INCC-M: por que a média de 0,21% pode estar mentindo para você [ConstruFoco #39]

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou alta de 0,21% em outubro, repetindo a taxa de variação observada no mês anterior. Entenda o que isso significa

Por Raphael Chelin Publicado em 11/11/2025 Leitura: 4 min
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INCC-M: por que a média de 0,21% pode estar mentindo para você [ConstruFoco #39]

Olha só o que o FGV IBRE revelou sobre o INCC-M de outubro:

"O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou alta de 0,21% em outubro, repetindo a taxa de variação observada no mês anterior. A tendência de aumento nos custos do setor de construção é reforçada pela taxa acumulada em 12 meses, que atingiu 6,58%. Esse resultado representa um avanço em comparação com outubro de 2024, quando o índice acumulava alta de 5,72% no mesmo período."

Como sempre, o que mais me chamou a atenção não foram os números em si, mas o movimento por trás deles. E é sobre isso que quero falar nesta ConstruFoco.

? Se você quiser ver o índice na íntegra, acesse este link.

A reversão que ninguém esperava

O que aconteceu foi o seguinte: em setembro, Materiais e Equipamentos estavam em queda – -0,05%. Em outubro, inverteram para +0,29%. Dentro dessa categoria, materiais para estrutura saltaram de -0,28% para +0,34% – uma reversão de 0,62 ponto percentual em apenas 30 dias.

Olhando item por item, fica ainda mais interessante:

Dispararam:

  • Condutores elétricos: +1,67%
  • Cimento Portland: +1,66%
  • Estaca de concreto: +1,01%
  • Tubos e conexões de PVC: +0,48%
  • Vergalhões e arames de aço: +0,26%

Caíram:

  • Conta de energia: -1,72%
  • Material para sistema de exaustão: -0,77%
  • Impermeabilizante: -0,44%
  • Placas cerâmicas: -0,15%

Enquanto isso, Mão de Obra desacelerou de 0,54% para 0,13% – menos acordos coletivos firmados em outubro.

O que esses números revelam

Três movimentos importantes estão acontecendo ao mesmo tempo:

1) Materiais básicos de estrutura voltaram a subir com força
Cimento, aço e concreto – os insumos que formam o esqueleto de qualquer obra – aceleraram depois de meses de estabilidade. Isso não é ruído estatístico, é mudança de tendência.

2) Energia caiu, mas poucos vão capturar esse benefício
A queda de 1,72% na conta de energia é significativa. Mas só aproveita quem tem flexibilidade contratual para renegociar ou quem está iniciando obras agora. Quem já está com contrato fechado não vê essa economia.

3) A variação regional segue sem padrão nacional
Enquanto Salvador, Brasília, BH e Rio aceleraram, Recife e Porto Alegre desaceleraram. Não existe "custo nacional da construção", existe custo da sua obra, na sua cidade, com seus fornecedores.

A pergunta que isso levanta

Se os materiais para estrutura variaram 0,62 ponto percentual em um mês, se o cimento subiu 8 vezes mais que a média (1,66% vs 0,21%), se a energia caiu enquanto tudo subia, como você está capturando essas oscilações nos seus orçamentos?

Porque aqui está o problema: quando você orça uma obra de R$ 50 milhões usando a média do INCC-M (0,21%), mas cimento e aço (que juntos representam 15-20% do custo) sobem 1,66% e 0,26%, seu custo real não subiu 0,21%, subiu algo entre 0,4% e 0,5%. São R$ 100 mil a R$ 150 mil a mais só no primeiro mês. R$ 1,2 milhão a R$ 1,8 milhão ao longo de 12 meses.

Por que orçar bem importa ainda mais agora

Nesse contexto – com INCC-M em 6,58% ao ano e variações mensais imprevisíveis –, a qualidade do orçamento virou o que separa crescimento lucrativo de crescimento que corrói margem.

Um orçamento preciso em cenário de custos voláteis não é luxo, é instrumento de gestão. Ele:

  • Dá previsibilidade real – Você sabe exatamente quais insumos representam risco e pode agir antes que virem problema.
  • Permite organização melhor – Com visibilidade sobre quais custos vão pressionar, você antecipa compras, negocia contratos nos itens críticos, aloca capital onde importa.
  • Protege suas margens – Quando você sabe que cimento (8% do custo) subiu 1,66%, age rapidamente. Não descobre três meses depois quando a margem já evaporou.

A competência que define o resultado

A diferença entre orçar com precisão e orçar na esperança pode ser R$ 1,8 milhão ao longo de 12 meses numa obra de R$ 50 milhões.

É exatamente nisso que a Celere ajuda. Transformamos índices de mercado em orçamentos detalhados por insumo, calibrados com fornecedores reais, atualizados conforme variações aparecem.

INCC-M: por que a média de 0,21% pode estar mentindo para você [ConstruFoco #39] - gestão de obrasQuer transformar seus orçamentos em instrumentos de previsibilidade? Entre em contato com a gente.

Boa semana!

Raphael Chelin
CEO


Imagem de destaque: Foto de EJ Yao na Unsplash