Caixa e Bradesco projetam recorde no crédito imobiliário em 2026 [ConstruFoco #63]

Caixa e Bradesco projetam recorde no crédito imobiliário em 2026, revertendo a expectativa de queda do ano passado. Entenda o que mudou e o que isso significa para incorporadoras.

Por Raphael Chelin Publicado em 12/05/2026 Leitura: 4 min
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Caixa e Bradesco projetam recorde no crédito imobiliário em 2026 [ConstruFoco #63]

Talvez você não se lembre, mas na ConstruFoco #04, publicada em fevereiro do ano passado, eu contei que a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) projetava retração de 10% no crédito imobiliário em 2025, com queda de até 20% no SBPE. Naquele momento, a poupança vinha de uma captação líquida negativa de R$ 21,7 bilhões e a Selic em alta deixava o funding tradicional cada vez mais escasso.

Pois bem. Quase quinze meses depois, a leitura mudou de figura.

Em uma matéria publicada pela Exame, executivos de dois dos maiores players de crédito habitacional do país sinalizaram um cenário bem diferente para 2026:

  • Roberto Ceratto, diretor-executivo de habitação da Caixa Econômica Federal, afirmou esperar "o melhor ano da história do crédito imobiliário na Caixa e possivelmente no país".
  • Romero Albuquerque, diretor de Crédito Imobiliário do Bradesco, projeta expansão de 10% a 15% no mercado em relação a 2025.

Hoje quero discutir com você o que mudou nesse intervalo, o que isso significa na prática e por que essa virada não é uniforme.

O que destravou a projeção otimista

A leitura da Caixa se apoia em medidas concretas que o banco vem adotando para ampliar o alcance do crédito habitacional:

  • Ampliação das condições para aquisição de segundo imóvel.
  • Elevação dos tetos de financiamento.
  • Retomada do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) para imóveis acima de R$ 2,25 milhões para pessoas físicas, com recursos do SBPE.
  • Nova linha de crédito para habitação popular, voltada a imóveis de até R$ 350 mil dentro do Programa Apoio à Produção, com recursos livres para financiar construtoras.

Segundo Ceratto, essas medidas já trouxeram "incremento bastante importante nesse primeiro trimestre".

Do lado do Bradesco, a leitura é mais cautelosa no curto prazo, mas convergente no horizonte. Albuquerque pondera que os dados iniciais ainda não capturam plenamente a tendência, mas a expectativa é de aceleração ao longo do ano, impulsionada por demanda reprimida e por um ambiente de juros que começa a favorecer decisões de longo prazo.

Leia também: A nova era do crédito imobiliário no Brasil

O dado estrutural que coloca o "recorde" em perspectiva

Há um número na matéria que vale a pena destacar: a carteira de crédito imobiliário somada de Caixa e Bradesco já supera R$ 1 trilhão, mas representa cerca de 10% do PIB – patamar considerado baixo na comparação internacional.

Isso diz duas coisas ao mesmo tempo:

  1. Há muito espaço estrutural para o crédito crescer, o que sustenta o otimismo dos bancos não só em 2026, mas no médio prazo.
  2. Mesmo no "melhor ano da história", o Brasil ainda estará longe do potencial. Recorde, no nosso caso, ainda é abaixo do que economias maduras consideram normal.

Ou seja, a expansão projetada para 2026 tem tudo para ser apenas o início de uma trajetória mais longa de crescimento estrutural do crédito imobiliário no Brasil.

Mas, atenção: a virada não chega igual para todo mundo!

Aqui é importante ler com cuidado. As medidas anunciadas têm um foco claro no crédito para o comprador final – a pessoa física que financia um imóvel.

Essa é uma boa notícia direta para construtoras e incorporadoras, porque tende a destravar velocidade de vendas, giro de estoque e absorção de novos lançamentos. Mas o funding para quem produz o imóvel ainda segue em transição.

Como mostramos aqui, o SBPE para PJ caiu 54% no primeiro semestre do ano passado, obrigando empresas a buscar o mercado de capitais – apesar de 57% das incorporadoras nunca terem operado nesse ambiente. E como detalhei na ConstruFoco #46, o novo modelo de direcionamento por fluxo (LCI, LIG, securitização) só amadurece de fato a partir de 2027.

O que isso muda no seu planejamento

Se a projeção dos bancos se confirmar, dois movimentos tendem a acontecer ao longo deste ano:

  • Tetos maiores e novas faixas elegíveis ampliam o universo de produtos viáveis. Terrenos antes descartados podem voltar para a mesa, tipologias podem ser reposicionadas e o mix de unidades pode ser revisto.
  • Aceleração na velocidade de vendas muda a dinâmica de fluxo de caixa, especialmente para empreendimentos em fase de pré-lançamento ou início de obra.

Em ambos os casos, o que separa quem captura essa janela de quem só observa é a precisão de orçamento e a clareza de viabilidade. Tetos maiores não geram margem automaticamente, geram espaço. E esse espaço só vira resultado para quem tem leitura de custo precisa o suficiente para transformar o aumento em produto melhor, não em custo absorvido.

Na Celere, ajudamos incorporadoras e construtoras a transformar mudanças de cenário em decisões de produto e viabilidade mais precisas, com orçamento detalhado, controle de custos rigoroso e leitura realista de margem.

Imagem do artigoSe você quer revisar suas premissas para aproveitar esse novo ciclo de crédito, entre em contato com a gente.

Boa semana.

Raphael Chelin
CEO


Imagem de destaque: Sasun Bughdaryan na Unsplash