou seja, “existe uma boa solução que resolve bem alguns pré-requisitos específicos de cada empreendimento”.
Até porque cada projeto tem suas especificidades – arquitetura, localização, velocidade de vento, disponibilidade de mão de obra e equipamentos –, que tornam a análise caso a caso fundamental.
Os critérios que influenciam a escolha vão muito além do custo inicial. Também é importante considerar questões como:- Velocidade de execução: ganhar meses no cronograma pode compensar um custo estrutural maior.
- Disponibilidade de mão de obra: soluções que exigem menos profissionais especializados ganham competitividade.
- Equipamentos disponíveis: nem todas as regiões têm acesso a todos os sistemas construtivos.
- Fatores culturais: resistência local a mudanças pode impactar a viabilidade prática.
- Ganhos indiretos: vagas de garagem adicionais, pé-direito, flexibilidade arquitetônica.
Como usar dados para tomar decisões estruturais
Uma vez que se conhece as opções disponíveis, o próximo passo é avaliá-las de forma sistemática. A ASPEN desenvolveu uma metodologia para tomar decisões estruturais baseadas em dados que funciona assim: Primeiro, é feita uma modelagem 3D completa de cada solução estrutural – não apenas cálculos no papel, mas representações digitais precisas que permitem identificar interferências e extrair volumes exatos. Em seguida, vem o levantamento preciso de volumes de concreto, aço, fôrma e cordoalha – dados que garantem orçamentos confiáveis e eliminam surpresas durante a execução. Além disso, a análise inclui também avaliação qualitativa de produtividade e flexibilidade, considerando não apenas o que se gasta, mas como se constrói. Um diferencial dessa metodologia é a consideração de fatores regionais específicos – disponibilidade de mão de obra, materiais, equipamentos e até cultura construtiva local podem inviabilizar soluções teoricamente ideais. Por fim, a metodologia inclui avaliação de ganhos indiretos mensuráveis – redução de prazo, economia com escoramento, vagas de garagem adicionais e outros fatores que raramente aparecem nas análises tradicionais.Como destaca Lucas, dessa forma, quem escolhe o sistema estrutural é o cliente, não o engenheiro. “A gente tem a função de entregar dados de qualidade para que cada construtora tome a decisão baseada em suas especificidades”, explica.
Essa metodologia permite que decisões estratégicas sejam tomadas com base em informações concretas, eliminando achismos e reduzindo os riscos financeiros.
Estudo comparativo: a metodologia em ação
Para demonstrar como a metodologia funciona na prática, Lucas apresentou resultados de estudos comparativos conduzidos pela ASPEN. Os dados revelaram diferenças significativas entre sistemas estruturais que, à primeira vista, pareciam equivalentes. Um dos cases apresentados por ele foi de um edifício residencial multifamiliar de 121 metros de altura em Penha (SC), com 39 pavimentos e mais de 34 mil m² de área construída.
A ASPEN conduziu um estudo comparativo completo entre duas soluções para o embasamento: laje maciça convencional versus laje plana protendida.
Os resultados surpreenderam pela magnitude das diferenças.
A laje plana protendida se mostrou mais econômica no custo total (5% de economia) e também demonstrou vantagens significativas em produtividade:
- Redução de 32% no consumo de aço convencional – de 35,53 para 24,29 kg/m².
- Economia de 10% na mão de obra, mesmo considerando a especialização necessária para protensão.
- Menor consumo de fôrmas, facilitando o processo construtivo.
- Eliminação de vigas internas, gerando maior flexibilidade arquitetônica.
E a análise qualitativa revelou vantagens ainda mais expressivas: maior velocidade de execução, padronização superior de armaduras, redução significativa nos níveis de escoramento e grande produtividade por homem/hora – fatores que raramente aparecem nas planilhas tradicionais de custo.
Os números comprovam que decisões baseadas apenas em experiências passadas ou custos diretos superficiais podem representar perdas significativas em um único empreendimento.
Como estudos comparativos economizam milhões
No case de Penha, a diferença entre escolher o sistema mais caro (convencional) e o mais econômico (protendido) representou uma economia de 5% no custo estrutural total. Esse percentual pode parecer modesto, mas os números absolutos revelam o verdadeiro impacto. Considere um empreendimento de R$ 150 milhões, onde a estrutura representa cerca de 25% do custo total:- Custo estrutural: R$ 37,5 milhões
- Economia de 5% na estrutura: R$ 1,9 milhão
- Ganhos indiretos com cronograma: redução de 3 meses pode evitar R$ 2-3 milhões em custos financeiros
- Economia total estimada: R$ 4-5 milhões
Como a orçamentação detalhada potencializa as escolhas estruturais
Os estudos comparativos da ASPEN demonstram a importância de decisões baseadas em dados. Mas para que essas escolhas se traduzam em resultados financeiros concretos, é fundamental contar com orçamentação igualmente precisa.
Uma orçamentação detalhada é essencial para avaliar corretamente os benefícios dos sistemas estruturais inteligentes, considerando custos diretos e também:- Ganhos de produtividade com redução de mão de obra.
- Economia com escoramento e sistemas de forma.
- Antecipação de receita com cronogramas mais rápidos.
- Redução de riscos e custos de retrabalho.
- Otimização de vagas e aproveitamento de área.
Quer saber como aplicar essas soluções no seu empreendimento? Entre em contato conosco e descubra como podemos otimizar suas decisões estruturais desde as fases iniciais do projeto.