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Raio-x do UHPC
O concreto de ultra-alto desempenho (UHPC) é um material que permite produzir peças mais leves, com alto desempenho e durabilidade, e amplia o leque de soluções estruturais e arquitetônicas. Entre as aplicações possíveis estão:- Vigas e lajes de ponte (inclusive em geometrias otimizadas como “I” e “?”);
- Painéis tipo waffle;
- Estacas, torres e revestimentos estruturais;
- Conchas, cascas e elementos especiais em arquitetura.
É importante pontuar, porém, que o UHPC depende de cimentos nacionais com características próprias, agregados diferentes e fibras especiais – e aqui está um gargalo importante: existem apenas dois ou três produtores globais dessas fibras.
Além disso, o processo exige atenção especial à produção, controle de fibras, lançamento, adensamento e cura, embora não demande mudanças significativas nos métodos construtivos tradicionais.O que muda com as novas normas técnicas
Até pouco tempo, profissionais e empresas brasileiras precisavam recorrer a documentos estrangeiros ou adaptar normas nacionais pensadas para concretos convencionais. Com a NBR 17246, o Brasil passa a contar com um instrumento técnico próprio, ajustado à realidade dos materiais, condições de produção e práticas locais.Dividida em quatro partes, a nova norma cobre os principais aspectos de classificação, dosagem, controle de qualidade e métodos de ensaio. Na prática, isso significa que o UHPC deixa de ser uma tecnologia restrita a aplicações pontuais e passa a ter um marco normativo que abre caminho para maior escala, segurança jurídica e inovação, especialmente no setor de pré-fabricados.
O que esperar daqui para frente
Para mim, este é um daqueles marcos que pode parecer técnico demais para gerar impacto imediato, mas que tem potencial de transformação significativa no médio prazo. O UHPC não vai substituir o concreto convencional em todas as aplicações, mas oferece uma alternativa poderosa para projetos que exigem alta resistência e durabilidade.O timing é interessante: em um momento em que discutimos sustentabilidade e otimização de recursos, um material que permite “fazer mais com menos” ganha relevância. Elementos mais leves significam menos material, menos transporte, equipamentos menores para montagem, e até economia nas fundações.
Claro, ainda há desafios de cadeia de suprimentos e capacitação técnica. Mas ter uma norma nacional é o primeiro passo fundamental para que o UHPC saia da experimentação e ganhe escala comercial.
Para quem atua com pré-fabricados ou projetos que demandam alta performance estrutural, vale acompanhar de perto essa evolução. Pode ser uma vantagem competitiva importante nos próximos anos.
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO