Queria começar nossa conversa de hoje com uma frase que o Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil e cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora, disse em entrevista à Revista Grandes Construções:
"Em um ambiente de crédito mais apertado, falhas operacionais deixam de gerar apenas atraso ou retrabalho e passam a comprometer diretamente custo, margem e capacidade de reação da empresa."
A matéria que traz essa fala tem um título que, à primeira vista, soa como má notícia: "Juros altos forçam construtoras a rever operação para proteger margem". Mas eu leio de outro jeito. Se os juros estão forçando o setor a rever a operação, o que está acontecendo é que empresas estão sendo empurradas para algo que deveriam fazer em qualquer cenário. E isso é bom.
A ineficiência sempre esteve lá
O argumento central do Magnus é que quando o crédito encarece, a margem para absorver ineficiência diminui drasticamente. Segundo ele, muitas vezes a empresa atribui a pressão apenas ao cenário econômico, mas parte importante dessa perda já estava dentro da própria operação.
Esse é o ponto. Os juros altos não criam ineficiência. Eles revelam algo que já existia.
Desperdício, retrabalho, falha de coordenação entre equipes, cronograma descolado do custo... tudo isso está presente em qualquer ciclo. A diferença é que, em momentos de liquidez folgada, essas perdas ficam diluídas no resultado. A empresa vende bem, cresce, e o que escapa pela operação passa despercebido.
Magnus descreve exatamente esse quadro. Na avaliação dele, uma empresa pode ter demanda, vender bem e continuar crescendo, mas, se a operação estiver desorganizada, parte da rentabilidade começa a desaparecer silenciosamente. E as perdas costumam se acumular antes de aparecer claramente no resultado.
É o mesmo mecanismo que discutimos na ConstruFoco #66, quando o mercado precificava queda de margem das construtoras listadas. A diferença entre quem sustenta margem e quem absorve custo raramente está no cenário, está na operação.
O que o ciclo restritivo está antecipando
Magnus projeta uma consequência dessa pressão que vale registrar. Para ele, empresas mais estruturadas operacionalmente devem ganhar vantagem por conseguir responder com mais rapidez a ambientes econômicos restritivos. Nas palavras dele, "eficiência operacional deixa de ser apenas uma pauta técnica e passa a funcionar como um mecanismo de proteção financeira".
Essa frase resume algo que o ciclo atual está acelerando. Em liquidez alta, eficiência é agenda de engenharia, algo que fica com a equipe técnica enquanto a diretoria olha para vendas e expansão. Em crédito caro, eficiência vira agenda de diretoria, porque é ela que decide se a margem projetada chega inteira no resultado.
"Quando o capital fica mais caro, eficiência deixa de ser diferencial operacional e passa a ser condição de sobrevivência", conclui o Magnus.
Por que essa é uma boa notícia
Pode parecer estranho ler um cenário de juros altos como notícia positiva. Não é o juro que é bom, evidentemente. O que é bom é o efeito que ele pode ter sobre a maturidade operacional do setor.
Empresas que atravessarem este ciclo revisando operação, organizando leitura de custo e estruturando previsibilidade saem do outro lado melhores do que entraram. E saem melhores de forma permanente, porque disciplina operacional construída sob pressão não se desfaz quando o crédito volta a ficar barato. O setor inteiro ganha um padrão mais alto.
O contraste vale para o cenário oposto. Ciclos longos de liquidez folgada costumam premiar crescimento sem estrutura, e é aí que as fragilidades se acumulam em silêncio. O estouro de custos da pandemia, que marcou o setor e ainda aparece nas teleconferências das companhias listadas, nasceu em boa parte dessa acumulação.
O ciclo atual está fazendo o movimento contrário. Está separando, para usar a leitura do Magnus, empresas capazes de operar com controle e previsibilidade daquelas excessivamente dependentes de crescimento para sustentar o resultado.
Onde começa essa revisão
Se a leitura acima faz sentido, a pergunta natural é por onde começar a revisão da operação. E a resposta é menos glamourosa do que parece: começa pelo orçamento.
Não dá para reduzir desperdício sem saber onde ele está. Não dá para atacar retrabalho sem medir o que ele custa. Não dá para proteger margem sem saber, linha a linha, onde ela está sendo comida. O orçamento detalhado, com leitura por insumo e acompanhamento contínuo, é o instrumento que transforma "eficiência operacional" de conceito em prática.
É exatamente aqui que a Celere entra.
A nossa metodologia combina orçamento detalhado por insumo e acompanhamento contínuo de obras, exatamente para que desperdício, retrabalho e desvio de curva apareçam no radar antes de comer a margem projetada. A gente não entrega uma planilha estática, revisada uma vez por trimestre, o que fazemos é uma leitura viva do custo do empreendimento, ajustada ao ritmo da obra.
Em um ciclo em que a margem para absorver ineficiência diminuiu drasticamente, essa leitura vira a diferença entre entregar a margem projetada e vê-la sumir silenciosamente ao longo da obra.
É por isso que eu leio o título da matéria como boa notícia. Os juros altos estão forçando o setor a construir agora a disciplina que vai sustentar a margem em qualquer cenário. E quem começar essa construção com o orçamento certo sai na frente.
Se você quer entender como a Celere pode ajudar a estruturar essa revisão na sua operação, entre em contato com a gente. Podemos conversar sobre o seu caso.
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO
Imagem de destaque: Artful Homes na Unsplash