Incorporadoras de baixa renda lideram recuperação das margens e vendas imobiliárias crescem no primeiro semestre, mas ambiente macroeconômico força revisão das expectativas do setor para baixo
A construção civil brasileira segue apresentando sinais positivos, com aumento nas vendas de imóveis e recuperação do faturamento da indústria de materiais impulsionado pelo programa Minha Casa, Minha Vida e pelos lançamentos imobiliários. Ao mesmo tempo, fatores como juros elevados e inflação ainda pressionam o mercado, levando o Sinduscon-SP a revisar para baixo a projeção de crescimento em 2025. Além disso, enquanto as incorporadoras de baixa renda registram melhora nas margens, as de médio e alto padrão enfrentam limitações de crédito e aumento de custos. Por fim, os preços da construção, medidos pelo SINAPI, apresentaram desaceleração em julho, com destaque para a alta nos estados do Nordeste – especialmente Alagoas e Ceará. Esse é um panorama do que trazemos neste Giro de Notícias. Siga a leitura para entender os detalhes dos principais indicadores e perspectivas do mercado e ter uma visão completa sobre o cenário da construção civil nos próximos meses.#1 Sinduscon-SP revisa para baixo projeção da construção em 2025
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) reduziu de 3% para 2,2% a projeção de crescimento do setor da construção em 2025.
O dado, divulgado na última quinta-feira (21) com base em levantamento da FGV Ibre, considera o desempenho das construtoras formais – que devem avançar 2,5% – e das atividades informais, como autoconstrução e pequenos empreiteiros, cuja expansão estimada é de 1,5%. Durante a Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia da entidade, disse que a revisão reflete principalmente fatores internos. “Estamos com uma taxa de juros muito alta há muito tempo, e só agora a inflação está começando a ceder, mas ainda está elevada, com os juros penalizando muito as famílias e as empresas”, afirmou. Além disso, a entidade avaliou os possíveis efeitos do chamado tarifaço norte-americano sobre o PIB brasileiro. Sem medidas de compensação, o impacto poderia chegar a 1,8 ponto percentual em dois anos. No entanto, com ações como diversificação de mercados e revisões contratuais, o efeito deve ser menor: cerca de 0,3 p.p. em 2025 e 0,5 p.p. em 2026.Leia também: O que o tarifaço de Trump tem a ver com seu orçamento?
#2 Mercado imobiliário mantém crescimento no primeiro semestre de 2025
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Imagem criada por jcomp - www.freepik.com[/caption]
O mercado imobiliário brasileiro registrou crescimento nas vendas de imóveis no primeiro semestre deste ano, segundo dados da pesquisa trimestral da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), elaborada pela Brain Inteligência e Estratégica.
No segundo trimestre, foram comercializadas 102.896 unidades em 221 cidades, um aumento de 2,6% na comparação com o mesmo período de 2024, apesar da leve queda de 1,1% em relação ao primeiro trimestre. No acumulado do semestre, o total de vendas atingiu 206.903 unidades, alta de 9,6% em relação aos primeiros seis meses de 2024. O desempenho variou entre as regiões:- Alta: Sudeste (+6,1%) e Centro-Oeste (+0,5%).
- Queda: Nordeste (-13,3%), Sul (-7%) e Norte (-0,5%).
Os lançamentos acompanharam a tendência de crescimento.
Foram colocadas no mercado 93.319 unidades no primeiro trimestre, praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior, mas 6,8% acima do mesmo período de 2024. Nos primeiros seis meses de 2025, foram lançadas 186.547 unidades, com destaque para aumentos no Norte (+23,2%) e Sudeste (+14,1%), e quedas no Nordeste (-31,6%), Sul (-8,8%) e Centro-Oeste (-4,5%). O Valor Geral de Vendas (VGV) totalizou R$ 63 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,7% em relação ao primeiro, enquanto o Valor Geral de Lançamentos (VGL) chegou a R$ 68 bilhões, aumento de 24,5% na mesma comparação. Ao final de junho, havia 290.086 unidades em oferta, queda de 3,4% em relação ao trimestre anterior. O preço médio das unidades comercializadas ficou em R$ 191,7 mil, aumento de 4,2% em relação ao trimestre anterior.Segundo lideranças do setor, como Renato Correia, presidente da CBIC, e Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, a estabilidade do mercado decorre do custo do crédito e da recomposição de fundos como a carteira do FGTS.
#3 Incorporadoras de baixa renda lideram melhora de margem no 2º trimestre
No segundo trimestre de 2025, as incorporadoras brasileiras concentraram esforços em melhorar suas margens, mais do que em ampliar volumes de produção, embora algumas tenham conseguido fazer ambas as coisas.
Um levantamento feito pelo Valor Data com 28 empresas de capital aberto, analisado pelo Bradesco BBI, mostrou que a margem bruta média subiu 3,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024, alcançando 31,7%, enquanto a margem líquida avançou 1,7 ponto, para 11,9%. Entre os destaques do estudo estão:- Os resultados positivos do segmento de baixa renda – que foram impulsionados pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
- A concentração de lançamentos e o acesso restrito ao crédito empresarial – o que favorece incorporadoras listadas, que conseguem manter margens e expandir participação, enquanto as demais se ajustam à nova dinâmica do mercado.
- A dívida financeira líquida das empresas – que subiu 20,8% em um ano – e a relação dívida/patrimônio líquido, que atingiu 28,6%.
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#4 Indústria de materiais de construção sinaliza recuperação em julho
A indústria de materiais de construção registrou um avanço de 1,9% no faturamento em julho na comparação com junho, já descontados os efeitos sazonais. O dado é do Índice Abramat, levantamento mensal produzido pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) em parceria com a consultoria Ecconit.
Na comparação com julho de 2024, o setor apresentou retração de 2,7%. Mesmo assim, a entidade manteve a projeção de crescimento de 2,8% para o faturamento em 2025, apoiada no desempenho positivo de curto prazo e na tendência de retomada do mercado. Entre os segmentos, os materiais básicos tiveram queda de 2,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto os de acabamento recuaram 2,8%. Frente a junho, porém, ambos avançaram: alta de 1,7% para os básicos e de 2% para os produtos de acabamento. “O resultado de julho reflete sinais positivos de recuperação no curto prazo”, avaliou Paulo Engler, presidente da Abramat. “Embora enfrentemos volatilidade nas comparações anuais, nossa projeção de 2,8% para o ano permanece sólida e realista”, acrescentou.#5 Índice Nacional da Construção Civil registra variação de 0,31% em julho
O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) registrou variação de 0,31% em julho, apresentando desaceleração em relação a junho, quando havia avançado 0,88%. Esse é o segundo menor resultado do ano, superando apenas fevereiro. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 5,25%, ligeiramente abaixo dos 5,34% registrados nos 12 meses anteriores.
O custo por metro quadrado passou de R$ 1.842,65 em junho para R$ 1.848,39 em julho, sendo R$ 1.058,77 referentes a materiais e R$ 789,62 à mão de obra. A parcela de materiais apresentou variação de 0,23%, enquanto a mão de obra avançou 0,42%, influenciada pelos acordos coletivos firmados no período. Comparado a julho de 2024, houve desaceleração tanto nos materiais quanto na mão de obra, de 0,30% para 0,23% e de 0,53% para 0,42%, respectivamente. No acumulado de janeiro a julho, os materiais tiveram alta de 2,30% e a mão de obra de 4,50%. Em 12 meses, os números foram 4,91% e 5,76%, respectivamente. A desaceleração reflete tanto ajustes nos custos de materiais quanto menor pressão nos salários, apesar de algumas regiões apresentarem elevações pontuais. O Nordeste registrou a maior variação regional, com 0,69% em julho, impulsionada por altas na parcela da mão de obra em estados como Ceará e Alagoas. Alagoas liderou entre os estados, com aumento de 3,02%, seguido pelo Ceará, com 2,31%, devido à combinação de reajustes salariais e aumentos nos preços de materiais.Leia também: Tabelas de preços na construção: qual escolher e como criar a sua própria base de custos