Industrializar a fachada é mais do que uma decisão construtiva, é uma estratégia de produtividade, segurança e controle orçamentário. Saiba como essa escolha pode reduzir riscos, acelerar o cronograma e trazer mais previsibilidade ao seu empreendimento
A fachada de um edifício pode parecer apenas um elemento de acabamento. Mas, na prática, é uma das etapas complexas que podem impactar o resultado da obra. Montagem manual, andaimes externos, longos ciclos de execução e alta demanda de mão de obra podem tornar essa fase crítica para o cronograma, a segurança e o custo final do empreendimento. Em um contexto em que se tem prazos cada vez mais curtos, escassez de profissionais qualificados e pressão por maior produtividade, então, ela ganha ainda mais relevância, tornando-se um ponto-chave de decisão estratégica.É nesse contexto que os sistemas industrializados – como as fachadas unitizadas e ventiladas – vêm ganhando espaço. Afinal, eles permitem reduzir a mão de obra no canteiro, aumentar a segurança e, principalmente, antecipar etapas da obra com mais previsibilidade nos custos. Uma equação que entrega ganho técnico e estratégico para construtoras e incorporadoras.
Na nona edição do INCORPOD, webinar promovido pela Celere e Nexxa Engenharia, o engenheiro civil Raphael Chelin, CEO da empresa, e Mauro de Couet, diretor executivo da Nexxa Engenharia, receberam dois convidados para debater como a industrialização das fachadas impacta o custo global da obra e por que essa escolha técnica também é uma decisão de negócio. Participaram da conversa:- Vanderlei Rissi, fundador e diretor da Rissi Fachadas e Esquadrias;
- Chirochi Shimizu Júnior, arquiteto e urbanista e fundador do escritório Chiro Arq.
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Fachada tradicional x fachada industrializada: o que muda na prática?
A distinção entre fachadas tradicionais e industrializadas vai muito além do método construtivo.
Na prática, enquanto no sistema stick a estrutura da fachada é montada no canteiro – e, portanto, depende de andaimes e montagem manual, tem maior exposição a erros e intempéries, e seu avanço é lento, sequencial e com alto consumo de mão de obra –, no sistema industrializado:
- Os painéis prontos são montados em fábrica;
- A instalação é rápida e segura por dentro do prédio;
- Há menor exposição a falhas e retrabalho;
- Existe a possibilidade de subir junto com a estrutura.
Um exemplo bem-sucedido dessa integração foi destacado pelo arquiteto Chiro no projeto Futura, em Balneário Camboriú, edifício com 200 metros de altura. Nesse caso, a fachada não foi pensada apenas como um elemento estético, mas como parte ativa da solução estrutural.
O uso de um exoesqueleto (estrutura na parte externa do edifício) permitiu economizar materiais e otimizar o custo total.
Segundo Chiro, alinhar desde o começo a questão do design da fachada em si com o sistema estrutural e projeto arquitetônico garantiu uma solução mais econômica sem abrir mão da elegância e funcionalidade, atingindo, assim, “o melhor dos mundos para o cliente”.
Impacto no cronograma e na segurança do trabalho
A adoção de fachadas industrializadas tem um efeito direto no cronograma das obras. Como grande parte do trabalho é realizado fora do canteiro, em ambiente controlado, é possível instalar os módulos de fachada de forma mais rápida e segura.
“No sistema unitizado, é possível fazer a estrutura convencional pilar, viga, laje e ir subindo a parte de fechamento de painel junto com a estrutura. Com isso, libera outros trabalhos internos, aumenta a velocidade da obra e os prazos reduzem”, explica Vanderlei Rissi.
Fachadas industrializadas pelo Brasil
O uso de fachadas industrializadas já é realidade em grandes empreendimentos brasileiros.No Órion Business & Heal Complex, em Goiânia (GO), que possui 23.000 m² de fachada unitizada de vidro, a solução foi adotada como parte da estratégia para lidar com os desafios de uma obra de grande porte e forte apelo técnico.
Já no Imperium Business Tower, em Chapecó (SC), com mais de 130 metros de altura e cerca de 10.000 m² de fachada envidraçada, a escolha pelo sistema unitizado ajudou a resolver entraves logísticos e operacionais típicos de obras com espaço reduzido no canteiro e atividades em altura.
Mas e o custo?
Embora a fachada industrializada possa parecer mais cara quando analisada apenas pelo custo por metro quadrado, o cenário muda ao incluir variáveis como ganho de tempo, economia com retrabalho e redução de custos indiretos.Segundo Vanderlei, o custo de uma fachada unitizada gira hoje em torno de R$ 2 mil a R$ 2.200 por metro quadrado em prédios altos – na faixa de 40 a 60 andares. No caso das fachadas ventiladas, o custo de revestimento está entre R$ 750 e R$ 1 mil por metro quadrado. Comparando com a alvenaria convencional, cujo custo com acabamentos gira em torno de R$ 450/m², a diferença é significativa
Já na comparação entre os sistemas unitizado e stick, Vanderlei admite que o stick é mesmo um pouco mais barato. Porém, ele ressalta: “um sistema stick não vai atender o apelo técnico de uma obra dessa altura”. Além do custo direto, normas técnicas também influenciam a escolha do sistema. A atualização da norma brasileira de vento (NBR 6123) feita em 2023 elevou em cerca de 30% os cálculos estruturais necessários para atender às exigências de segurança em edifícios altos – o que torna a escolha por sistemas de alto desempenho ainda mais estratégica.No fim das contas, o investimento em fachadas industrializadas pode representar um custo inicial um pouco mais alto, mas tende a se pagar com a antecipação de receita, redução de riscos e menor exposição a retrabalho e problemas técnicos.
Como destacou Vanderlei, “às vezes você tem uma diferença de custo numa fachada de alvenaria convencional com uma fachada de revestimento de produto metálico, uma fachada estanque, nessa grandeza. Mas tem que colocar na conta entre você entregar uma obra em 30 meses e entregar uma obra em 24, ou em 20 meses”.
O impacto financeiro da antecipação da obra é especialmente importante em mercados onde o custo do dinheiro é alto. Como observou Mauro de Couet, “você entregar uma obra um ano antes, quando você tá pagando um juro de 15, 18% que muitas vezes é o juro quando você capta no mercado privado, se você diluir isso num ano, às vezes paga essa conta do que você consegue otimizar”, reflete.
Ou seja, a fachada precisa ser vista como parte de uma equação maior, onde não importa apenas o custo direto, mas o impacto no conjunto: prazo, risco, juros do financiamento e imagem da construtora.
Como a orçamentação detalhada ajuda na escolha das fachadas industrializadas?
Uma orçamentação precisa e detalhada permite comparar claramente os custos reais dos sistemas tradicionais e industrializados, levando em conta não apenas o custo inicial, mas também a redução de retrabalho, custos indiretos e despesas com mão de obra, além de antecipação de receita e custos financeiros associados a atrasos.
Com essas informações, é possível decidir com confiança qual sistema atende melhor ao seu cronograma, orçamento e objetivos estratégicos. Na Celere, desenvolvemos ferramentas específicas para garantir essa clareza desde o início:- Budget Paramétrico: solução ideal para “testar” diferentes soluções ainda nas fases iniciais do empreendimento, mesmo sem projetos. Baseado na robusta base de dados da Celere com mais de 600 empreendimentos orçados, considera as particularidades específicas de cada empreendimento e permite avaliar o impacto financeiro de sistemas construtivos, como fachadas industrializadas. Oferece segurança e celeridade nas decisões de viabilidade, garantindo que apenas negócios com margem adequada sigam adiante.
- Budget Analytics: solução completa para orçamentos executivos com rastreabilidade total dos custos e apoio técnico para decisões que envolvem sistemas construtivos complexos, como fachadas unitizadas e ventiladas. Utilizando metodologia BIM-5D, gera uma base integrada para toda cadeia de gerenciamento – planejamento, compras, contratações e medições –, proporcionando previsão precisa dos custos e mais lucro.
Com essas ferramentas, ajudamos construtoras e incorporadoras a decidirem com segurança, evitarem surpresas e viabilizarem obras mais seguras e rentáveis.