O sinal da indústria de materiais para o 2º semestre [ConstruFoco #73]

A indústria de materiais está apostando em estabilidade e investindo mais em eficiência do que em expansão. Veja o que o Termômetro ABRAMAT sinaliza.

Por Raphael Chelin Publicado em 22/07/2026 Leitura: 4 min
Compartilhar:
O sinal da indústria de materiais para o 2º semestre [ConstruFoco #73]

Apesar de parecer que foi ontem que escrevi a primeira ConstruFoco de 2026, o primeiro semestre do ano já ficou para trás!

Muita coisa aconteceu na construção civil brasileira nestes últimos seis meses. Semanalmente, compartilhei com você algumas das notícias que suscitaram boas conversas nos corredores da Celere e dentro dos escritórios e nos canteiros de obras dos nossos clientes.

Mas agora o que começa a surgir são as análises semestrais, que nos ajudam a entender ainda melhor o que passou e, assim, planejar com mais eficiência o que virá.

O primeiro indicador que chamou minha atenção neste sentido veio da ABRAMAT, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção. Decidi falar sobre isso com você porque a indústria de materiais é o elo da cadeia que abastece a sua obra, e o comportamento dela diz muito sobre o que esperar de preço, prazo e disponibilidade de insumo no segundo semestre.

O que o Termômetro ABRAMAT mostrou

Antes de entrar na leitura que quero fazer da nova edição do Termômetro ABRAMAT, vale um resumo do que a pesquisa trouxe.

O primeiro dado é sobre capacidade instalada (o quanto de produção uma fábrica consegue entregar com a estrutura que tem hoje).

Em junho, a indústria de materiais estava usando 75% do que consegue produzir. Mesmo patamar de maio, um ponto acima de junho de 2025. Ou seja, ainda há 25% de folga, um espaço que a indústria pode acionar se a demanda pedir.

O segundo é sobre vendas.

No mercado interno, 45% das empresas viram aumento de vendas no segundo trimestre, 32% ficaram estáveis e 23% viram queda. Para julho, 64% projetam mercado estável e 32% esperam desempenho positivo.

O terceiro é sobre investimento.

59% das empresas pretendem investir nos próximos 12 meses. Dessas, 32% vão priorizar modernização dos meios de produção (ficar mais eficiente com a mesma estrutura) e 27% vão priorizar ampliação da capacidade (fabricar mais).

Mauro Franco, presidente executivo da ABRAMAT, resumiu a leitura da entidade dizendo que a recuperação gradual do primeiro semestre "pode entrar agora em um momento de estabilidade, ainda exigindo atenção ao ambiente econômico".

Ou seja, se você está calibrando cotação e cronograma para o segundo semestre, a foto tranquiliza no curto prazo. Mas tem uma escolha da indústria dentro desses dados que merece atenção.

A indústria escolheu não crescer muito além do tamanho atual

Aqui está o dado que dá o tom para o segundo semestre: das empresas que planejam investir, mais gente vai priorizar modernizar (32%) do que ampliar (27%).

A diferença é pequena, mas o significado não é. Modernizar é apostar em ficar mais eficiente para disputar o mercado que já existe. Ampliar é apostar em atender um mercado maior. Quando a balança pende para modernizar, a indústria está dizendo, com o dinheiro dela, que não espera crescimento consistente de demanda no médio prazo.

E tem outro dado do termômetro que reforça essa postura. Sobre confiança nas ações do governo para o setor, apenas 5% das empresas se declararam otimistas. 73% estão indiferentes e 23%, pessimistas. Uma cadeia de fornecimento que não vê clareza no ambiente de negócios tende a preservar caixa e investir com cautela, mesmo com vendas indo bem. O termômetro captou exatamente essa combinação.

O que isso muda para as obras do segundo semestre

Se a demanda por materiais ficar morna, como a indústria está apostando, você provavelmente terá cotações estáveis e prazos folgados em suas obras do segundo semestre. É o cenário mais provável para os próximos meses, e é o que a foto atual sugere.

Mas se a demanda acelerar – e há razões para achar que pode, dado o represamento de lançamentos do primeiro trimestre e o MCMV ampliado atraindo mais projetos –, os 25% de folga que existem hoje vão precisar absorver essa aceleração com a capacidade atual, porque a indústria não está se preparando para expandir. Historicamente, folga que encolhe aparece primeiro no prazo de entrega e depois no preço.

Para mim, isso é motivo para não montar planejamento de compra de material assumindo que sempre haverá abundância de oferta e negociação folgada. A indústria acabou de sinalizar, com o próprio investimento, que essa premissa pode não valer se o cenário mudar. E é esse o recado que eu queria deixar hoje.

A parte do trabalho que acontece fora do canteiro

Parte importante do trabalho de gestão de obras acontece fora do canteiro, no acompanhamento do que fornecedor, financiador e comprador estão sinalizando sobre o futuro. O Termômetro ABRAMAT deste mês entregou um sinal específico: a cadeia de fornecimento está apostando em estabilidade e organizando o investimento em cima dessa aposta.

Esse tipo de leitura é parte do que a Celere faz todos os dias nos projetos em que trabalha.

Cada orçamento detalhado que a gente entrega e cada acompanhamento de custo que a gente faz depende de olhar para os indicadores da cadeia e traduzi-los em premissa de compra, prazo e preço para a obra do cliente. É esse cruzamento que transforma dado público em decisão bem tomada lá na frente.

Se você quer entender como a gente pode fazer essa leitura na sua operação, entre em contato com a gente. Podemos conversar sobre o seu caso.

Boa semana!

Raphael Chelin
CEO


Imagem de destaque: Jan Huber na Unsplash