Na semana passada, compartilhei com você minha análise do INCC-M e falei que acredito que ela pode mudar suas decisões de orçamento – se você não leu a ConstruFoco #53, sugiro que faça isso antes de seguir essa leitura. Vai fazer mais sentido.
Pois bem, pouco tempo depois de escrever aquela edição, li o artigo "Alta do preço do cobre e seus efeitos sobre os custos da construção no Brasil", publicado no Blog do Ibre, e achei que valia a pena seguirmos conversando sobre INCC – até porque, como disse anteriormente, esse é um indicador importante para quem monitora custos de construção e se preocupa em elaborar orçamentos precisos.
A manchete é a seguinte:
Segundo a FGV Ibre, o cobre acumula alta superior a 40% em 12 meses no mercado internacional, saindo de cerca de US$ 9 mil para US$ 13 mil por tonelada na London Metal Exchange (LME).

Os autores do artigo – os economistas André Braz e Matheus Dias, do FGV IBRE – dizem que essa alta, que já está afetando os custos da construção no Brasil, vai continuar afetando nos próximos meses.
De acordo com eles, para cada aumento de 10% no preço internacional do cobre, o item condutores elétricos do INCC acumula alta de aproximadamente 5,6% ao longo de vários meses. Ou seja, esse é um repasse gradual, que vai corroer sua margem mês a mês – se você não estiver preparado, claro.
Por que o cobre está disparando (e por que não vai parar tão cedo)
Diferente do ouro e da prata, que subiram por questões geopolíticas e inflacionárias, o cobre enfrenta um problema estrutural de oferta combinado com demanda crescente. Os principais fatores são:
- Restrições de produção – sobretudo no Chile, maior produtor global.
- Demanda crescente – ligada a projetos de infraestrutura.
- Transição tecnológica – veículos elétricos, energias renováveis.
- Inteligência artificial – datacenters consomem grandes quantidades de cobre.
E como essas são tendências estruturais, o preço do cobre pode seguir pressionado por anos!
O impacto real na sua obra
Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, indica que o cobre representa entre 2% e 3% do custo total da obra – percentual inferior ao do aço, que pode alcançar cerca de 10%. À primeira vista, parece pouco, mas como ele mesmo ressalta, "mesmo não sendo o item mais representativo individualmente, oscilações relevantes tendem a gerar impactos porque o metal está presente em diversas etapas e sistemas da construção". Na prática, encontramos cobre em:
- Instalações elétricas
- Motores e elevadores
- Bombas hidráulicas
- Tubos e conexões
- Ligas metálicas em diferentes materiais
Outro agravante é o fato de o cobre ser cotado em dólar. Isso significa que o impacto no seu orçamento depende não só do preço internacional, mas também do câmbio. Segundo o estudo da FGV, cada desvalorização de 10% do real acrescenta cerca de 9,4% ao INCC de condutores elétricos no longo prazo.
O que torna esse movimento particularmente perigoso para quem não acompanha custos de perto é que o repasse é incompleto e pode levar mais de um ano para se materializar integralmente.
Nos primeiros meses após o choque de preço, o impacto estimado é de apenas 0,7% – cerca de 12% do efeito total projetado. Isso acontece por causa de:
- Contratos de médio e longo prazo entre construtoras e fornecedores.
- Mecanismos de reajuste espaçados.
- Absorção temporária de custos por fabricantes.
Na prática, você pode não ver o impacto total agora, mas ele vai chegando aos poucos – e quando você percebe, já corroeu uma fatia significativa da margem.
A diferença entre ver o problema vindo e ser atropelado por ele
Como você já deve ter entendido até aqui, o que os dados da FGV mostram é que o cobre vai continuar pressionando os custos da construção nos próximos meses.
A pergunta, portanto, não é "se" isso vai impactar sua obra, mas se você vai ver isso chegando e tomar decisões, ou vai descobrir o impacto quando fechar as contas no final do mês.
Se você trabalha com orçamento macro e genérico e acompanhamento de custos superficial, provavelmente vai acabar com a segunda opção. Se trabalha com orçamento detalhado e controle de todos os serviços e insumos, consegue se antecipar.
Ainda está seguindo o primeiro caminho e quer passar a estruturar orçamentos e controle de custos que permitam antecipar movimentos como esse? Entre em contato. A Celere pode te ajudar nesse processo.
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO
Imagem de destaque: Saad Salim na Unsplash