UHPC – um novo capítulo para o concreto no Brasil [ConstruFoco #29]

Por Equipe Celere Publicado em 02/09/2025 Leitura: 3 min
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UHPC – um novo capítulo para o concreto no Brasil [ConstruFoco #29]
Hoje eu queria conversar com você sobre uma novidade que promete ajudar a consolidar o uso do UHPC (concreto de ultra-alto desempenho) no Brasil: foi publicado recentemente um conjunto de normas técnicas nacionais para o material, reunidas na ABNT NBR 17246. O Portal Itambé fez uma boa matéria sobre isso e achei que valia a pena compartilhar algumas reflexões sobre o tema por aqui. Mas antes, acho que vale falarmos um pouco sobre o que é o UHPC e quais são os desafios relacionados a esse material…

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Raio-x do UHPC

O concreto de ultra-alto desempenho (UHPC) é um material que permite produzir peças mais leves, com alto desempenho e durabilidade, e amplia o leque de soluções estruturais e arquitetônicas. Entre as aplicações possíveis estão:
  • Vigas e lajes de ponte (inclusive em geometrias otimizadas como “I” e “?”);
  • Painéis tipo waffle;
  • Estacas, torres e revestimentos estruturais;
  • Conchas, cascas e elementos especiais em arquitetura.
Além de permitir maior resistência, o UHPC contribui para reduzir o uso de matéria-prima, simplificar a montagem e aumentar a vida útil das estruturas, com ganhos ambientais e logísticos.

É importante pontuar, porém, que o UHPC depende de cimentos nacionais com características próprias, agregados diferentes e fibras especiais – e aqui está um gargalo importante: existem apenas dois ou três produtores globais dessas fibras.

Além disso, o processo exige atenção especial à produção, controle de fibras, lançamento, adensamento e cura, embora não demande mudanças significativas nos métodos construtivos tradicionais.

O que muda com as novas normas técnicas

Até pouco tempo, profissionais e empresas brasileiras precisavam recorrer a documentos estrangeiros ou adaptar normas nacionais pensadas para concretos convencionais. Com a NBR 17246, o Brasil passa a contar com um instrumento técnico próprio, ajustado à realidade dos materiais, condições de produção e práticas locais.

Dividida em quatro partes, a nova norma cobre os principais aspectos de classificação, dosagem, controle de qualidade e métodos de ensaio. Na prática, isso significa que o UHPC deixa de ser uma tecnologia restrita a aplicações pontuais e passa a ter um marco normativo que abre caminho para maior escala, segurança jurídica e inovação, especialmente no setor de pré-fabricados.

O que esperar daqui para frente

Para mim, este é um daqueles marcos que pode parecer técnico demais para gerar impacto imediato, mas que tem potencial de transformação significativa no médio prazo. O UHPC não vai substituir o concreto convencional em todas as aplicações, mas oferece uma alternativa poderosa para projetos que exigem alta resistência e durabilidade.

O timing é interessante: em um momento em que discutimos sustentabilidade e otimização de recursos, um material que permite “fazer mais com menos” ganha relevância. Elementos mais leves significam menos material, menos transporte, equipamentos menores para montagem, e até economia nas fundações.

Claro, ainda há desafios de cadeia de suprimentos e capacitação técnica. Mas ter uma norma nacional é o primeiro passo fundamental para que o UHPC saia da experimentação e ganhe escala comercial. Raphael ChelinPara quem atua com pré-fabricados ou projetos que demandam alta performance estrutural, vale acompanhar de perto essa evolução. Pode ser uma vantagem competitiva importante nos próximos anos. Boa semana! Raphael Chelin CEO