R$ 150 bilhões em crédito disponível – mas quem vai capturar essa oportunidade? [ConstruFoco #37] 

Por Raphael Chelin Publicado em 28/10/2025 Leitura: 5 min
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R$ 150 bilhões em crédito disponível – mas quem vai capturar essa oportunidade? [ConstruFoco #37] 
Há algumas semanas, o governo federal lançou uma nova política habitacional que promete injetar até R$ 150 bilhões no mercado imobiliário até 2027. A Caixa Econômica Federal já começou a operar as novas regras, que aumentam o teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões e elevam o financiamento de 70% para 80% do valor do imóvel. À primeira vista, parece uma excelente notícia para todo o setor, certo? Mais crédito disponível, limites maiores, entrada reduzida – tudo aponta para a continuidade do cenário aquecido do mercado. Mas depois de discutirmos como empresas com boa execução têm margens 70% maiores, como R$ 800 milhões foram perdidos em projetos mal selecionados e como o mercado de capitais escolhe a dedo quem financia, precisamos fazer uma pergunta mais precisa:

Quem está preparado para capturar essa onda de crédito sem comprometer suas margens?

O que muda na prática

A nova política funciona em fases: Fase 1 (2025-2026): Liberação de R$ 35 bilhões em crédito habitacional, com a Caixa prevendo financiar 80 mil novos imóveis. O compulsório cai de 20% para 15%, liberando 5 pontos percentuais para o sistema. Fase 2 (a partir de 2027): Se o modelo funcionar, fim total do compulsório e da obrigação de direcionar 65% da poupança ao crédito habitacional. Potencial de até R$ 150 bilhões injetados no mercado. Para o comprador, a mudança é significativa:
  • Teto do SFH sobe de R$ 1,5 mi para R$ 2,25 mi.
  • Financiamento aumenta de 70% para 80% do valor.
  • Entrada cai de R$ 150 mil para R$ 100 mil (num imóvel de R$ 500 mil).
  • FGTS pode ser usado em imóveis até R$ 2,25 mi.
Para incorporadoras e construtoras, isso significa demanda potencial aumentada justamente na faixa de classe média (renda acima de R$ 12 mil), que estava entre o MCMV e o mercado premium, sem boas opções de financiamento.

A janela de oportunidade – e o risco escondido

Agora, vamos conectar essa notícia com o que discutimos nas últimas edições da ConstruFoco.

Lembra quando falamos sobre como construtoras bem posicionadas no MCMV valorizaram 116%? O segredo não foi apenas estar no segmento certo, mas executar com disciplina para preservar margens.

E quando mostramos que incorporadoras deixaram R$ 800 milhões na mesa por projetos mal selecionados, ficou claro que receita alta não garante lucro se a execução for fraca.

Com R$ 150 bilhões entrando no mercado, essas lições ficam ainda mais críticas.

Veja o risco: crédito farto historicamente leva empresas menos preparadas a lançar projetos sem análise rigorosa de viabilidade. A empolgação com a demanda potencial pode obscurecer problemas de orçamento, prazo ou margem que só aparecem lá na frente, quando já consumiram capital e comprometeram resultados.

Os três grupos que vão emergir desse ciclo

Baseado em tudo isso, acredito que esse novo ciclo vai dividir o mercado em três grupos: #1 Empresas que já têm processos de seleção de projetos robustos, orçamentos confiáveis e controle rigoroso de custos vão expandir com segurança, capturando a demanda adicional enquanto mantêm margens saudáveis. #2 Empresas que vão se empolgar com a disponibilidade de crédito e lançar múltiplos projetos sem estrutura adequada de controle vão gerar receita, mas verão as margens evaporarem por desvios orçamentários, despesas comerciais descontroladas e prazos estourados. #3 Empresas que não conseguem demonstrar viabilidade consistente de seus projetos nem para compradores (que agora têm mais opções) nem para parceiros de funding (que continuam exigentes mesmo com mais recursos disponíveis) vão ficar de fora.

A diferença está na preparação, não no timing

Como destacou Thiago Bragatto no relatório da Grant Thornton que analisamos, “programas habitacionais e a crescente demanda por moradia acessível sustentam uma tendência positiva para os próximos trimestres”. Essa nova política confirma exatamente essa tese. A janela está aberta. A diferença entre capturar essa oportunidade com margem de 14,5% ou com margem de 8,6% (ou pior, ter prejuízos por impairment) está na capacidade de:
  • Modelar projetos com precisão para identificar a viabilidade real antes de comprometer o capital.
  • Controlar custos em tempo real para ajustar rapidamente quando surgirem desvios.
  • Gerenciar despesas comerciais e administrativas sem comprometer o crescimento.
  • Demonstrar previsibilidade para atrair compradores e parceiros de funding.

Você está pronto para o aumento de demanda?

R$ 150 bilhões em crédito adicional vão chegar ao mercado. Famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 25 mil vão ter acesso facilitado a financiamento. A demanda por imóveis na faixa de R$ 500 mil a R$ 2,25 milhões vai aumentar.

A pergunta é: sua empresa tem a estrutura necessária para crescer de forma lucrativa?

Porque se nossas últimas conversas nos ensinaram algo é que estar no mercado certo não é suficiente se a execução for mediana.

A diferença entre aproveitar uma onda de crédito e se afogar nela está em ter os instrumentos certos para crescer com disciplina.

É exatamente nisso que a Celere ajuda incorporadores e construtores. Não oferecemos apenas software ou consultoria, criamos a estrutura de inteligência que permite decisões rápidas e precisas quando o mercado acelera. Raphael ChelinQuer preparar sua empresa para capturar essa oportunidade de R$ 150 bilhões mantendo margens saudáveis? Entre em contato, e vamos conversar. Boa semana! Raphael Chelin CEO