Olha só o que o FGV IBRE revelou sobre o INCC-M de outubro:
"O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou alta de 0,21% em outubro, repetindo a taxa de variação observada no mês anterior. A tendência de aumento nos custos do setor de construção é reforçada pela taxa acumulada em 12 meses, que atingiu 6,58%. Esse resultado representa um avanço em comparação com outubro de 2024, quando o índice acumulava alta de 5,72% no mesmo período."
Como sempre, o que mais me chamou a atenção não foram os números em si, mas o movimento por trás deles. E é sobre isso que quero falar nesta ConstruFoco.
? Se você quiser ver o índice na íntegra, acesse este link.
A reversão que ninguém esperava
O que aconteceu foi o seguinte: em setembro, Materiais e Equipamentos estavam em queda – -0,05%. Em outubro, inverteram para +0,29%. Dentro dessa categoria, materiais para estrutura saltaram de -0,28% para +0,34% – uma reversão de 0,62 ponto percentual em apenas 30 dias.
Olhando item por item, fica ainda mais interessante:
Dispararam:
- Condutores elétricos: +1,67%
- Cimento Portland: +1,66%
- Estaca de concreto: +1,01%
- Tubos e conexões de PVC: +0,48%
- Vergalhões e arames de aço: +0,26%
Caíram:
- Conta de energia: -1,72%
- Material para sistema de exaustão: -0,77%
- Impermeabilizante: -0,44%
- Placas cerâmicas: -0,15%
Enquanto isso, Mão de Obra desacelerou de 0,54% para 0,13% – menos acordos coletivos firmados em outubro.
O que esses números revelam
Três movimentos importantes estão acontecendo ao mesmo tempo:
1) Materiais básicos de estrutura voltaram a subir com força
Cimento, aço e concreto – os insumos que formam o esqueleto de qualquer obra – aceleraram depois de meses de estabilidade. Isso não é ruído estatístico, é mudança de tendência.
2) Energia caiu, mas poucos vão capturar esse benefício
A queda de 1,72% na conta de energia é significativa. Mas só aproveita quem tem flexibilidade contratual para renegociar ou quem está iniciando obras agora. Quem já está com contrato fechado não vê essa economia.
3) A variação regional segue sem padrão nacional
Enquanto Salvador, Brasília, BH e Rio aceleraram, Recife e Porto Alegre desaceleraram. Não existe "custo nacional da construção", existe custo da sua obra, na sua cidade, com seus fornecedores.
A pergunta que isso levanta
Se os materiais para estrutura variaram 0,62 ponto percentual em um mês, se o cimento subiu 8 vezes mais que a média (1,66% vs 0,21%), se a energia caiu enquanto tudo subia, como você está capturando essas oscilações nos seus orçamentos?
Porque aqui está o problema: quando você orça uma obra de R$ 50 milhões usando a média do INCC-M (0,21%), mas cimento e aço (que juntos representam 15-20% do custo) sobem 1,66% e 0,26%, seu custo real não subiu 0,21%, subiu algo entre 0,4% e 0,5%. São R$ 100 mil a R$ 150 mil a mais só no primeiro mês. R$ 1,2 milhão a R$ 1,8 milhão ao longo de 12 meses.
Por que orçar bem importa ainda mais agora
Nesse contexto – com INCC-M em 6,58% ao ano e variações mensais imprevisíveis –, a qualidade do orçamento virou o que separa crescimento lucrativo de crescimento que corrói margem.
Um orçamento preciso em cenário de custos voláteis não é luxo, é instrumento de gestão. Ele:
- Dá previsibilidade real – Você sabe exatamente quais insumos representam risco e pode agir antes que virem problema.
- Permite organização melhor – Com visibilidade sobre quais custos vão pressionar, você antecipa compras, negocia contratos nos itens críticos, aloca capital onde importa.
- Protege suas margens – Quando você sabe que cimento (8% do custo) subiu 1,66%, age rapidamente. Não descobre três meses depois quando a margem já evaporou.
A competência que define o resultado
A diferença entre orçar com precisão e orçar na esperança pode ser R$ 1,8 milhão ao longo de 12 meses numa obra de R$ 50 milhões.
É exatamente nisso que a Celere ajuda. Transformamos índices de mercado em orçamentos detalhados por insumo, calibrados com fornecedores reais, atualizados conforme variações aparecem.
Quer transformar seus orçamentos em instrumentos de previsibilidade? Entre em contato com a gente.
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO