Confiança da construção sobe 2,8 pontos. O que pode frear esse movimento? [ConstruFoco #52]

Confiança da construção sobe 2,8 pontos em janeiro, impulsionada por MCMV, infraestrutura e novas regras de crédito. Mas mão de obra segue como desafio crítico.

Por Raphael Chelin Publicado em 25/02/2026 Leitura: 3 min
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Confiança da construção sobe 2,8 pontos. O que pode frear esse movimento? [ConstruFoco #52]

Hoje trago uma boa notícia: o Índice de Confiança da Construção (ICST) atingiu o maior nível desde março do ano passado – 94,0 pontos. O gráfico abaixo mostra que a alta de dezembro de 2025 para janeiro de 2026 foi de 2,8 pontos.

ConstruFoco #52: Confiança da construção sobe 2,8 pontos. O que pode frear esse movimento?

Segundo o FGV IBRE, esse resultado foi impulsionado tanto pela percepção da situação atual quanto pelas expectativas para os próximos meses. Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, destaca três fatores que ajudam a explicar essa recuperação: perspectiva de mais investimentos em infraestrutura, contratações recordes do MCMV e as novas regras para o financiamento habitacional.

Os números do ICST refletem essa percepção mais positiva:

  • Índice de Situação Atual (ISA-CST): subiu 2,4 pontos, para 93,4 pontos
  • Índice de Expectativas (IE-CST): subiu 3,0 pontos, para 94,6 pontos

Dentro das expectativas, o destaque fica para a demanda prevista nos próximos três meses, que registrou alta de 5,1 pontos, alcançando 97,2 pontos – um sinal de que as empresas enxergam mais trabalho entrando no curto prazo.

Tudo isso me parece muito bom, mas o que queria pensar junto com você hoje vai além do retrato do momento. Minha pergunta é: será que esse movimento se sustenta ao longo do ano?

→ O relatório completo está disponível aqui. Recomendo a leitura.

O problema que não dá trégua

Há um alerta importante no relatório do FGV IBRE. Ana Maria Castelo destaca que "os problemas com a mão de obra permanecem e não devem dar trégua no ano, o que vai pôr à prova nos próximos meses essa percepção mais positiva".

Esse, aliás, é um tema que se repete nas últimas ConstruFoco. Na edição #50, contei que o custo da mão de obra fechou 2025 com alta de 8,98%, quase 150% acima dos materiais e equipamentos. E a tendência é que isso se repita em 2026.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da Construção teve queda de 1,1 ponto percentual em janeiro, chegando a 77,4%. Quando olhamos especificamente para mão de obra, o NUCI caiu 1,4 p.p., para 78,4% – o que indica que a pressão sobre esse recurso continua elevada.

Na prática, isso significa que mesmo com confiança em alta e expectativa de mais demanda, a escassez de mão de obra qualificada pode limitar a capacidade do setor de aproveitar o momento.

Os desafios que podem limitar o otimismo

Há alguns desafios que seguem no horizonte, com destaque para mão de obra escassa e cara, absorção lenta no médio e alto padrão, e funding ainda incerto. Embora as novas regras de financiamento tragam esperança, como vimos na ConstruFoco #46, 2026 é ano de aprendizado e transição, e os efeitos práticos ainda precisam se materializar.

O fato é que o aumento da confiança no início do ano é um sinal positivo e pode indicar que 2026 será melhor que 2025. Mas, como sempre falo, a diferença entre oportunidade e resultado está na execução.

Se o setor vai aproveitar esse momento de otimismo, três questões serão decisivas:

  • Conseguir contratar e reter mão de obra qualificada mesmo em mercado escasso.
  • Adaptar produtos para atender às novas demandas (produtos compactos, MCMV, médio padrão reposicionado).
  • Manter controle rigoroso de custos para preservar margem em cenário de pressão sobre mão de obra.

Imagem do artigoAlgum desses pontos mexe mais com você? Entre em contato e vamos seguir a conversa.

Boa semana!

Raphael Chelin
CEO


Foto de destaque: Scott Blake na Unsplash