Hoje chegamos à edição de número 50 da ConstruFoco. Esse é mais um marco importante na construção desta newsletter semanal que criei para conversar com você sobre questões que afetam o dia a dia de construtoras e incorporadoras.
Lá atrás, eu não fazia ideia que alguns temas iam se repetir tanto nas minhas análises, mas hoje entendo que isso faz total sentido, já que o olhar atento a cada movimento que influencia custos de construção, orçamento e eficiência é fundamental para manter margem e entregar projetos no prazo e no orçamento. E é algo que faz parte da nossa rotina na Celere.
A questão que se repete hoje diz respeito à pressão que a mão de obra vai seguir exercendo nos custos da construção este ano.
A nova edição da ConstruCarta, documento elaborado pelo Sinduscon-SP com base em dados do FGV IBRE, trouxe a análise do cenário para o ano e confirmou o que já vínhamos discutindo aqui: enquanto a inflação geral deve desacelerar para 4,05%, a tendência é que o custo da mão de obra suba novamente acima desse patamar.
O que os números de 2025 mostram
Em dezembro de 2025, o INCC-DI subiu 0,21%, fechando o ano com variação acumulada de 5,92%. Quando olhamos os componentes desse índice, a pressão sobre mão de obra fica evidente:
- Mão de obra: +8,98%
- Serviços: +5,45%
- Materiais e Equipamentos: +3,61%
Ou seja, o custo da mão de obra subiu quase 150% acima dos materiais e equipamentos.

O gráfico acima mostra como essa diferença se comportou ao longo de 2025: enquanto o IPCA (inflação geral) encerrou o ano em 4,26% e o INCC-DI em 5,92%, a mão de obra disparou para 8,98%, mantendo-se consistentemente acima dos outros índices desde meados de 2022.
E esse descasamento não é novidade para quem acompanha a ConstruFoco – falamos sobre isso na edição #47, quando analisamos como a mão de obra vinha subindo 50% acima do INCC desde meados de 2022.
Por que isso vai continuar em 2026
A maioria dos analistas aponta desaceleração do IPCA para 4,05% em 2026, segundo o último relatório Focus do Banco Central. A desaceleração da economia deverá auxiliar esse movimento. Mas, segundo a ConstruCarta, a construção deve caminhar em sentido inverso e crescer mais... se tiver mão de obra.
E é aqui que mora o problema: o setor vai continuar contratando mesmo com o mercado de trabalho pressionado.
A ConstruCarta destaca que um quesito especial da Sondagem da Construção de dezembro do FGV IBRE perguntou qual é a expectativa para 2026 com relação ao total de pessoal ocupado nas empresas: 32,5% disseram que irão aumentar suas equipes, enquanto apenas 14,9% responderam que irão diminuir. Essa diferença positiva significa mais contratação ao longo do ano.
Com mais empresas contratando em um mercado já escasso de trabalhadores qualificados, a tendência é que a falta de mão de obra continue no primeiro lugar no ranking de dificuldades setoriais.
Portanto, é esperado que o descasamento entre mão de obra e INCC se repita em 2026. Materiais e equipamentos devem acompanhar a inflação (cerca de 4%), mas o custo da mão de obra deve subir acima disso.
E aí, vem aquilo que já falei várias vezes: se você trabalha com reajuste automático pelo INCC, essa diferença sai direto da sua margem. E em 50 edições da ConstruFoco, deve ter ficado claro pra você que quem não acompanha custo mês a mês perde dinheiro sem perceber.
Como a Celere pode ajudar
Na Celere, estruturamos orçamentos que já consideram reservas técnicas adequadas e integramos Acompanhamento de Prazos com Acompanhamento de Custos para você enxergar onde a produtividade está escorrendo cedo o suficiente para corrigir com a obra andando.
Trabalhamos com tecnologia própria e equipe especializada para garantir que você tenha visão de futuro sobre o que vai estourar – e possa agir antes que isso vire prejuízo.
Quer estruturar esse controle para suas obras em 2026? Entre em contato, e vamos conversar.
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO
Imagem de destaque: Ümit Y?ld?r?m na Unsplash