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Ponte Rio-Niterói: história, desafios e curiosidades da construção

Ponte Rio-Niterói (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Conheça detalhes da construção da ponte Rio-Niterói, uma das maiores pontes do mundo e um marco da engenharia brasileira 

Sobre as águas da Baía de Guanabara, ligando o bairro do Caju, na cidade do Rio de Janeiro, à Avenida do Contorno, em Niterói, estende-se uma das obras mais simbólicas do Brasil: a ponte Rio-Niterói.

Com aproximadamente 13 quilômetros de extensão, essa é a maior ponte sobre águas da América Latina. Além disso, ocupa o 11º lugar no ranking internacional nesse quesito. E ainda, a ponte Rio-Niterói é considerada a maior do mundo em viga reta contínua (o vão principal da ponte, em viga metálica soldada, possui 300 metros de comprimento)!

Mas não é somente o tamanho dessa obra que impressiona. Sua relevância histórica no desenvolvimento da infraestrutura brasileira também merece ser exaltada.

A seguir, saiba mais sobre essa importante estrutura e conheça algumas curiosidades e informações interessantes sobre a construção da ponte Rio-Niterói.

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Breve história da ponte Rio-Niterói e curiosidades sobre o projeto

Até meados da década de 1970, existiam duas formas para ir do Rio de Janeiro a Niterói: através de um trajeto terrestre de mais de 100 km (era preciso dar a volta na Baía de Guanabara) ou por meio de um serviço de balsa bastante lento e limitado – a barca transportava até 54 veículos por vez; entre esperar na fila, embarcar, atravessar e desembarcar o veículo, passavam-se até duas horas!

Talvez por isso mesmo, vontade de fazer uma estrutura para ligar as duas cidades já existia 100 anos antes da concretização da ponte Rio-Niterói…

Em 1875, Dom Pedro II chegou a contratar o engenheiro inglês Hamilton Lindsay-Bucknall para realizar estudos sobre a viabilidade de uma obra de grande porte – a primeira ideia era construir um túnel. Porém, o projeto não foi para frente.

Uma perspectiva de melhora surgiu no dia 4 de dezembro de 1968, quando o projeto de construção da ponte Rio-Niterói foi assinado.

No entanto, a população demorou a se beneficiar dessa obra. Afinal, a ponte – cujo nome oficial é Presidente Artur da Costa e Silva (o Brasil vivia o auge da ditadura militar, e Costa e Silva era o presidente nos primeiros anos da construção) – só foi inaugurada no dia 4 de março de 1974.

Ou seja, a estrutura levou mais de cinco anos para ser concluída! Aliás, 80% das obras foram executadas nos dois anos finais, depois da troca do primeiro consórcio responsável pela construção, que havia atrasado significativamente o projeto…

No primeiro ano após sua inauguração, a ponte Rio-Niterói recebeu uma média de 20 mil veículos por dia. Atualmente, mais de 150 mil veículos trafegam diariamente por ela.

Para aumentar a capacidade, as seis faixas de rolamento originais foram remodeladas, de forma que entrasse mais uma fila de veículos para cada lado.

Até o início dos anos 2000, era comum que a ponte fosse interditada em dias de ventos fortes, que provocavam oscilações de mais de um metro para cima e para baixo. Porém, com a instalação do sistema de Atenuadores Dinâmicos Sincronizados (ADS), isso deixou de ser problema. 

O ADS é um conjunto de molas e contrapesos em aço que totalizam 120 tf, distribuídos simetricamente no meio dos caixões do vão central. Com isso, as oscilações da estrutura reduziram em 80%. 

Desafios da construção da ponte Rio-Niterói

Foto: Antonio Nery/Agência O Globo

A construção da ponte Rio-Niterói apresentou diversos desafios de engenharia, com destaque para:

Para superar esses desafios, a construção desse marco brasileiro aconteceu em diferentes etapas:

Inicialmente, tubos foram cravados no fundo do mar. Depois de concretados, estes tubos passaram a ser a sustentação da ponte.

O processo de fundação da ponte começou nas ilhas flutuantes, ao fincar-se uma camisa metálica no fundo do mar. Um tubo de ar comprimido retirava a água do interior da camisa.

Foto: Agência O Globo

Então, um tubo metálico era introduzido dentro da camisa, junto com uma armação de ferro.

Posteriormente, o tubo era preenchido de concreto. Com a secagem, a camisa metálica era retirada e a tubulação ficava presa no fundo do mar.

Com a concretagem dos tubos – no mínimo dez para cada pilar –, uma laje e as saias de concreto que uniam as tubulações eram montadas.

Dentro da estrutura, ferragens eram montadas e a caixa era preenchida de concreto, formando a base do pilar.

Foto: Luiz Pinto/Agência O Globo

Os pilares eram feitos de concreto com um conjunto de formas deslizantes. A cada hora, 28cm eram concretados.

O topo dos pilares era preparado com borracha e aço que servia de apoio para as aduelas.

A aduela de apoio pré-moldada era assentada na base superior do pilar, com o uso de uma treliça.

Foto: Ronald Fonseca/Agência O Globo

As outras aduelas eram coladas, uma a uma. A cada 400m uma aduela de rótula era colada para formar uma junta de dilatação para suportar as deformações da ponte.

A montagem das aduelas avançava na direção do Rio para Niterói e de Niterói para o Rio, encontrando-se nos três vãos centrais. Nesse trecho, entre os quatro pilares mais altos, estruturas metálicas que vieram da Inglaterra foram utilizadas.

Foto: José Vidal/Agência O Globo

Um trabalho imenso para uma obra imensa!

 

E aí, gostou de conhecer os detalhes por trás da história da construção da ponte Rio-Niterói? E qual outra obra você gostaria de ver detalhada aqui? Deixe um comentário! Nossa equipe levará sua sugestão em conta na hora de planejar as próximas pautas.

Informações: O Globo; Engenharia 360; Super Interessante; Diário do Rio
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