Drywall vs. alvenaria: 5 perguntas para saber quando a troca compensa

A maioria das construtoras e incorporadoras pergunta "vale a pena trocar alvenaria de vedação por drywall?" na hora errada e sem as informações certas. Este guia ajuda a mudar isso

Por Raphael Chelin Publicado em 26/03/2026 Leitura: 8 min
Compartilhar:
Drywall vs. alvenaria: 5 perguntas para saber quando a troca compensa

A maioria das construtoras e incorporadoras pergunta "vale a pena trocar alvenaria de vedação por drywall?" na hora errada e sem as informações certas. Este guia ajuda a mudar isso

Vamos logo tirando o elefante da sala: quando a decisão é tomada no momento certo e com a especificação adequada, o drywall pode ser significativamente mais vantajoso do que a alvenaria convencional.

Mas essa frase carrega duas condições – "momento certo" e "especificação adequada" – que mudam tudo.

Este artigo é um guia para navegar essas condições. Para isso, Raphael Chelin, CEO da Celere, e Leandro Nagano, gerente de operação e orçamentos, além de partner da Celere, respondem às cinco perguntas que mais aparecem no mercado sobre o tema:

  1. Em quais paredes o drywall faz sentido?
  2. Quando a decisão precisa ser tomada?
  3. O que muda conforme a especificação?
  4. O que o manual do proprietário precisa prever?
  5. O drywall se aplica a qualquer tipo de empreendimento?

Vamos a elas.

#1 Em quais paredes o drywall faz sentido?

A primeira coisa a entender é que nenhum empreendimento no Brasil adota drywall em 100% das paredes – e nem deveria. A troca é sempre parcial e restrita às paredes internas dos apartamentos.

As paredes de fachada ficam de fora por uma razão óbvia: exposição às intempéries. Chuva, umidade e variação de temperatura exigem uma solução construtiva mais robusta, e a alvenaria convencional continua sendo a escolha padrão para esse tipo de parede.

As divisas entre unidades também costumam ficar de fora. "A parede que divide dois apartamentos continua sendo de bloco para dar conforto entre eles", Imagem do artigoexplica Raphael. Se fosse drywall, seria necessário especificar um sistema muito mais robusto – chapas múltiplas com isolamento acústico – para evitar que o som vazasse de um apartamento para o outro. Há casos, porém, em que a pessoa faz essa troca e ainda assim a soma total faz sentido. Porém, essa é uma decisão que precisa ser avaliada com cuidado, projeto a projeto.

O uso mais comum do drywall, portanto, são as paredes internas de cada unidade – aquelas que dividem sala de quarto, quarto de banheiro, corredor de cozinha. É aí que a relação custo-benefício tende a ser mais favorável e onde a maioria das construtoras concentra a troca.

Foi também essa a escolha do cliente que deu origem ao estudo comparativo da Celere que analisou dois empreendimentos em Fortaleza, mesmo projetista, perfil similar de produto – um com alvenaria em todas as paredes internas, outro com drywall nas paredes internas dos apartamentos. Os resultados desse comparativo estão detalhados no primeiro artigo desta série.

#2 Quando a troca de alvenaria para drywall precisa ser definida?

A decisão de usar drywall nas paredes internas precisa acontecer antes dos projetos de estrutura e fundação.

O motivo é que o projetista estrutural dimensiona pilares, vigas e lajes com base no peso total do edifício. Se ele sabe que as paredes internas serão de drywall, dimensiona para um prédio mais leve – e a estrutura sai menor, com menos concreto e menos aço. O projetista de fundação, por sua vez, recebe essas cargas menores e dimensiona sapatas ou estacas para sustentá-las.

Se a decisão chega depois que esses projetos já estão prontos, a oportunidade foi perdida. Afinal, a estrutura já está dimensionada para o peso da alvenaria, e o edifício carregará uma estrutura mais robusta do que precisa.

No mercado brasileiro, esse erro é mais comum do que deveria. "O pessoal é muito imediatista", observa Leandro. "A obra já está começando, o pessoal já está fazendo a fundação, e aí resolve trocar a alvenaria por drywall. Mas aí fica muito mais difícil ter algum ganho", aponta.

Ou seja, drywall como reengenharia de projeto no canteiro em andamento é uma decisão cara. Drywall como escolha de projeto desde a prancheta é uma vantagem competitiva.

#3 O que muda conforme a especificação?

Nem todo drywall é igual, e essa variação de especificação é onde muitos orçamentos saem dos trilhos.

O estudo comparativo da Celere foi feito com chapa simples: uma placa ST – Standard, a placa convencional – de cada lado do perfil metálico. Essa é a especificação mais básica e mais barata, e foi ela que gerou o resultado de R$ 120/m² de vantagem para o drywall quando se inclui estrutura e fundação.

Mas o mercado oferece – e muitos projetos exigem – especificações mais completas:

  • Chapa dupla em cada lado aumenta o isolamento acústico e a sensação de rigidez da parede.
  • Chapa tripla vai além. Entre as chapas, é possível adicionar lã de vidro ou lã de rocha para isolamento térmico e acústico adicional.
  • Para paredes em áreas úmidas, existem chapas resistentes à umidade.
  • Há chapas específicas para paredes próximas a instalações elétricas ou que exigem maior resistência ao fogo.

Cada camada de especificação adiciona custo. "Quando você coloca chapa dupla, chapa tripla, isolamento acústico, esse custo tende a ficar muito mais caro", alerta Leandro. Em projetos de médio e alto padrão, onde a especificação acústica é mais rigorosa, a diferença de custo em relação à alvenaria pode se inverter – e o drywall passa a ser mais caro mesmo quando se olha para o quadro completo.

A regra prática é clara: antes de decidir pelo drywall, é preciso saber qual especificação o projeto vai exigir. Orçar chapa simples e executar chapa dupla é uma armadilha que compromete tanto o planejamento financeiro quanto o resultado final da comparação.

#4 O que o manual do proprietário precisa prever?

O manual do proprietário é um ponto que costuma passar despercebido na decisão pelo drywall – e isso pode ter consequências sérias anos depois.

Quando um edifício é construído com drywall nas paredes internas, sua estrutura e fundação foram dimensionadas para o peso do drywall. Se na hora de reformar o apartamento, o morador decidir substituir as paredes de drywall por alvenaria convencional, estará colocando um peso significativamente maior em uma estrutura que não foi projetada para suportá-lo.

"É muito importante o incorporador colocar no manual do proprietário que o morador não pode trocar drywall por alvenaria, porque a estrutura e a fundação foram dimensionadas para o peso do drywall", explica Raphael. "O proprietário nunca pode colocar um peso a mais do que a estrutura foi dimensionada para suportar", completa.

Na prática, isso significa que o manual do proprietário precisa ser explícito: as paredes internas de drywall não podem ser substituídas por alvenaria em nenhuma hipótese. Qualquer reforma de maior porte que envolva paredes exige a contratação de um engenheiro para emitir uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento obrigatório que registra a responsabilidade do profissional pelo serviço executado, e esse profissional precisará consultar o manual para entender o que é e o que não é permitido.

Essa, portanto, é uma restrição que precisa ser comunicada com clareza na entrega do imóvel – e documentada formalmente – para proteger tanto o morador quanto a construtora de problemas estruturais futuros.

#5 O drywall se aplica a qualquer tipo de empreendimento?

A especificação certa depende também de onde e para quem se constrói.

A adoção do drywall no Brasil não é uniforme, e entender esse mapa regional ajuda a calibrar as expectativas.

Em algumas praças o drywall já é a norma. Em Balneário Camboriú (SC), por exemplo, praticamente todos os empreendimentos utilizam o sistema, inclusive com especificações mais completas – chapa dupla, chapa tripla, mantas entre apartamentos. O preço dos imóveis nesse mercado comporta esse nível de especificação.

No interior do Brasil e no Nordeste, o cenário é diferente. A alvenaria convencional ainda domina, tanto por questões culturais quanto pela estrutura das construtoras locais, que em geral não têm a mesma familiaridade com o processo de instalação do drywall.

Há ainda um fator de segmentação por tipo de empreendimento: o Minha Casa, Minha Vida, que representa uma parcela enorme da construção brasileira, utiliza predominantemente alvenaria estrutural – um sistema em que as próprias paredes fazem a função de sustentação do prédio. Nesse caso, o drywall simplesmente não se aplica.

Para médio e alto padrão em mercados mais desenvolvidos, a tendência é de crescimento consistente do drywall ano a ano. "Esse número está aumentando porque o pessoal de alto padrão viaja muito para fora, onde tudo é drywall, e acaba perdendo o preconceito", observa Raphael.

Leia também:
Drywall vs. alvenaria: os custos que não aparecem na planilha

O que essa série mostrou – e o que fica de aprendizado

O que fica dessa série de três artigos, um estudo de caso real e dois profissionais com décadas de dados de obra é que o drywall não é necessariamente mais caro, mas também não é necessariamente mais barato. A resposta depende de três variáveis: quando a decisão é tomada, qual especificação é adotada e quais etapas do empreendimento são incluídas na análise.

Quem decide olhando só para o custo da parede vai chegar a uma conclusão errada. Quem inclui estrutura, fundação, mão de obra, prazo e juros – e faz essa análise antes dos projetos estruturais – está fazendo a pergunta certa.

Esse é o tipo de inteligência que a Celere aplica em obras do Brasil inteiro.

Se você está avaliando sistemas construtivos para um empreendimento ou quer entender como suas escolhas de projeto impactam o custo total da obra, fale com a gente.


Imagem de destaque: Olek Buzunov na Unsplash