Saiba como o projeto Construa Brasil pretende desburocratizar e impulsionar a transformação digital na construção civil, aumentando a eficiência e a produtividade do setor
Redução de custos e desperdícios, aumento de produtividade e melhor acompanhamento dos projetos. Esses são alguns benefícios que a transformação digital pode trazer para o setor de construção civil. Porém, apesar de todas essas vantagens, o mercado de engenharia e construção ainda é um dos mais atrasados na adoção de ferramentas digitais. Ainda que a pandemia tenha acelerado significativamente a digitalização do setor, há um potencial imenso a ser alcançado com a transformação digital na construção. O crescimento constante das construtechs – startups de tecnologias voltadas ao mercado de engenharia e construção – é um sinal de que o setor ainda tem muitas áreas que demandam digitalização e processos mais modernos de gestão de obras.Mas por que o mercado de construção no Brasil está atrasado na sua transformação digital?
Estudos apontam que entre as principais barreiras para a aceleração da adoção de ferramentas digitais no setor de construção destacam-se, por exemplo:- Limitação de verba;
- Falta de cultura digital e liderança que impulsione o uso de tecnologias;
- Resistência a mudanças;
- Falta de experiência e conhecimento sobre o assunto;
- Falta de investimento em tecnologia.
O que é o projeto Construa Brasil?
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Foto de SevenStorm JUHASZIMRUS para Pexels[/caption]
O projeto Construa Brasil nasceu com o objetivo de melhorar o ambiente de negócios do setor da construção civil, retirar barreiras atuais e incentivar as empresas a se modernizarem.
Essa é uma iniciativa da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec/ME) que tem como foco a elaboração de um planejamento estratégico para a difusão da construção industrializada.
O projeto engloba também a realização de estudos específicos para aprofundar o diagnóstico sobre o setor e propor soluções para as principais barreiras para modernizar a construção.
Além disso, o programa prevê a criação de guias de boas práticas e capacitação, cursos e iniciativas para impulsionar a padronização e a simplificação dos códigos de obras e edificações que já estão sendo discutidas na Secretaria Especial.
“Queremos retirar barreiras, incentivar a modernização e fazer mais. Temos estudado o lançamento de uma medida provisória que desburocratize e busque simplificar as regras para reforma no setor da Construção Civil”, afirma a secretária especial de Produtividade e Competitividade, Daniella Marques.
Leia também: Construção 2030: mudar o presente para construir o futuro
Metas do projeto Construa Brasil
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Imagem criada por Ivan Henao para Unsplash[/caption]
O projeto Construa Brasil possui nove metas e 31 submetas, estruturadas em três pilares:
- Desburocratização;
- Digitalização;
- Industrialização da Construção Civil.
Meta 1) Convergência dos códigos de obras e edificações (COE)
No Brasil, cada município brasileiro estabelece seu Código de Obras e Edificações e demais legislações urbanísticas. Essa multiplicidade de regras específicas para cada cidade impacta diretamente na produtividade das empresas de construção que atuam em nível regional ou nacional. Com o intuito de simplificar os processos relacionados aos COE, o projeto Construa Brasil propõe a convergência desses códigos. O principal foco dessa meta é diminuir a burocracia e aumentar a produtividade do setor.Meta 2) Melhoria do processo de concessão de alvará para construção
O objetivo dessa meta é eliminar o excesso de burocracia que envolve os processos de concessão de alvará para construção. Para isso, o Construa Brasil prevê a integração e a automatização de informações e dinâmicas dos órgãos responsáveis por essa concessão nos municípios. A partir da execução dessa meta, espera-se obter uma redução expressiva de custos e prazos, além de promover a desburocratização do setor.Meta 3) Difundir o BIM e seus benefícios
O BIM – Modelagem de Informação da Construção – é o conjunto de tecnologias e processos integrados que permite a criação, utilização e atualização de modelos digitais de uma construção de forma colaborativa. Com o intuito de promover a adoção do BIM nos projetos de construção e infraestrutura brasileiros, o governo lançou a Estratégia BIM BR. Essa meta visa difundir o BIM e seus benefícios na construção civil por meio da realização de eventos de divulgação dos objetivos e diretrizes da Estratégia BIM BR, além da publicação de vídeos informativos sobre as vantagens da adoção de processos BIM.Saiba mais: Por que o BIM é uma virada para a produtividade na construção civil
Meta 4) Apoiar ações de estruturação do setor público para a adoção do BIM
Essa meta diz respeito a oferecer suporte para a adoção da Estratégia BIM BR, disponibilizando materiais de apoios – como, por exemplo:- Uma planilha para os programas-piloto da Estratégia BIM BR que qualquer tipo de empresa pode utilizar para planejar a implantação dos processos BIM.
- Curso gratuito de capacitação no formato EAD desenvolvido com base nos conceitos que moldam esse processo, promovendo um conteúdo vasto de conhecimentos e fundamentos sobre projetos, orçamento e planejamento de empreendimentos. Além das videoaulas, os participantes do curso têm à disposição apostilas em PDF, orientação de leituras complementares e provas.
Meta 5) Criar condições favoráveis para o investimento público e privado em BIM
Essa meta visa criar condições favoráveis para a universalização do BIM no setor de construção brasileiro, promovendo um ambiente que incentive investimentos na área. Análises da Estratégia BIM BR indicam que a adoção do BIM tem o potencial de aumentar a produtividade das empresas em 10% e de reduzir custos em 9,7%. O objetivo é que 50% do PIB da construção civil utilize a metodologia BIM até 2028, elevando o PIB deste setor em 28,9%.Meta 6) Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM
Para atingir a meta de estímulo ao desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM, foram realizados experimentos controlados em situações reais de canteiro de obra e uso do espaço construído para integrar conceitos da Indústria 4.0 a modelos BIM, por meio da Internet das Coisas e Blockchain. Para disseminar a aplicação dessas tecnologias, estão sendo desenvolvidos guias práticos sobre esses experimentos, que trazem orientação sobre a utilização de soluções BIM-IoT-Blockchain na construção civil. Além disso, foi criada uma abordagem para a incorporação do BIM e da indústria 4.0 em nível acadêmico. Células BIM estão em desenvolvimento em instituições de ensino e congregam equipes acadêmicas, visando ao desenvolvimento e à realização de Planos de Implantação BIM na formação superior ou técnica desejada. Para apoiar este esforço, foram reunidos diretrizes e conteúdos em um Portal BIM Acadêmico.Meta 7) Identificar e adequar o regulamento técnico para incentivo à coordenação modular
A coordenação modular é um sistema dimensional que, a partir de medidas com base em um módulo predeterminado, compatibiliza e organiza tanto espaços e técnicas construtivas quanto a fabricação e o uso de componentes. O uso da coordenação modular possibilita a racionalização na construção civil, podendo gerar aumento da produtividade, controle eficiente de custos e de produção, intercambialidade de componentes, repetição de técnicas e processos, redução de perdas nos processos construtivos e de manutenção/reforma do ambiente construído, diminuição de custos e redução de desperdícios e de retrabalho. Para incentivar e facilitar a disseminação da coordenação modular na construção brasileira, está sendo realizado um mapeamento no rol de normas da ABNT relacionadas à construção civil, com o objetivo de identificar aquelas que necessitam de adequações e atualizações. O Mapa Relacional das Normas de Coordenação Modular e o Relatório dos Itens das Normas para Revisão já estão disponíveis na página do projeto.Leia também: Construções pré-fabricadas e modulares ajudam a reduzir custos e acelerar a produção
Meta 8) Incentivo à construção industrializada
A construção industrializada ainda é pouco difundida no Brasil. Um cenário ainda comum é de uma construção que se caracteriza por:- Baixos níveis de planejamento;
- Pouca qualificação do trabalhador;
- Baixa qualidade das obras;
- Índice elevado de desperdício;
- Controle ineficaz de custos;
- Alta incidência de acidentes de trabalho.
Leia também: Lean construction – o que é e quais são os benefícios da construção enxuta
Por que é importante modernizar e digitalizar o mercado de construção?
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Imagem criada por Evgeniy Surzhan para Unsplash[/caption]
Nas últimas duas décadas, a produtividade na construção civil cresceu apenas 1%. Em comparação, o crescimento da produtividade para o total da economia foi de 2,8% e de 3,6% no caso da manufatura.
Se a produtividade do setor de construção alcançasse o mesmo nível da economia total, isso poderia gerar cerca de US$ 1,6 trilhão em oportunidades, fazendo com que a economia global crescesse 2% e que metade da necessidade de infraestrutura do mundo fosse atendida.
Análises nacionais e internacionais realizadas com empresas de construção civil apontam que a digitalização pode ajudar a fechar esse gargalo do setor. Afinal, as tecnologias digitais trazem benefícios que impactam diretamente na produtividade, tais como a facilitação da gestão de projetos, um maior controle de custos e prazos, a diminuição de desperdícios e a automatização de processos de uma maneira geral.
Nessa linha, outra ação que poderia melhorar a agilidade e a produtividade da construção civil é a desburocratização. No Brasil, entre os principais entraves burocráticos que empresas de construção enfrentam estão, por exemplo:
- O grande número de obrigações legais;
- A complexidade das obrigações fiscais;
- E a dificuldade para conseguir alvarás.
Leia também: Construção digital: o caminho para um mercado mais eficiente e produtivo
Como a CELERE contribui para a digitalização de construtoras e incorporadoras
Como uma construtech preocupada com o futuro da construção civil, a missão da CELERE é encontrar formas de proporcionar mais eficiência ao trabalho de gestores de obras, das incorporadoras e construtoras. Nós acreditamos no poder da tecnologia para impulsionar a produtividade e os resultados do nosso setor. Foi com isso em mente, aliás, que desenvolvemos o Budget Analytics, ferramenta/metodologia de gestão de obras que utiliza análise de dados e inteligência artificial para identificar informações estratégicas relevantes e específicas para aumentar a eficiência do orçamento da obra. Conheça o Budget Analytics e saiba como sua empresa pode fazer parte dessa revolução. Construção digital não é mais coisa do futuro. É o presente batendo à nossa porta. Entre com a gente e saiba mais!Informações: Ministério da Economia; Site oficial do Projeto