Da laje de transição inovadora em Jundiaí (SC) ao edifício de 121 metros em Penha (SC), conheça projetos que demonstram como estudos comparativos técnicos podem transformar a viabilidade de grandes empreendimentos
Números não mentem. Quando o engenheiro Lucas Oliveira apresentou os resultados de estudos comparativos feitos pela ASPEN Engenharia durante a décima edição do Incorpod, webinar organizado pela Celere em parceria com a Nexxa Engenharia e a Donos de Construtoras, os dados revelaram uma realidade que muitos incorporadores ainda resistem em aceitar: a escolha estrutural baseada em metodologia técnica rigorosa pode economizar milhões em um único projeto. Nas últimas décadas, a ASPEN se consolidou como referência em soluções estruturais inovadoras, desenvolvendo projetos em 12 estados brasileiros para mais de 70 clientes. Mas o que diferencia a empresa não são apenas os números, é a metodologia que transforma dados técnicos em decisões estratégicas lucrativas. Durante sua apresentação, Lucas compartilhou cases que exemplificam como a engenharia estrutural inteligente resolve problemas complexos e gera valor mensurável. Projetos em que a solução “óbvia” se mostrou inadequada e a inovação técnica superou expectativas de custo e prazo.Leia também: Como escolher sistemas estruturais inteligentes para edifícios
Case 1: A laje de transição que virou referência técnica
Em Jundiaí (SP), um edifício residencial de 12 pavimentos em alvenaria estrutural sobre embasamento de concreto armado enfrentava um desafio técnico complexo. O projeto inicial previa vigas de transição convencionais de 95 cm de altura, mas durante a compatibilização com instalações, descobriu-se um problema crítico.
Os shafts (prumadas de instalações) precisavam passar exatamente onde estavam previstas as vigas de transição mais robustas. “Embaixo das paredes de alvenaria estrutural a gente precisa ter as vigas de transição. E normalmente essas vigas de transição são mais largas do que as próprias paredes”, explica Lucas.
O resultado seria a necessidade de furos verticais nas vigas de transição – uma solução que inviabilizaria tecnicamente o sistema estrutural.
A ASPEN propôs substituir as vigas de transição convencionais por uma laje plana de transição protendida de 50 cm de espessura. “É algo que vem ganhando o mercado nos últimos anos. Já temos alguns cases executados no Brasil”, contextualiza Lucas. A laje protendida receberia sozinha toda a carga dos 12 pavimentos superiores e transferiria diretamente para os pilares.
Outro aspecto técnico revelado no case foi a necessidade de protensão incremental em lajes de transição. “Se eu protender todos esses cabos de uma vez só, sem ter as torres de alvenaria, essa laje vai estourar em cima”, explica o engenheiro. A solução técnica desenvolvida segue um protocolo de execução em etapas controladas: inicialmente, 30% da protensão é aplicada apenas com o peso próprio da estrutura. Após a execução de quatro pavimentos superiores, mais 30% da protensão é aplicada. O processo se repete com os próximos quatro pavimentos, quando os 30% finais são protendidos, atingindo o controle total de 100% dos cabos protendidos.Essa metodologia elimina riscos de ruptura prematura e garante a segurança estrutural durante toda a fase executiva.
Dados técnicos do comparativo e ganhos mensuráveis
O impacto além dos números
Como destaca Lucas, apesar do consumo maior de concreto, houve um ganho considerável de produtividade. “É uma quebra de paradigmas – normalmente é um pavimento que demora meses para concluir por consumir muita forma e armadura”, aponta. Além disso, a mudança estrutural gerou benefícios que vão muito além da economia direta de materiais. Com a adoção da laje plana de transição, foi possível reduzir uma junta de dilatação no edifício – passando de três para duas juntas. Isso significa menos pontos críticos para tratamento específico e menor risco de patologias pós-obra. Para as instalações prediais, a eliminação das vigas de transição robustas resolveu definitivamente o problema dos shafts, evitando os complexos furos verticais que inviabilizariam o sistema convencional. Como ressalta Lucas, isso representa não apenas economia imediata, mas, principalmente, a prevenção de “problemas pós-obra que são tão caóticos nas instalações, principalmente na hidrossanitária”. O efeito da protensão também acelerou significativamente o cronograma executivo. A maior velocidade de desforma e retirada do escoramento, proporcionada pela força de balanceamento dos cabos protendidos, libera frentes de trabalho mais rapidamente. Além disso, o ganho de 45 centímetros de pé-direito – saindo de vigas de 95cm para laje de 50cm – oferece mais espaço para desvio de tubulações e maior conforto ao usuário final.Esses ganhos indiretos, embora difíceis de quantificar precisamente, representam valor real mensurável – seja na redução de retrabalhos, na antecipação de receita ou na eliminação de custos de manutenção corretiva.
Case 2: O edifício de 121 metros que redefiniu comparativos estruturais
O edifício residencial multifamiliar em Penha (SC) se tornou um case emblemático pelos números impressionantes: 121 metros de altura, 39 pavimentos e quase 35 mil m² de área construída. Mas o que realmente impressiona são os resultados dos estudos comparativos conduzidos pela ASPEN.
A empresa realizou análises separadas para embasamento e torre, comprovando que estratégias híbridas podem ser mais eficientes que soluções únicas.
Para o embasamento, foram comparadas três soluções para vãos de aproximadamente 8 metros:
Análises individuais para o projeto: torre vs. embasamento
Uma das decisões foi fazer análises estruturais individuais, pois a melhor solução para o embasamento não é necessariamente ideal para a torre. As condições de contorno são completamente diferentes entre essas duas partes do edifício. “Enquanto no embasamento há a necessidade de se ter vãos maiores – porque não tem o efeito do vento tão preponderante assim –, na torre, principalmente edifícios mais altos como esse, existe uma necessidade de se ter um contraventamento mais robusto. O efeito do vento é muito importante no dimensionamento da estrutura e consequentemente por conta dessa estabilidade lateral, se tem vãos menores, porque é preciso ter mais pilares, paredes”, explica Lucas.Essa diferença fundamental impacta diretamente a eficiência de cada sistema estrutural. No embasamento, onde os vãos são maiores e o efeito do vento é menos crítico, as lajes protendidas podem demonstrar maior vantagem econômica. Já na torre, a presença obrigatória de elementos robustos de contraventamento – núcleos rígidos e pilares-parede – reduz proporcionalmente os ganhos das soluções protendidas.
Resultados para a torre:- Laje protendida: apenas 5% de economia vs convencional.
- Ganhos concentrados em redução de escoramento e produtividade.
- Economia de dois níveis de escoramento: laje protendida precisa apenas dois níveis escorados vs. quatro níveis da convencional para ciclos de sete dias.
- Liberação de frentes de serviço: dois níveis adicionais disponíveis para alvenaria e demais sistemas.
Estudo comparativo
O impacto dos ganhos indiretos
Nos sistemas de escoramento, a diferença foi significativa. A análise conduzida pela ASPEN revelou que, para vãos da ordem de 5 por 8 metros com ciclos de concretagem de sete dias, a laje plana protendida necessita de apenas dois níveis escorados. Em contrapartida, a laje maciça convencional exige obrigatoriamente quatro níveis escorados para o mesmo ciclo. Essa redução acontece devido ao fenômeno da protensão, que alivia as cargas permanentes verticais. O efeito de balanceamento dos cabos protendidos diminui significativamente a necessidade de níveis escorados, liberando duas frentes de serviço adicionais para alvenaria e demais sistemas construtivos. O impacto financeiro dessa otimização é considerável – não apenas pela economia direta do sistema de escoramento, mas pela aceleração de todo o cronograma executivo.Na velocidade de execução, os números são ainda mais impressionantes quando analisados no contexto do empreendimento completo. A economia de dois dias por laje pode parecer modesta isoladamente, mas em um edifício de 39 pavimentos representa quase três meses de antecipação no cronograma total. Para um incorporador, isso significa antecipação de receita, redução de custos indiretos, menor custo financeiro e liberação antecipada de capital para novos investimentos.
Como destacou Lucas durante o webinar, produtividade e tempo de execução precisam entrar na conta dos estudos comparativos. Esses ganhos indiretos, muitas vezes não contabilizados nas análises convencionais, podem representar a diferença entre a viabilidade e inviabilidade de um empreendimento de grande porte.Cases que inspiram transformação e resultados mensuráveis
Os projetos apresentados pela ASPEN demonstram que a engenharia estrutural vai muito além de cálculos técnicos – é uma ferramenta estratégica para otimização de empreendimentos.
Para construtoras e incorporadoras, a mensagem é clara: investir em estudos comparativos técnicos não é custo, é estratégia. Mas para capturar esses benefícios demonstrados pelos cases da ASPEN, é fundamental contar com orçamentação igualmente precisa. E é aí que a Celere entra.- O Budget Paramétrico permite comparar diferentes soluções estruturais desde a viabilidade, mesmo sem projetos detalhados. Com base em mais de 650 empreendimentos orçados, oferece análise segura para decisões estratégicas.
- Já o Budget Analytics oferece orçamentação executiva com rastreabilidade total, ideal para mensurar ganhos de produtividade, economia com escoramento e antecipação de receita.
O futuro da construção civil brasileira passa por dados técnicos transformados em decisões estratégicas, inovação a serviço da viabilidade financeira e metodologia que transforma desafios em oportunidades.
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