Na semana passada, ao revisitar alguns documentos que fecharam 2024 e que trazem dados que vão impactar diretamente o que vem pela frente, li a última ConstruCarta divulgada pelo Sinduscon-SP.
O documento apresenta uma análise sobre custos setoriais e destaca que enquanto a mão de obra subiu 9,2% em 12 meses, o INCC ficou em 6,23%. Segundo a entidade, essa discrepância não é pontual – pelo contrário, desde junho de 2022 o custo de mão de obra vem rodando consistentemente acima do índice que reajusta apartamentos na planta.
Vendo esses dados, me peguei pensando: sua obra está preparada para absorver mão de obra subindo 50% acima do INCC? Porque se a resposta for "vamos repassar pelo índice", pode estar subestimando o impacto na margem, a depender da etapa do seu empreendimento e das diferenças entre as cestas de produtos e serviços (INCC vs SEU EMPREENDIMENTO).
O que os números mostram
Com a alta acumulada de 6,23% em 12 meses, o INCC se consolidou como o componente do IGP-DI com maior variação no período.

Quando analisamos os componentes desse índice, o "motor" do custo aparece:
- Mão de obra: +9,20% (era 8,20% em nov/2024).
- Serviços: +5,21% (puxado principalmente por energia).
- Materiais e Equipamentos: +4,05% (único componente abaixo de 2024). Vale destacar que alguns itens específicos tiveram altas muito acima da média – caso, por exemplo, dos tubos de PVC (+20,02%), dos eletrodutos de PVC (+13,20%), dos vidros (+11,6%) e das tintas (+9,1%).
O que isso significa (na margem, em dinheiro)
Na teoria, se sua receita fosse reajustada pelo INCC (+6,23%) e a cesta de produtos do seu empreendimento também subisse pelo INCC, tudo ficaria equilibrado. Acontece que a depender da etapa e das cestas de produtos e serviços, o aumento poderia ser muito acima, como aconteceu com o custo de mão de obra, que subiu quase 50% acima do índice.
Em uma obra de R$ 30 milhões, com 30% de custo de mão de obra (R$ 9 milhões), esses três pontos percentuais de diferença representam R$ 270 mil saindo da margem – só porque a mão de obra subiu mais do que o INCC reajustou sua receita.
E se você não tiver reserva para isso? Vai direto para o bolso.
O que fazer
O recado para 2026 é simples: não dá para contar só com o repasse automático do INCC.
A mão de obra segue rodando acima do índice e alguns materiais específicos continuam pressionados. Na prática, isso empurra o setor para um caminho que combina orçamento realista + reserva de riscos + controle mensal rigoroso. Porque quando os custos sobem mais rápido do que o índice de reajuste, a margem passa a depender de quanto você deixou de contingência, de quão rápido você detecta o desvio e o que consegue fazer a tempo para corrigir.
Para não cair nessa armadilha, sugiro três ações práticas:
1) Orçamento + contingência: além do orçamento a preço presente, deixe uma reserva específica para riscos e imprevistos (que, entre outros riscos de engenharia, pode incluir riscos de mercado, como a mão de obra subindo acima do INCC). Defina o percentual com base no histórico da sua região e tipologia.
2) Acompanhamento mensal: ajuste o orçamento todo mês conforme a obra avança. Compare o que você previu vs. o que está gastando de fato, identifique onde está estourando e projete o impacto no custo final antes de virar prejuízo.
3) Produtividade medida (não presumida): se o custo da hora-homem sobe, a margem passa a depender do ritmo. Acompanhe semanalmente o avanço físico vs. HH por frente de serviço e saiba quanto cada desvio está custando – no prazo e no orçamento.
Na avaliação da ConstruCarta, é pouco provável que haja alívio este ano em relação à mão de obra – e não há projeção de folga significativa no mercado de trabalho. Nesse cenário, controle rigoroso e reserva se tornam requisitos básicos. E quando o preço da hora-homem sobe mais rápido do que o INCC, o que separa margem de prejuízo é enxergar cedo onde o HH está estourando, qual frente está perdendo ritmo e quanto cada atraso está custando no caminho crítico.
Na Celere, a gente estrutura esse controle com Orçamento de Obra integrado ao Acompanhamento de Prazos e Acompanhamento de Custos, apoiado por tecnologia própria e equipe especializada, para você enxergar onde a produtividade está escorrendo cedo o suficiente para corrigir com a obra andando – e ajustar o orçamento mensalmente com visão de futuro sobre o que vai estourar.
Quer levar esse controle para as suas obras em 2026? Entre em contato com a gente!
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO
Imagem de destaque: Samuel Regan-Asante na Unsplash