A importância da requalificação dos profissionais
A quarta Revolução Industrial traz grandes possibilidades de desenvolvimento e transformação a diferentes mercados – inclusive ao de engenharia e construção. Porém, junto com essas novas possibilidades, vêm novos desafios.
Por um lado, a evolução de áreas tecnológicas – como inteligência artificial e automação – deve transformar e, em muitos casos, eliminar uma boa parte dos cargos que existem atualmente.
Para se ter uma ideia, em um estudo publicado em 2019 sobre o futuro do trabalho, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que, nos próximos 20 anos:
– 14% de todos os cargos existentes podem desaparecer por conta da automação;
– 32% das atividades de trabalho deverão mudar radicalmente como resultado da inclusão de tarefas automatizadas.
Na construção civil, algumas previsões indicam que tecnologias de automação poderão impactar e/ou eliminar até 49% das atividades profissionais.
Por outro lado, a rápida evolução tecnológica acaba gerando novos postos de trabalho e também um gap de habilidades, resultando na falta de trabalhadores qualificados.
Há quem diga, por exemplo, que os estudantes de hoje estão se preparando para atividades profissionais que nem existirão no futuro. Inclusive, análises do Fórum Econômico Mundial apontam que até 2022 mais de 130 milhões de novos postos de trabalho (isso mesmo!) devem surgir por conta da nova divisão entre humanos, máquinas e algoritmos. Esse gap de habilidades, aliás, é uma questão que já pode ser percebida na atualidade: – Em um estudo global feito com mais de cinco mil empresários em 35 países, a falta de qualificação foi apontada como a principal preocupação em 48% das empresas. – No Brasil, mais da metade (52%) dos empresários entrevistados disseram estar apreensivos quanto ao gap de habilidades. – O levantamento informou ainda que a construção civil está entre as indústrias mais afetadas pela falta de profissionais capacitados.Isso acontece quando os profissionais não conseguem acompanhar as mudanças no mercado de trabalho e as habilidades demandadas pela inclusão de novas tecnologias e processos em suas profissões.
A pesquisa Skill Revolution 4.0, que entrevistou mais de 19 mil empregadores em 44 países, revelou que, até 2022, mais da metade dos colaboradores atuais precisarão de recapacitação para se manterem relevantes no mercado de trabalho. No estudo, fica claro que as organizações estão percebendo essa necessidade de requalificação. Sabendo que disso depende a sobrevivência da própria empresa no longo prazo, os empregadores estão agindo ativamente para preparar sua força de trabalho para as transformações que estão por vir. – 84% das organizações afirmaram no levantamento que deverão recapacitar seus colaboradores este ano.Ou seja, apesar do receio da “dominação das máquinas” e da possível eliminação da necessidade de humanos na força de trabalho, tudo indica que o maior risco para os profissionais não é ser substituído por um robô, mas sim por outro profissional mais preparado para acompanhar as mudanças.
E a sua empresa, já está agindo para adaptar seu time para o futuro da construção civil?
3 passos fundamentais para preparar sua equipe para o futuro da construção civil
É certo que buscar profissionais alinhados às novas demandas atuais e futuras do setor é importante para garantir que sua empresa consiga acompanhar as transformações tecnológicas, mantendo-se competitiva e relevante no mercado. Contudo, como as mudanças acontecem de maneira cada vez mais rápida, o gap de habilidades continuará sendo um desafio para as empresas no futuro da construção civil, e a competitividade por profissionais qualificados deve ser cada vez mais alta.
Então, não dá para apenas ficar esperando o profissional ideal aparecer!
Nesse cenário, também é crucial capacitar o seu time e criar processos para que os colaboradores se mantenham atualizados e alinhados às mudanças em suas profissões e atividades
Aliás, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, recapacitar os funcionários (ao invés de contratar novos) oferece algumas vantagens estratégicas para as empresas. São elas:
– Mesmo que haja necessidade de investimento para recapacitar os profissionais, quando a empresa foca na qualificação dos colaboradores, há economia com despesas – como de desligamento e recrutamento, por exemplo.
– Ao contratar novos profissionais, durante o período de adaptação inicial há uma perda de produtividade. Porém, isso não acontece com colaboradores que recebem capacitação para se adequar a novas demandas.
Além disso, podemos adicionar ainda o fato de que os funcionários requalificados se sentirão muito mais valorizados e motivados. Isso, por sua vez, se refletirá em aumento de produtividade e eficiência, e em uma menor taxa de rotatividade.
Convencido a recapacitar os profissionais da sua empresa e preparar a sua equipe – e o seu negócio como um todo – para o futuro da construção civil? Então, está na hora de saber como fazer isso.
Vamos lá!
Como preparar sua equipe para o futuro da construção civil: Passo #1: ENTENDA AS HABILIDADES TÉCNICAS EM DEMANDA
Antes de tudo, é importante identificar as competências que irão garantir a qualificação dos seus profissionais no longo prazo.
Para isso, é importante saber quais são as habilidades técnicas necessárias para que os colaboradores possam utilizar as ferramentas tecnológicas de maneira eficiente e estratégica em suas atividades de trabalho.
Quanto a isso, é recomendável ficar atento às principais tecnologias que vêm impactando o setor de construção civil e às ferramentas que vêm impulsionando mudanças importantes nas atividades que a sua empresa realiza.
Caso, por exemplo, da análise de dados. Essa é uma área tecnológica que evoluiu muito nos últimos anos e que tem fomentado inovações que trazem mais eficiência e precisão aos processos e às atividades do setor de engenharia e construção.
A coleta, organização e análise dos dados gerados nas diferentes fases do desenvolvimento da obra formam a base de ferramentas e sistemas voltados ao setor de construção, que usam tecnologias como inteligência artificial, machine learning e internet das coisas. Tais tecnologias, por sua vez, impactam diretamente o trabalho dos profissionais deste setor – desde o escritório até o canteiro de obras. Aliás, análises do Digital Manufacturing and Design Innovation Institute (DMDII) indicam que, só no setor industrial, devem surgir cerca de 165 novos postos de trabalho centrados na análise de dados nos próximos anos. E essa é só uma das tecnologias que vêm impactando a construção civil. Além dela, podemos citar, por exemplo: – BIM; – Biotecnologia; – Blockchain; – Construção modular; – Gêmeos digitais; – Tecnologia móvel; – Drones.Veja também! Budget analytics: a evolução do big data chegou ao mercado de construção
Para aprender mais sobre as principais tecnologias que devem gerar novas demandas de habilidades técnicas para os profissionais nos próximos anos, leia estes artigos:
– 7 movimentos que estão moldando o futuro do mercado de engenharia e construção – Tendências na construção civil para ficar de olho em 2020 – e além! – Tecnologia na construção civil: panorama, tendências e como se preparar para o que virá – 10 soluções, tecnologias e ferramentas que mostram a evolução do mercado de engenharia e construção civil na prática – Como a tecnologia está transformando o trabalho e as habilidades do gestor de obras
Como preparar sua equipe para o futuro da construção civil: Passo #2: INVISTA NAS HABILIDADES COMPORTAMENTAIS
Segundo um estudo do LinkedIn sobre as principais tendências do mercado de trabalho, uma das questões que mais têm transformado o ambiente profissional são as chamadas “soft skills”. Soft skills são habilidades relacionadas ao comportamento dos profissionais – em contraste com os hard skills, que se referem às competências técnicas. Neste sentido, a pesquisa aponta que as capacidades comportamentais mais importantes para os profissionais da atualidade são: – Criatividade; – Persuasão; – Colaboração; – Adaptabilidade; – Gestão de tempo. As soft skills são importantes para que os seus colaboradores possam acompanhar o futuro da construção civil justamente porque são habilidades com as quais as máquinas não conseguem competir. É possível imaginar, por exemplo, sistemas de inteligência artificial analisando uma imensidão de dados para compilar informações estratégicas de forma muito mais rápida e eficiente do que um profissional “de carne e osso”. No entanto, ter empatia para entender as necessidades do cliente e criatividade para lidar com problemas de forma inovadora são funções que (pelo menos por enquanto) só um cérebro humano pode desempenhar. A tabela abaixo indica as principais demandas de habilidades para os próximos anos. Nela, é possível perceber que as soft skills estarão em alta entre as competências mais necessárias para acompanhar a evolução do mercado de trabalho.
Aprenda mais sobre a importância das soft skills lendo estes artigos:
– O perfil do profissional de construção civil do futuro – Como a tecnologia está transformando o trabalho e as habilidades do gestor de obras – Os alicerces de uma empresa inovadora na construção civil
Como preparar sua equipe para o futuro da construção civil: Passo #3: PROMOVA A CULTURA DE APRENDIZADO CONSTANTE
Para que sua empresa e seus colaboradores possam acompanhar o futuro da construção civil é fundamental desenvolver uma cultura de aprendizado constante. Afinal, em um cenário de transformações contínuas e cada vez mais velozes, a capacidade de aprender e se adaptar com rapidez é a competência mais importante que a sua equipe pode ter. O que isso quer dizer?Segundo um estudo feito pela Deloitte, organizações que possuem uma cultura de aprendizado constante: – São 92% mais propensas a inovar; – Têm 46% mais chances de serem protagonistas em seus mercados; – Estão 58% mais preparadas para acompanhar as demandas do futuro. Para desenvolver esse tipo de cultura em sua empresa você deve, por exemplo:Ter uma cultura de aprendizado significa promover e apoiar o compartilhamento de informações e ideias alinhadas aos objetivos e à missão da organização. Na prática, empresas com esse tipo de cultura promovem uma mentalidade aberta entre a equipe e incentivam a busca independente e constante por conhecimento. Além disso, ao mesmo tempo, elas oferecem incentivos e ferramentas para o desenvolvimento dos profissionais.