Cobre dispara 40% e pressiona custos da construção [ConstruFoco #54]

Cobre acumula alta de 40% em 12 meses e gera repasse gradual de 5,6% nos condutores elétricos para cada 10% de alta. Veja como se antecipar ao impacto.

Por Raphael Chelin Publicado em 10/03/2026 Leitura: 4 min
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Cobre dispara 40% e pressiona custos da construção [ConstruFoco #54]

Na semana passada, compartilhei com você minha análise do INCC-M e falei que acredito que ela pode mudar suas decisões de orçamento – se você não leu a ConstruFoco #53, sugiro que faça isso antes de seguir essa leitura. Vai fazer mais sentido.

Pois bem, pouco tempo depois de escrever aquela edição, li o artigo "Alta do preço do cobre e seus efeitos sobre os custos da construção no Brasil", publicado no Blog do Ibre, e achei que valia a pena seguirmos conversando sobre INCC – até porque, como disse anteriormente, esse é um indicador importante para quem monitora custos de construção e se preocupa em elaborar orçamentos precisos.

A manchete é a seguinte:

Segundo a FGV Ibre, o cobre acumula alta superior a 40% em 12 meses no mercado internacional, saindo de cerca de US$ 9 mil para US$ 13 mil por tonelada na London Metal Exchange (LME).

Cobre dispara 40% e pressiona custos da construção

Os autores do artigo – os economistas André Braz e Matheus Dias, do FGV IBRE – dizem que essa alta, que já está afetando os custos da construção no Brasil, vai continuar afetando nos próximos meses.

De acordo com eles, para cada aumento de 10% no preço internacional do cobre, o item condutores elétricos do INCC acumula alta de aproximadamente 5,6% ao longo de vários meses. Ou seja, esse é um repasse gradual, que vai corroer sua margem mês a mês – se você não estiver preparado, claro.

Por que o cobre está disparando (e por que não vai parar tão cedo)

Diferente do ouro e da prata, que subiram por questões geopolíticas e inflacionárias, o cobre enfrenta um problema estrutural de oferta combinado com demanda crescente. Os principais fatores são:

  1. Restrições de produção – sobretudo no Chile, maior produtor global.
  2. Demanda crescente – ligada a projetos de infraestrutura.
  3. Transição tecnológica – veículos elétricos, energias renováveis.
  4. Inteligência artificial – datacenters consomem grandes quantidades de cobre.

E como essas são tendências estruturais, o preço do cobre pode seguir pressionado por anos!

O impacto real na sua obra

Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, indica que o cobre representa entre 2% e 3% do custo total da obra – percentual inferior ao do aço, que pode alcançar cerca de 10%. À primeira vista, parece pouco, mas como ele mesmo ressalta, "mesmo não sendo o item mais representativo individualmente, oscilações relevantes tendem a gerar impactos porque o metal está presente em diversas etapas e sistemas da construção". Na prática, encontramos cobre em:

  • Instalações elétricas
  • Motores e elevadores
  • Bombas hidráulicas
  • Tubos e conexões
  • Ligas metálicas em diferentes materiais

Outro agravante é o fato de o cobre ser cotado em dólar. Isso significa que o impacto no seu orçamento depende não só do preço internacional, mas também do câmbio. Segundo o estudo da FGV, cada desvalorização de 10% do real acrescenta cerca de 9,4% ao INCC de condutores elétricos no longo prazo.

O que torna esse movimento particularmente perigoso para quem não acompanha custos de perto é que o repasse é incompleto e pode levar mais de um ano para se materializar integralmente.

Nos primeiros meses após o choque de preço, o impacto estimado é de apenas 0,7% – cerca de 12% do efeito total projetado. Isso acontece por causa de:

  • Contratos de médio e longo prazo entre construtoras e fornecedores.
  • Mecanismos de reajuste espaçados.
  • Absorção temporária de custos por fabricantes.

Na prática, você pode não ver o impacto total agora, mas ele vai chegando aos poucos – e quando você percebe, já corroeu uma fatia significativa da margem.

A diferença entre ver o problema vindo e ser atropelado por ele

Como você já deve ter entendido até aqui, o que os dados da FGV mostram é que o cobre vai continuar pressionando os custos da construção nos próximos meses.

A pergunta, portanto, não é "se" isso vai impactar sua obra, mas se você vai ver isso chegando e tomar decisões, ou vai descobrir o impacto quando fechar as contas no final do mês.

Se você trabalha com orçamento macro e genérico e acompanhamento de custos superficial, provavelmente vai acabar com a segunda opção. Se trabalha com orçamento detalhado e controle de todos os serviços e insumos, consegue se antecipar.

Imagem do artigoAinda está seguindo o primeiro caminho e quer passar a estruturar orçamentos e controle de custos que permitam antecipar movimentos como esse? Entre em contato. A Celere pode te ajudar nesse processo.

Boa semana!

Raphael Chelin
CEO


Imagem de destaque: Saad Salim na Unsplash