Custos em alta (INCC-M a 0,85%, CUB paulista com a maior variação de 2026), confiança em queda e R$ 20 bilhões a mais para o Minha Casa, Minha Vida moveram a construção em junho
Enquanto os custos continuam avançando com altas relevantes registradas no INCC-M, no CUB paulista e em diversos insumos da cadeia produtiva, indicadores de habitação e indústria de materiais mostram que a atividade resiste em segmentos importantes da construção.
Além disso, o reforço de R$ 20 bilhões ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e a volta ao crescimento da indústria de materiais ajudam a sustentar essa trajetória, ainda que a confiança do setor tenha recuado.
Neste Giro de Notícias, compartilhamos os detalhes de cada uma dessas manchetes. Acompanhe!
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Sob influência do grupo Mão de Obra, INCC-M sobe 0,85% em junho
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) subiu 0,85% em junho, acima dos 0,77% de maio, segundo a FGV IBRE. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 6,71%, uma desaceleração frente aos 7,19% registrados doze meses antes.

Materiais e serviços perderam força no mês; quem impulsionou a alta foi a mão de obra
O grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 0,80%, abaixo dos 1,02% de maio. Dentro dele, os materiais e equipamentos passaram de 1,08% para 0,86%, com três dos quatro subgrupos em queda, puxados pela estrutura, de 0,99% para 0,73%. Os serviços também cederam, de 0,50% para 0,28%, puxados pela conta de energia, cujo reajuste caiu de 3,02% para 1,10%.
A mão de obra correu na direção oposta. A variação saltou de 0,43% em maio para 0,91% em junho, o suficiente para acelerar o índice cheio mesmo com os insumos arrefecendo.
O comportamento do indicador variou pelo país. Cinco das sete capitais pesquisadas desaceleraram em junho. Foram elas: Salvador (BA), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Recife (PE) e Porto Alegre (RS). Por outro lado, Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) registraram aceleração, sinal de que a pressão de custo não está distribuída de forma uniforme.
Confiança da Construção recua em junho, pressionada pela percepção do presente
O Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou 0,9 ponto em junho, para 91,7 pontos. Na média móvel trimestral, que suaviza oscilações pontuais, o índice cedeu 0,6 ponto, para 92,3 pontos.

A queda veio inteiramente da leitura do presente. O movimento foi influenciado apenas pelo Índice de Situação Atual (ISA-CST), que recuou 1,7 ponto, para 90,6 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-CST) ficou estável em 92,9 pontos.
Dentro do ISA, a percepção sobre a situação atual dos negócios marcou 88,8 pontos, 2,2 pontos abaixo de maio, e a carteira de contratos ficou em 92,6 pontos, recuo de 1,2 ponto.
Do lado das expectativas, os sinais se dividiram. A demanda prevista cedeu 0,7 ponto, para 95,0 pontos, mas a tendência dos negócios avançou os mesmos 0,7 ponto, para 90,8 pontos. O nível de utilização da capacidade instalada do setor recuou 0,4 ponto percentual, para 77,0%, com a mão de obra estável em 78,7% e máquinas e equipamentos em 71,9%.
O que mais limitou os negócios, segundo as empresas, continua sendo a falta de trabalhadores, o mesmo gargalo que aparece no INCC do mês via pressão de custo de mão de obra.
Para Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, a escassez de mão de obra como principal entrave "sugere que o setor continua operando em ritmo forte", e as empresas indicam que o mercado de trabalho do setor seguirá aquecido nos próximos meses.
O quadro também variou por segmento. Na comparação com dezembro de 2025, o ICST registrou leve alta de 0,5 ponto, mas o resultado esconde direções opostas: edificações e serviços especializados puxaram a percepção para baixo, enquanto a infraestrutura ampliou a confiança, em linha com o ritmo dos investimentos na área.
Governo reforça orçamento do Minha Casa, Minha Vida
Em junho, o governo federal autorizou a liberação de mais R$ 20 bilhões para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
O crédito suplementar concentra a maior parte dos recursos adicionais liberados pelo Ministério do Planejamento e Orçamento para diferentes áreas da administração pública.
Além do reforço ao programa habitacional, outros R$ 500 milhões foram destinados a setores como agropecuária, economia e segurança pública.
Para o mercado da construção civil, a ampliação dos recursos do MCMV reforça a perspectiva de continuidade dos investimentos em habitação popular, segmento que tem desempenhado papel relevante na sustentação da atividade do setor nos últimos anos.
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Indústria de materiais de construção volta a crescer em maio
A indústria de materiais de construção registrou crescimento em maio e interrompeu a retração observada no mês anterior. Segundo o Índice Abramat divulgado em junho, o faturamento deflacionado do setor avançou 0,8% na comparação com abril, considerando os dados dessazonalizados. O resultado foi puxado principalmente pelos materiais básicos, que cresceram 1,6%, enquanto os materiais de acabamento permaneceram estáveis.
A recuperação ocorre após um abril marcado por pressões nos custos de combustíveis e derivados de petróleo, além das incertezas do cenário internacional, fatores que impactaram o desempenho da indústria. Para a entidade, o avanço dos materiais básicos é um sinal relevante por acompanhar mais de perto o ritmo das obras e da atividade da construção civil.
Apesar da melhora mensal, os indicadores acumulados ainda refletem um ambiente desafiador. Na comparação com maio de 2025, o faturamento da indústria recuou 1%. Nos cinco primeiros meses do ano, a queda acumulada é de 3,7%, enquanto o resultado dos últimos 12 meses registra retração de 3,8%. Entre os segmentos, os materiais básicos ficaram estáveis no comparativo anual, enquanto os de acabamento apresentaram queda de 2,6%.
A Abramat mantém a expectativa de crescimento moderado de 1,9% para 2026, apoiada na recuperação gradual da construção civil. Porém, a entidade destaca fatores que ainda exigem atenção, como os juros elevados, o desempenho abaixo do esperado de programas de estímulo às reformas e as pressões inflacionárias na cadeia produtiva.
CUB paulista registra maior alta mensal de 2026
O Custo Unitário Básico (CUB) da construção paulista registrou alta de 1,24% em maio, a maior variação mensal observada em 2026, segundo dados divulgados pelo SindusCon-SP. Com o resultado, o indicador acumula elevação de 2,30% no ano e de 5,11% nos últimos 12 meses. O custo do metro quadrado da construção no Estado alcançou R$ 2.172,71 no período.
Todos os principais componentes do índice apresentaram avanço no mês. A mão de obra registrou alta de 1,36%, enquanto os materiais de construção subiram 1,04%. Já as despesas administrativas tiveram o maior aumento entre os grupos pesquisados, com variação de 1,81%, refletindo a pressão dos custos operacionais sobre o setor.
Entre os insumos, os maiores reajustes do mês vieram da tinta látex branca PVA, do vidro liso transparente e da alimentação tipo marmitex, todos acima do IGP-M de maio, que ficou em 0,84%. Na comparação de 12 meses, os destaques ficaram com o fio de cobre, o cimento e os tubos de PVC, todos com altas acima de 10%, muito acima do IGP-M, que acumulou 1,95% no período.
Considerado um dos principais termômetros dos custos da construção civil, o CUB é utilizado como referência obrigatória nos registros de incorporação imobiliária e acompanha a evolução dos gastos com mão de obra, materiais e serviços. O desempenho de maio reforça o cenário de pressão de custos observado ao longo do primeiro semestre, acompanhando outros indicadores recentes da cadeia da construção.
Imagem de destaque: Troy Mortier na Unsplash