Há alguns dias, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou a projeção de crescimento da construção civil para 2025. O que era 2,3% agora é 1,3%.
![Crédito cai 53% e CBIC revisa projeção da construção [ConstruFoco #41] - construção civil](https://celere-ce.com.br/assets/images/artigos/f54d33c95200890efab37bcbbe47353f.png)
A culpa, segundo a entidade, é da Selic a 15%, que travou o crédito e fez o financiamento para novas obras despencar mais de 50%.
Mas calma – não estamos falando de colapso. O setor ainda está 23% acima do nível pré-pandemia, continua gerando emprego e há disputa por profissionais. Ou seja, estamos falando de um ajuste vindo de um pico de crescimento. E é exatamente em ajustes assim que a diferença de margem entre empresas fica brutalmente evidente.
A CBIC divulgou um conjunto de dados que ajuda a entender melhor esse momento do setor:
#1 O crédito travou. De janeiro a agosto de 2025, o financiamento via SBPE para construção despencou 55,42% em unidades e 53,04% em valores – passando de R$ 28,392 bilhões para R$ 13,333 bilhões na comparação com o mesmo período de 2024. Não é à toa: a poupança continua sangrando pelo quinto ano consecutivo, com captação líquida negativa de R$ 60 bilhões entre janeiro e setembro.
#2 O emprego resiste. Desde janeiro de 2020 até agosto de 2025, foram criados 993 mil postos formais na construção civil, elevando o total para 3,05 milhões – próximo ao pico histórico de 2013. Nos últimos 12 meses, o saldo foi de 89 mil novos postos (o menor em cinco anos), mas ainda assim positivo.
![Crédito cai 53% e CBIC revisa projeção da construção [ConstruFoco #41] - gestão de obras](https://celere-ce.com.br/assets/images/artigos/2a891ee9863488f480fca714b690e86b.png)
#3 Falta mão de obra. O salário médio de admissão na construção chegou a R$ 2.462,70 em agosto de 2025 – 7,31% acima da média nacional.
Apesar disso, as empresas relatam dificuldade para contratar, tanto mão de obra qualificada quanto não qualificada.
#4 Os custos não dão trégua. O INCC acumulou alta de 6,8% nos 12 meses encerrados em setembro, puxado pela mão de obra, que subiu 9,9%.
Por que algumas empresas vão sofrer mais que outras
Aqui está o ponto que me chamou atenção: quando você combina menos crédito + custos subindo + disputa por profissionais, quem tem margem apertada não tem onde se proteger.
Pensa comigo: se sua empresa opera com margem de 8-9% (lembrando do relatório Grant Thornton, que discutimos na edição #36):
- Crédito cai 53% ? você consegue viabilizar menos projetos.
- INCC sobe 6,8% ? comprime ainda mais uma margem que já era apertada.
- Mão de obra sobe 9,9% e você precisa competir por profissionais ? sem espaço para absorver esse custo.
- Resultado: margem de 8% vira 4-5%, ou zero.
Se sua empresa opera com margem de 13-14%:
- Crédito cai 53% ? você fica mais seletivo, mas ainda viabiliza os melhores projetos.
- INCC sobe 6,8% ? tem gordura para absorver sem inviabilizar obras.
- Mão de obra sobe 9,9% ? compensa com melhor produtividade ou aceita comprimir um pouco a margem.
- Resultado: margem de 14% cai para 11-12%, ainda saudável.
Pois é, a diferença entre esses cenários pode ser R$ 7 milhões num projeto de R$ 100 milhões.
O que a CBIC espera para 2026
Apoiada em dois movimentos, a entidade mantém o otimismo para o ano que vem:
1. Novo modelo de crédito SBPE: teto do SFH sobe de R$ 1,5 mi para R$ 2,25 mi e o limite financiável vai de 70% para 80%. A expectativa é de liberar R$ 37 bilhões para famílias com renda acima de R$ 12 mil.
2. Programa Reforma Casa Brasil: R$ 40 bilhões em crédito para reformas e ampliações.
Ou seja: a expectativa é de que R$ 77 bilhões entrem no mercado em 2026. Mas vão entrar num cenário onde os custos continuam pressionados (INCC: +6,8%), a mão de obra está mais cara (+9,9%) e o crédito segue mais seletivo que antes.
A diferença entre empresas que vão capturar essas oportunidades mantendo margens saudáveis e as que vão amargar prejuízos está exatamente nas competências que temos discutido aqui recentemente: seleção criteriosa de projetos, orçamentos precisos e controle rigoroso de execução.
Nas últimas edições vimos como custos específicos variam muito mais que as médias, como orçamentos genéricos estouram mesmo em cenários "normais", e como R$ 800 milhões foram perdidos em projetos mal dimensionados. Com 53% menos funding disponível e custos subindo quase 7% ao ano, esses erros que antes corroíam margem agora inviabilizam projetos. Margem de erro virou luxo que ninguém pode se dar.
É exatamente nisso que a Celere ajuda. Transformamos referências de mercado em orçamentos calibrados com a realidade específica de cada obra, permitindo decisões baseadas em dados sólidos – especialmente em cenários de incerteza como este.
Somado a isso, a Celere também conta com uma equipe tecnicamente muito qualificada e um banco de dados robusto que subsidia e ajuda essa equipe a dar ainda mais resultado. Neste cenário de escassez de mão de obra, principalmente com alta qualificação técnica, é ainda mais um motivo para nos conhecer melhor.
Quer entender como estruturar sua empresa e seus empreendimentos enquanto o setor se ajusta a essa realidade? Entre em contato.
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO
Foto do destaque: Josh Olalde na Unsplash