Pressão nos custos e demanda aquecida: os primeiros sinais da construção em 2026

SINAPI registra maior alta mensal em quase quatro anos em janeiro, MCMV ganha nova faixa e mercado imobiliário tem resultados recordes. Entenda

Por Celere Publicado em 05/03/2026 Leitura: 8 min
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Pressão nos custos e demanda aquecida: os primeiros sinais da construção em 2026

SINAPI registra maior alta mensal em quase quatro anos, MCMV ganha nova faixa e mercado imobiliário tem resultados recordes

Fevereiro foi um mês movimentado na construção civil brasileira: os índices de custos voltaram a acelerar e o financiamento imobiliário passou por ajustes, enquanto as novidades do Minha Casa, Minha Vida e o volume de lançamentos mantiveram o nível de atividade em patamar elevado.

Neste Giro de Notícias, compartilhamos os detalhes de cinco manchetes que chamaram nossa atenção:

  • Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas
  • Preços da construção iniciam ano com alta de 1,54%
  • Custo Unitário Básico da construção sobe 0,28% em janeiro
  • Construção projeta crescimento de 2% em 2026 após ano marcado por desaceleração
  • Minha Casa, Minha Vida amplia alcance e cria faixa para renda de até R$ 12 mil

Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas

O mercado imobiliário brasileiro encerrou o quarto trimestre de 2025 com recordes em lançamentos, vendas e valor geral de lançamentos (VGL), segundo a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, da CBIC.

De acordo com a entidade, foram lançadas 133.811 unidades no período, alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior. No acumulado de 12 meses, o setor registrou 453.005 unidades lançadas e VGL de R$ 292,3 bilhões, ambos os maiores patamares da série histórica.

O volume de vendas também avançou, com crescimento anual de 5,4% e total de 426,2 mil unidades comercializadas, enquanto a oferta final aumentou 8%, encerrando o ano com 347.013 unidades disponíveis.

Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas

O desempenho ocorreu mesmo em um ambiente de juros elevados, reforçando a resiliência da demanda habitacional e o papel do déficit habitacional na sustentação do mercado.

O programa Minha Casa, Minha Vida teve participação decisiva nesse resultado. O MCMV respondeu por mais da metade das unidades verticais lançadas no quarto trimestre e registrou crescimento de dois dígitos nos principais indicadores ao longo do ano, com avanço de 13,5% nos lançamentos e 15,9% nas vendas. No fechamento anual, o programa atingiu 224.842 unidades lançadas e 196.876 vendidas, consolidando-se como pilar do dinamismo imobiliário.

Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes em lançamentos e vendas – Minha Casa, Minha Vida

Regionalmente, o Sudeste concentrou grande parte da expansão, com crescimento expressivo nos lançamentos e participação relevante nas vendas. No último trimestre, foram comercializadas 109.439 unidades, com valor geral de vendas (VGV) de R$ 67,2 bilhões, enquanto o levantamento aponta que as cidades analisadas representam cerca de dois terços do mercado nacional.

No acumulado do ano, o mercado registrou uma média de 1.215 unidades vendidas por dia – 312 delas apenas em São Paulo. Com a meta do governo de alcançar 3 milhões de unidades contratadas no MCMV até o final de 2026 e orçamento recorde do FGTS garantido, a perspectiva é de que esse ritmo se mantenha mesmo diante de um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

Preços da construção iniciam ano com alta de 1,54%

O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) avançou 1,54% em janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE, marcando a maior variação mensal desde junho de 2022.

O resultado ficou 1,03 ponto percentual acima de dezembro e elevou o acumulado em 12 meses para 6,71%, indicando retomada da pressão sobre os custos do setor na virada do ano.

A alta foi puxada principalmente pela mão de obra, que registrou variação de 3,22%, reflexo da reoneração da folha de pagamento das empresas da construção e do reajuste do salário-mínimo nacional.

Já os materiais mantiveram ritmo mais moderado, com alta de 0,27% no mês. Com isso, o custo nacional da construção passou de R$ 1.891,63 para R$ 1.920,74 por metro quadrado, sendo R$ 1.081,31 referentes aos materiais e R$ 839,43 à mão de obra.

Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior variação (1,85%), com altas em todos os estados, enquanto o Piauí liderou o ranking nacional ao registrar avanço de 4,12%, influenciado por reajustes salariais e aumento nos custos de insumos. Em 12 meses, a mão de obra acumula alta de 10,03%, mais que o dobro da variação dos materiais, reforçando o papel do mercado de trabalho como principal vetor recente de pressão sobre o custo das obras.

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Custo Unitário Básico da construção sobe 0,28% em janeiro

O Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil no estado de São Paulo registrou alta de 0,28% em janeiro, segundo o SindusCon-SP. Com o resultado, o índice inicia o ano com variação positiva e acumula elevação de 4,19% em 12 meses, indicando trajetória de custos ainda pressionada, embora em ritmo moderado no início do ano.

O avanço mensal foi puxado principalmente pelos materiais, que subiram 0,46%, enquanto a mão de obra registrou alta de 0,17%. As despesas administrativas permaneceram estáveis no mês, mas acumulam aumento de 6,40% em 12 meses.

Com esse desempenho, o CUB representativo da construção paulista (R8-N) atingiu R$ 2.129,86 por metro quadrado. Nas obras enquadradas na desoneração da folha, o índice apresentou variação mais intensa, de 2,08% no mês, com custo médio de R$ 2.057,89 por metro quadrado.

Entre os insumos, destacaram-se em janeiro as altas do fio de cobre, da bacia sanitária e de disjuntores, enquanto no acumulado anual itens como esquadrias, cabos elétricos e tubos de PVC registraram variações superiores a indicadores gerais de preços. O comportamento reforça a heterogeneidade da cesta de materiais e a necessidade de monitoramento detalhado dos insumos na composição dos orçamentos.

A Celere acompanha a evolução desses custos de perto. Se você quer aumentar a precisão dos seus orçamentos, entre em contato com a gente. Nosso time de especialistas está pronto para ajudar.

Construção projeta crescimento de 2% em 2026 após ano marcado por desaceleração

Construção projeta crescimento de 2% em 2026 após ano marcado por desaceleraçãoFoto de Josue Isai Ramos Figueroa na Unsplash

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para a construção civil brasileira em 2026, ritmo superior ao avanço estimado de 1,3% em 2025 e que, se confirmado, marcará o terceiro ano consecutivo de expansão do PIB do setor. A avaliação da entidade indica um cenário de melhora gradual, ainda condicionado a desafios macroeconômicos, especialmente no ambiente de juros e custos.

Em 2025, o desempenho mais moderado foi atribuído principalmente ao patamar elevado da taxa básica de juros, que impactou decisões de investimento e o ritmo de novos empreendimentos. Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho permaneceu resiliente: o número de trabalhadores com carteira assinada na construção chegou a 2,945 milhões, alta de 3% em relação ao ano anterior, em linha com o aquecimento geral do emprego no país.

Do lado dos custos, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 5,92% em 2025, superando a inflação oficial, com destaque para a mão de obra, que subiu 8,98%.

No crédito imobiliário,os financiamentos com recursos da poupança recuaram 13%, enquanto o FGTS ampliou sua participação, com alta de 8,75%. A expectativa da CBIC é de melhora gradual no financiamento habitacional à medida que novas fontes e ajustes regulatórios ganhem escala.

A infraestrutura seguiu como principal vetor de sustentação do setor. Os investimentos alcançaram R$ 280 bilhões em 2025, com predominância do capital privado e expansão do emprego no segmento, reforçando seu papel contracíclico diante do ritmo mais moderado do mercado imobiliário.

Para 2026, a entidade aponta uma combinação de estímulos – como orçamento recorde do FGTS para habitação, continuidade das obras de infraestrutura e demanda habitacional reprimida – capaz de sustentar a expansão, mesmo diante de entraves como carga tributária elevada e custos pressionados.

Minha Casa, Minha Vida amplia alcance e cria faixa para renda de até R$ 12 mil

O governo federal anunciou medidas para ampliar o acesso ao crédito imobiliário por meio do Minha Casa, Minha Vida, com destaque para a criação da Faixa 4, voltada a famílias com renda mensal de até R$ 12 mil. A proposta, que será encaminhada ao Conselho Curador do FGTS, busca atender um público que hoje encontra dificuldade para acessar financiamento em condições mais favoráveis no mercado tradicional.

A nova faixa prevê imóveis de até R$ 500 mil, prazo de financiamento de até 420 meses e taxa de juros de 10,50% ao ano, abaixo das praticadas no crédito imobiliário convencional. A estimativa é que cerca de 120 mil famílias sejam beneficiadas na fase inicial. O modelo será viabilizado com recursos do FGTS combinados a captação de instituições financeiras, podendo alcançar R$ 30 bilhões em financiamentos.

O pacote também inclui a ampliação da Faixa 3, cujo limite de renda passará para R$ 8,6 mil mensais. A medida busca atualizar o programa à dinâmica recente de renda e preços do mercado imobiliário, mantendo condições mais competitivas em relação ao crédito tradicional e ampliando o número de famílias elegíveis.

A expansão do programa foi viabilizada por ajustes legais que permitiram direcionar recursos do Fundo Social do Pré-Sal para habitação de interesse social, preservando o equilíbrio do FGTS. A iniciativa reforça o papel do crédito direcionado como instrumento de estímulo à construção e de ampliação do acesso à moradia em um contexto de transição nas fontes de financiamento imobiliário.

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Foto de destaque: Eric Wang na Unsplash