Materiais de acabamento já são 29% do custo – e agora? [ConstruFoco #42]

O consumo de materiais de acabamento por construtoras e incorporadoras cresceu 102% entre janeiro/2023 e julho/2025, enquanto os materiais de base cresceram 68% no mesmo período. Entenda o que isso significa.

Por Raphael Chelin Publicado em 08/12/2025 Leitura: 4 min
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Materiais de acabamento já são 29% do custo – e agora? [ConstruFoco #42]

Há alguns dias, tive acesso à nova edição do relatório "Panorama de Consumo de Materiais de Construção por Construtoras e Incorporadoras", elaborado pelo Ecossistema Sienge em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), e um dado chamou bastante minha atenção.

Segundo o levantamento, o consumo de materiais de acabamento por construtoras e incorporadoras cresceu 102% entre janeiro/2023 e julho/2025, enquanto os materiais de base cresceram 68% no mesmo período.

Materiais de acabamento já são 29% do custo – e agora? [ConstruFoco #42] - planejamento

Pode parecer só mais um número sobre o setor, mas esse dado conta uma história bem específica sobre onde a construção civil está no ciclo de execução – e o que isso significa para quem está tentando manter margens saudáveis num cenário de crédito 53% menor.

O que esse número realmente significa

Deixa eu contextualizar: produtos de base (cimento, argamassa, tijolo, estrutura) ainda representam 71-77% do total do valor gasto em materiais nas obras. Mas itens de acabamento (piso cerâmico, tinta, revestimentos) chegaram a 29% do total em alguns meses de 2025, contra uma média histórica de 23-26%.

Segundo Gabriela Torres, Gerente de Inteligência Estratégica do Sienge, "o comportamento dos dados indica uma retomada mais intensa do ritmo das obras e uma maior coordenação entre prazos e especificações, refletindo um ciclo de execução mais dinâmico e voltado à entrega dos empreendimentos".

Uma das análises do relatório acompanha a evolução de uma obra de alto padrão iniciada em 2022. No primeiro ano, 97% das compras eram para a estrutura. A partir do fim de 2023, os materiais de acabamento passaram a liderar, chegando a mais de 50% do total – comportamento típico de obras em fase final.

Traduzindo: as obras que foram lançadas em 2022-2023 estão chegando na reta final. E quando o acabamento cresce mais rápido que a estrutura, significa que o setor está entregando o que prometeu.

Com obras chegando na fase de acabamento em massa, dois cenários se desenham:

Cenário 1: Empresas que orçaram bem

  • Sabiam exatamente quanto ia custar acabamento por m².
  • Parametrizaram especificações desde o início.
  • Compraram materiais antecipadamente quando preços estavam mais baixos.
  • Resultado: entregam no prazo, com margem preservada.

Cenário 2: Empresas que orçaram na esperança

  • Usaram "média de mercado" para acabamento.
  • Descobrem agora que especificações prometidas custam 20-30% mais.
  • Precisam comprimir margem ou decepcionar cliente.
  • Resultado: entregam no prazo, mas com margem corroída (ou atrasam para ajustar custos).

A diferença? Em uma obra de R$ 30 milhões onde acabamento representa R$ 7 milhões, um erro de 20% significa R$ 1,4 milhão de margem evaporada.

O que vem pela frente

A expectativa para 2026 é que o acabamento ultrapasse 30% do total de compras. Com R$ 77 bilhões projetados para entrar no mercado, mas custos seguindo pressionados (INCC +6,8%), a disputa não será mais apenas por preço, mas por performance e velocidade.

Como destacou Paulo Engler, presidente da Abramat, "o canteiro de obras deixou de atuar apenas no improviso e se aproxima cada vez mais de uma linha de montagem, e essa mudança tende a reduzir retrabalho e encurtar prazos, favorecendo os fornecedores capazes de entregar padronização e previsibilidade".

Na prática, quanto mais as obras se aproximam de "linha de montagem" (industrialização, padronização, previsibilidade), menos espaço há para improviso e mais importante fica o orçamento paramétrico.

Como vimos nas edições sobre SINAPI e INCC-M, índices genéricos não capturam especificidades de acabamento. Um piso cerâmico de R$ 30/m² não é igual a um de R$ 80/m². Uma tinta standard não custa o mesmo que uma linha premium. E descobrir isso na fase de acabamento, quando a obra já consumiu 70% do capital, transforma erro de orçamento em escolha impossível: comprimir margem ou decepcionar cliente?

É exatamente esse tipo de risco que eliminamos na Celere. Com nossa tecnologia e nossa equipe especializada, transformamos referências de mercado (normalmente em R$ por metro quadrado global) em orçamentos paramétricos conforme as particularidades do produto, mesmo nas fases iniciais – levantando os índices e indicadores específicos de cada grupo de serviço, de acordo com tipo de produto, altura do edifício, tamanho das unidades e dos ambientes etc.

Materiais de acabamento já são 29% do custo – e agora? [ConstruFoco #42] - engenhariaA diferença entre entregar obras com margem preservada e descobrir na fase final que o orçamento estava errado pode, em grande parte dos casos, estar associada à qualidade da parametrização inicial.

Precisa de apoio para estruturar orçamentos que capturem as especificidades de cada fase da obra? Entre em contato com a gente!

Boa semana!

Raphael Chelin

Imagem em destaque: de Mufid Majnun na Unsplash