Há algumas semanas, o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Principal levantamento do instituto sobre a estrutura empresarial do setor, a pesquisa reúne dados sobre o número de empresas, pessoas ocupadas, salários, custos, despesas e o valor das incorporações, obras e serviços realizados no país.
Nos últimos dias, li algumas matérias sobre o assunto e consultei os materiais publicados pelo IBGE para decidir o que trazer para a nossa conversa semanal, e cheguei a uma conclusão: os números confirmam o tamanho e a força econômica da construção brasileira, mas mostram que o próximo salto do setor não depende apenas de movimentar mais dinheiro. Depende de transformar essa escala em produtividade.
O retrato da construção brasileira
Vamos aos números.
Em 2024, o Brasil tinha 191 mil empresas de construção ativas. Juntas, elas movimentaram R$ 522,5 bilhões em incorporações, obras e serviços, empregaram 2,5 milhões de pessoas e pagaram R$ 95,6 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. Também geraram R$ 234,8 bilhões de valor adicionado, isto é, de riqueza criada depois de descontados os insumos consumidos.
Os segmentos de infraestrutura e construção de edifícios ficaram praticamente empatados: o primeiro respondeu por R$ 200,9 bilhões, ou 38,4% do total; o segundo chegou a R$ 198,9 bilhões, com 38,1%. Os serviços especializados para construção completaram o quadro, com R$ 122,8 bilhões e participação de 23,5%.
Há uma ressalva importante: uma mudança nos critérios usados pelo IBGE para identificar as empresas ativas limitou a comparação com os anos anteriores. Por isso, 2024 deve ser entendido como uma nova linha de base da PAIC.
Mais do que mostrar uma evolução, portanto, a pesquisa oferece uma fotografia atualizada da estrutura empresarial da construção brasileira. E é nessa fotografia que aparece o ponto que mais chamou minha atenção.
O que valor e emprego revelam sobre a produtividade
Apesar de infraestrutura e construção de edifícios terem movimentado valores muito próximos, a participação de cada segmento no emprego foi diferente.

Como o gráfico mostra, as obras de infraestrutura responderam pela maior parcela do valor realizado, embora reunissem a menor fatia das pessoas ocupadas. Nos serviços especializados, ocorreu o contrário: a participação no emprego foi maior do que a participação no valor das obras e serviços.
Essa diferença se reflete na produtividade.
Segundo uma análise do SindusCon-SP e da FGV Ibre feita a partir da PAIC, as empresas com cinco ou mais pessoas ocupadas geraram, em média, aproximadamente R$ 96 mil de valor adicionado por trabalhador. Na infraestrutura, o resultado chegou a R$ 104,6 mil por pessoa. Na construção de edifícios, ficou em R$ 91,4 mil. Nos serviços especializados, em R$ 82,8 mil.
Ou seja, os segmentos não transformam mão de obra em valor na mesma proporção.
Mas há uma questão maior por trás desses números: a produtividade média da construção ainda está muito abaixo da registrada pela indústria de transformação. Entre as razões apontadas estão a baixa padronização dos processos, a fragmentação empresarial e a menor intensidade tecnológica.
Em outras palavras, o setor já movimenta muito dinheiro, mas ainda tem espaço para gerar mais valor com os recursos que utiliza.
O que isso significa para as empresas
Quando uma empresa aumenta o volume de obras sem melhorar seus processos, parte desse crescimento se transforma em mais complexidade. São mais equipes, fornecedores, compras, contratos e medições para acompanhar. E também mais pontos em que custo, prazo e escopo podem se afastar do planejamento.
Na construção, esse desafio pesa especialmente porque pessoal e materiais representam mais da metade dos custos e despesas do setor.
Pequenos desvios de produtividade, dimensionamento de equipe, desperdício de material ou preço de compra passam a incidir sobre uma base financeira enorme. Isoladamente, podem parecer pouco relevantes. Repetidos ao longo de meses e em diferentes serviços, consomem uma parcela importante da margem.
Por isso, aumentar a produtividade não depende apenas de grandes transformações, como industrialização, automação ou novas tecnologias. Dentro das empresas, passa também por algo mais básico: saber quanto cada etapa deveria custar, acompanhar o que está acontecendo e identificar o desvio antes que ele se acumule.
Ou seja, não dá para melhorar a produtividade sem medir o consumo de recursos. Nem proteger a margem sem acompanhar como o custo projetado se comporta durante a execução.
É exatamente aqui que a Celere entra.
Nosso trabalho combina orçamento detalhado por insumo e acompanhamento contínuo das obras para mostrar onde custo, prazo e produtividade estão se afastando do planejamento.
A gente transforma o orçamento em uma ferramenta viva de gestão, uma base para entender se o aumento da produção está realmente gerando mais valor ou apenas ampliando despesas, retrabalho e complexidade.
Os R$ 522,5 bilhões movimentados pelas empresas do setor em 2024 mostram que a construção brasileira já tem escala econômica. O próximo ciclo será decidido por quem conseguir operar essa escala com mais produtividade, previsibilidade e controle. E, para mim, esse é o principal recado da PAIC para o futuro.
Se você quer entender como a Celere pode ajudar a melhorar essa leitura na sua operação, entre em contato com a gente. Podemos conversar sobre o seu caso.
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO
Imagem de destaque: Troy Mortier na Unsplash