Receita recorde não garante lucro – os números que provam [ConstruFoco #36]

Por Raphael Chelin Publicado em 21/10/2025 Leitura: 6 min
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Receita recorde não garante lucro – os números que provam [ConstruFoco #36]
Na semana passada, discutimos como construtoras populares valorizaram até 116% mesmo com a Selic a 15%. A explicação que trouxe foi: posicionamento no segmento certo (MCMV com funding estruturado) + execução consistente + capacidade de reportar resultados de forma transparente.

Mas ficou uma pergunta no ar: como separar o que é resultado do posicionamento estratégico (estar no MCMV) do que é resultado de execução mais eficiente?

O relatório do segundo trimestre da Grant Thornton que acaba de sair responde esse questionamento, e os números mostram uma diferença considerável entre as empresas que executam bem e as que apenas “estão no mercado”.

Os números que separam execução de posicionamento

Segundo a Grant Thornton, as incorporadoras listadas no Novo Mercado bateram recorde de receita no trimestre: R$ 13,2 bilhões. Além disso, as vendas subiram 2,6%, a margem bruta se manteve estável em 29,6% e a demanda segue forte – especialmente no MCMV.

Até aqui, parece que todo mundo está ganhando apenas por estar no mercado certo, mas aí vem o dado revelador: o lucro líquido caiu 16,4% em relação ao mesmo período de 2024, chegando a R$ 1,1 bilhão.  Lucro li?quido A margem de lucro líquido ficou em 8,6% – mas poderia ter sido de 14,5% não fossem as perdas com impairment – ou seja, projetos inviáveis (R$ 800 milhões em empreendimentos que não vão entregar o retorno esperado). Margem de lucro li?quido

Pense bem no que isso significa: mesma receita, mesmo mercado, mesmo ciclo/setor e condições semelhantes, mas uma diferença de 5,9 pontos percentuais na margem entre quem executa bem e quem executa mal.

Em um projeto de R$ 100 milhões, isso representa R$ 5,9 milhões de diferença no resultado. Em um portfólio de R$ 1 bilhão, são quase R$ 60 milhões deixados na mesa.

A anatomia da diferença

Vamos destrinchar onde essa diferença se forma:

1) Seleção de projetos Os R$ 800 milhões em prejuízos com projetos que não deram certo não caíram do céu. São projetos que foram lançados, consumiram capital, mas não vão entregar o retorno projetado. Empresas com modelagem financeira robusta identificam inviabilidade antes de comprometer recursos.

2) Controle de custos A margem bruta estável (29,6%) mesmo com custos crescendo 9,9% mostra que algumas empresas ajustam preços, mix de produtos e especificações rapidamente. Outras deixam os desvios orçamentários corroer silenciosamente a rentabilidade.

3) Gestão de despesas As despesas comerciais dispararam 29,7% acompanhando o volume de receitas. Mas há uma diferença brutal entre gastar 29,7% a mais para gerar vendas que trazem margem de 14,5% versus vendas que trazem margem de 8,6%.

4) Disciplina de capital As contas a receber cresceram 12,1% no semestre, mas o endividamento subiu apenas 1,9%. As empresas bem geridas estão gerando caixa operacional forte e usando alavancagem com inteligência, mantendo a relação dívida/patrimônio em 74%.

Como resume Maria Regina Abdo, da Grant Thornton, “as companhias (avaliadas nesse estudo) têm se antecipado aos desafios do mercado e adotado uma gestão mais estratégica e eficiente de suas despesas administrativas e comerciais com foco na rentabilidade e manutenção do resultado”.

Por que isso importa agora

Lembra da discussão sobre o mercado de capitais ter R$ 5 trilhões disponíveis – mas não para qualquer um? Ou sobre como empresas bem posicionadas no MCMV se valorizam 116% enquanto outras lutam para sobreviver?

Esses números da Grant Thornton provam que estar no mercado certo é uma vantagem, mas não é suficiente. Todas as incorporadoras analisadas operam no mesmo contexto macroeconômico, têm acesso aos mesmos programas e às mesmas fontes de funding. A diferença de quase 6 pontos percentuais na margem não vem do posicionamento – vem da execução.

E o mercado sabe disso. Por isso gestoras com R$ 5 trilhões escolhem a dedo quem financiam. Por isso o BTG recomenda comprar apenas empresas “com bom carrego” (baixo endividamento, margens altas). Por isso investidores pagam múltiplos maiores por empresas que demonstram previsibilidade.

A pergunta que define o futuro

Thiago Bragatto, coordenador do estudo, destaca que apesar da influência de fatores externos, programas habitacionais e a crescente demanda por moradia acessível sustentam uma tendência positiva para os próximos trimestres.

Ou seja: a janela de oportunidade está aberta. O mercado está aquecido e há capital para quem demonstra previsibilidade e disciplina. A única questão é: sua empresa vai capturar essa oportunidade com margem de 14,5% ou com margem de 8,6%?

E não se engane – essa não é uma pergunta retórica. A diferença está em competências específicas e mensuráveis:
  • Você estuda seus projetos com precisão suficiente para evitar prejuízos com empreendimentos inviáveis?
  • Tem visibilidade em tempo real sobre desvios de custo que podem corroer sua margem?
  • Consegue controlar despesas comerciais e administrativas sem comprometer o crescimento?
  • Tem dados confiáveis para justificar a investidores por que sua empresa merece margem premium?

Como sair do 8,6% e chegar no 14,5%

É exatamente nisso que a Celere ajuda incorporadores e construtores. Não oferecemos apenas software ou consultoria, criamos a estrutura de inteligência que permite decisões rápidas e precisas em cenários complexos.

Um exemplo é o trabalho com a Construtora Masotti, que conseguiu expandir sua capacidade de lançamentos simultâneos com orçamentos mais detalhados e confiáveis, permitindo decisões mais rápidas sobre viabilidade de projetos. Ou a Harbor, que implementou gestão integrada de cronograma e obteve previsibilidade nas entregas, reduzindo desperdícios e tornando as compras mais precisas. Raphael ChelinA diferença entre essas empresas e as que ficam na média não é talento ou sorte, é ter os instrumentos certos para executar no nível que o mercado premia. Quer que sua empresa esteja entre aquelas que reportam margens crescentes em vez de prejuízos com projetos que não deram certo? Entre em contato, e vamos conversar. Boa semana! Raphael Chelin CEO