Por que orçamentos baseados em SINAPI ainda estouram? [ConstruFoco #38]

Por Raphael Chelin Publicado em 03/11/2025 Leitura: 3 min
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Por que orçamentos baseados em SINAPI ainda estouram? [ConstruFoco #38]
Acompanhar a evolução de indicadores-chave da construção é algo que faz parte da minha rotina – e que inclusive me motivou a lançar a ConstruFoco. Um dos indicadores que acompanho mensalmente é o Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI), cujos dados mais recentes podem ser conferidos na íntegra aqui.

Sei que não estou sozinho nisso. Porém, o que observo com frequência, é que muita gente vê o índice, anota o número, aplica no orçamento e segue em frente. E é aí que mora o perigo.

O que os números escondem

O SINAPI de setembro, por exemplo, mostra 0,50% de variação no mês – uma desaceleração em relação aos 0,79% de agosto. O custo nacional por m² passou de R$ 1.863,00 para R$ 1.872,24. Esses números estão aí para todo mundo ver, mas o que realmente merece atenção vai além deles:
  • Variação regional: enquanto a média nacional ficou em 0,50%, Mato Grosso registrou 5,45% – mais de 10 vezes a média. O Sul ficou em 0,11%. Ou seja, se você está orçando no MT, por exemplo, usando a média nacional, já começou com erro de 5 pontos percentuais.
  • A desaceleração é temporária: segundo o IBGE, a queda se deve a menos acordos coletivos firmados em setembro. Os próximos meses podem trazer novas rodadas de negociação em outras regiões.
  • A média esconde oscilações específicas: alguns materiais subiram 8%, outros caíram 2%. Se sua obra depende mais dos que subiram, você está sub-orçado.

O custo de usar médias genéricas

Pra deixar mais claro o que quero dizer, vamos pensar em duas construtoras que lançaram projetos similares em setembro: Construtora A usa SINAPI + margem de segurança genérica de 10%. No fim do trimestre descobre: fornecedores de aço subiram 8% (não 4,79%), produtividade 15% abaixo do padrão, acordos coletivos não previstos. A margem planejada de 14,5% cai para cerca de 9-10%. Construtora B usa SINAPI como referência, mas mantém base própria calibrada com fornecedores reais, monitora produtividade semanalmente. A margem de 14,5% vira 13,8%.

Diferença: até R$ 5 milhões num projeto de R$ 100 milhões.

O que a Construtora B faz diferente? Ela adapta o SINAPI à sua realidade:
  1. Mantém base própria calibrada com fornecedores reais (não a média nacional).
  2. Parametriza produtividade específica das suas equipes (não coeficientes genéricos).
  3. Atualiza orçamentos conforme acordos coletivos e variações reais aparecem.
É isso que empresas que mantêm margens consistentes fazem!

De índice para inteligência

A Celere ajuda incorporadores e construtores a transformar referências de mercado (como SINAPI) em orçamentos calibrados com sua realidade específica – fornecedores, produtividade, região.

Raphael ChelinA diferença entre orçar com índices genéricos e orçar com inteligência específica pode ser R$ 5 milhões num projeto de R$ 100 milhões. Não dá para ignorar isso! Quer transformar seus orçamentos em projeções confiáveis? Entre em contato com a gente. Boa semana! Raphael Chelin CEO