86% das incorporadoras e construtoras afirmam que está mais difícil conseguir financiamento [ConstruFoco #28]

Por Raphael Chelin Publicado em 26/08/2025 Leitura: 3 min
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86% das incorporadoras e construtoras afirmam que está mais difícil conseguir financiamento [ConstruFoco #28]
Recentemente, o Valor Econômico publicou uma reportagem escrita pela jornalista Ana Luiza Tieghi que revela que construtoras e incorporadoras estão encontrando cada vez mais dificuldade para obter crédito para seus projetos.

Segundo uma pesquisa realizada pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Abrainc referenciada na matéria, 86% dos executivos afirmam que captar financiamento para obras ficou mais difícil ou muito mais difícil em 2025. E mais: o estudo indica que esse cenário atinge empresas de todos os portes – das pequenas loteadoras às grandes incorporadoras.

Como discutimos nas últimas edições da ConstruFoco, temos dois movimentos simultâneos pressionando a construção. De um lado, a Selic a 15%, que encarece qualquer operação de crédito empresarial. Do outro, bancos priorizando o cliente final, direcionando os recursos mais baratos da poupança para quem vai comprar imóvel, não para quem vai construir. Como resposta, as empresas têm buscado diversificar as fontes de recursos. O levantamento aponta que 54% afirmam que vão aumentar a captação com investidores, enquanto 53% pretendem diminuir a tomada de recursos com bancos. Essa estratégia varia conforme o porte, sendo que empresas pequenas (até R$ 25 milhões) focam em investidores pessoa física e family offices, com 74% aumentando essa captação, enquanto empresas grandes (acima de R$ 500 milhões) buscam mais o FGTS, com 47% direcionando esforços para o Minha Casa, Minha Vida. O mercado de capitais também surge como alternativa relevante – 54% consideram essa fonte uma opção válida, embora 57% nunca tenham utilizado esse tipo de financiamento.

Impacto nos lançamentos e implicações para 2026

A pesquisa sugere que 2025 ainda deve manter estabilidade nos lançamentos, já que muitos projetos foram concebidos anteriormente. O risco maior está em 2026. “Se nada mudar, se não conseguirmos novo funding, aí pode ter queda de lançamentos”, alertou Fábio Araújo, CEO da Brain, durante a live de lançamento da pesquisa. Isso nos remete ao que discutimos na ConstruFoco #24: os resultados excepcionais de 2024 refletem projetos concebidos quando a Selic estava mais baixa. Agora, novos projetos precisam ser viabilizados em um ambiente muito mais desafiador. Minha leitura é que estamos entrando em um período de maior seletividade. Empresas bem estruturadas, com bom histórico e capacidade de demonstrar governança terão acesso preferencial aos recursos disponíveis. Já aquelas sem essa organização podem enfrentar dificuldades crescentes.

Na prática, o setor está se adaptando, buscando novas fontes de funding e ajustando estratégias. Quem conseguir navegar bem por essa transição pode sair fortalecido quando o cenário melhorar.

Como a Celere pode apoiar neste cenário

Justamente quando o funding fica mais caro e escasso, demonstrar governança e previsibilidade se torna ainda mais importante para acessar capital. Nossa base de dados com mais de 650 empreendimentos orçados permite que construtoras e incorporadoras apresentem análises de viabilidade mais robustas para investidores e financiadores.  Com o Budget Paramétrico, é possível avaliar rapidamente a viabilidade de novos projetos, essencial quando as oportunidades de funding são limitadas.

Raphael ChelinQuer entender com mais detalhes como podemos ajudar a se posicionar melhor neste ambiente desafiador? Entre em contato, e vamos conversar.

Boa semana! Raphael Chelin CEO