Desempenho da construção civil fica aquém das expectativas em 2023

Por Equipe Celere Publicado em 22/12/2023 Leitura: 6 min
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Desempenho da construção civil fica aquém das expectativas em 2023
Dezembro nem terminou e já trouxe diversas notícias importantes para a construção civil brasileira. Apresentamos os detalhes de cinco delas no último Giro de Notícias do ano. Boa leitura!

Construção deve fechar o ano com queda

No início deste mês, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou a projeção de desempenho da construção e indicou que o setor deve fechar o ano com queda de 0,5%. Esse resultado frustra as expectativas iniciais de crescimento de 2,5%. 

Em entrevista coletiva, Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, disse que o desempenho abaixo do esperado se deve ao impacto significativo das taxas de juros elevadas dos últimos anos, que desaceleraram vários setores produtivos. O levantamento da CBIC divulgado no dia 08 de dezembro indica ainda uma queda de 3,8% no PIB do setor no terceiro trimestre de 2023 em relação ao trimestre anterior. Fatores como a demora no anúncio das novas condições do programa Minha Casa Minha Vida e a incerteza econômica também contribuíram para esse resultado.  Apesar disso, os números de emprego formal mostram que a construção continua contribuindo para a economia nacional. Só em outubro, o setor empregou 2,675 milhões de trabalhadores com carteira assinada – o maior número desde julho de 2015 (2,693 milhões).  O estudo disponibilizado pela CBIC também mostrou que de janeiro a outubro de 2023 houve um crescimento de 10,49% no número de empregos formais criados. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, o aumento foi de 6,21%.  Para 2024, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção projeta crescimento de 1,3% na indústria da construção.  Na visão de Renato Correia, presidente da CBIC, contribuem para esse cenário:
  • Continuidade da queda das taxas de juros
  • Avanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 
  • Expectativa de crescimento no mercado econômico com o novo ciclo do programa Minha Casa Minha Vida.

Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) varia 0,08% em novembro

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) apresentou uma variação de 0,08% em novembro. Com esse resultado, o acumulado nos últimos 12 meses ficou em 2,36% – abaixo dos 2,44% registrados no período anterior. 

Além disso, o custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.716,30 em outubro para R$ 1.717,71 em novembro. Desse valor, R$ 999,15 são referentes a materiais e R$ 718,56, à mão de obra. A Região Norte registrou a maior variação regional pelo terceiro mês consecutivo – com 0,18%. Esse resultado foi impulsionado pelo aumento na parcela dos materiais em cinco dos sete estados. As demais regiões apresentaram os seguintes desempenhos: 
  • Nordeste: 0,14%
  • Sudeste: 0,06%
  • Sul: 0,13%
  • Centro-oeste: -0,17% (Centro-Oeste)

Venda de imóveis cresce 22,2% no acumulado de 2023

O número de novos imóveis comercializados no Brasil aumentou 22,2% no acumulado de janeiro a setembro de 2023, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Os dados, provenientes do indicador ABRAINC-FIPE, compilam informações de 20 empresas associadas à Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) em colaboração com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

O programa Minha Casa, Minha Vida desempenhou um papel crucial nesse avanço, apresentando aumento de 22,9% no volume de unidades comercializadas e de 32,9% no valor das vendas nos nove meses avaliados. O segmento de Médio e Alto Padrão (MAP) também demonstrou resultados positivos, com um crescimento de 18,9% nas unidades comercializadas e 13% no valor das vendas.

Na avaliação de Luiz França, presidente da ABRAINC, os números refletem as dinâmicas do mercado imobiliário brasileiro. Além disso, ele destaca a importância de programas de habitação popular – como o Minha Casa Minha Vida – para combater o déficit de moradias. 

“A performance do setor imobiliário em 2023 vem mostrando resiliência frente aos diversos desafios enfrentados ao longo do ano, como a alta taxa do financiamento habitacional. Em 2024, se continuarmos com o processo de redução da taxa Selic, o setor da incorporação certamente será um protagonista no processo de crescimento econômico e geração de empregos”, avalia.

Indústria de materiais de construção apresenta otimismo cauteloso em novembro

44% dos associados da Abramat relataram um bom desempenho em novembro, enquanto 39% consideraram o período regular e 11% o classificaram como ruim.

Foi o que revelou a última edição da pesquisa Termômetro da Indústria de Materiais de Construção. Rodrigo Navarro, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), avalia que o momento é de otimismo cauteloso. Ele atribui a percepção a fatores como:
  • Esperada queda nas taxas de juros;
  • Melhoria gradual do crédito;
  • Retomada de obras de infraestrutura.
Para dezembro, a expectativa é de regularidade para 56%, com 22% expressando otimismo e 17% prevendo um mês desafiador para os negócios.  Nos próximos 12 meses, apenas 44% das indústrias associadas planejam investir. Isso representa uma queda de 28 pontos percentuais em comparação com novembro de 2022.

Mudanças climáticas afetam indústria do cimento

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), as vendas de cimento totalizaram 5,3 milhões de toneladas em novembro, uma queda de 1,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.  Os números também foram negativos no acumulado de 2023 até novembro. Houve uma queda de 1,8% em comparação com o mesmo período de 2022, atingindo 57,5 milhões de toneladas. Entre as principais causas da queda do desempenho do setor estão:
  • Condições climáticas adversas (temperaturas extremas, chuvas acima da média e secas);
  • Endividamento das famílias atingindo 76,6%;
  • Retração de 2,4% nas vendas de materiais de construção no varejo até outubro.

Startup transforma plástico reciclado em blocos de construção de qualidade

Por A Economia B* Com o agravamento da crise climática, cada vez mais surgem empresas que nascem com o propósito de resolver problemas específicos que contribuem para o aquecimento global e suas consequências. Esse é o caso da ByFusion, uma startup que desenvolveu o primeiro material de construção de grau industrial feito inteiramente a partir de resíduos plásticos reaproveitados, frequentemente não recicláveis. A ByFusion utiliza principalmente unidades de processamento totalmente elétricas para fabricar tijolos que geram 83% menos poluição por carbono na produção do que blocos de concreto.  A empresa espera levar seus blocos para o mercado global e tem a meta de reutilizar 100 milhões de toneladas de plástico até 2030. Uma solução que tem o potencial de mudar o mundo.

*A Economia B é uma plataforma de conteúdo jornalístico de negócios voltados a ajudar empresas de diversos setores a contribuírem para a construção de um futuro mais justo, equitativo e regenerativo. Na Celere, nós entendemos a importância da construção civil nesse processo. Por isso, convidamos A Economia B para trazer mensalmente para o Giro de Notícias uma informação relacionada ao nosso mercado que ajude a promover reflexões sobre como fazer isso, na prática.