Entenda como calcular com precisão e segurança o orçamento de fundações usando dados, sondagem e premissas bem definidas
Embora invisível sob o solo, a fundação é uma das disciplinas mais críticas de qualquer empreendimento. Afinal, é responsável por sustentar toda a estrutura e garantir sua estabilidade. Além disso, o peso da fundação no custo total da obra também é significativo, podendo variar entre 3% e 8%.Nesse contexto, se estimadas de forma imprecisa ou tratadas com descuido nas fases iniciais, as fundações podem se tornar uma verdadeira dor de cabeça, transformando projetos promissores em pesadelos financeiros.
Porém, com o conhecimento e as ferramentas certas, é possível orçar fundações com mais segurança e critério técnico desde as primeiras fases da incorporação, minimizando riscos e otimizando custos.
Neste guia prático, criado com base na conversa que Raphael Chelin (CEO da Celere) e Leandro Nagano (Coordenador de Orçamento e Partner da Celere) tiveram no primeiro episódio da série Custo em Foco*, vamos desmistificar o processo de orçamento de fundações, apresentando um passo a passo detalhado para profissionais da construção civil que desejam realizar orçamentos precisos em todas as etapas da obra.*Custo em Foco é uma série de webinars em que a Celere abre sua operação e compartilha detalhes sobre o seu processo de orçamentação, apresentando as premissas e detalhes técnicos. Assista ao primeiro episódio aqui.
Leia também: Fundações de obras: como escolher a mais adequada para cada projeto
Por que orçar fundações é mais difícil (e mais importante) do que parece
Não é raro que as fundações sejam vistas como uma linha no orçamento que será detalhada posteriormente – até porque o CUB DESCONSIDERA os custos de fundação –, mas é justamente o timing e a necessidade de se um número rápido que torna seu orçamento tão desafiador.
Estimar sem dados confiáveis, decidir com base em suposições e confiar em médias de mercado pode levar a distorções que, mais adiante, comprometem o cronograma, os contratos e a rentabilidade do projeto. Esse tipo de erro tende a se acumular ao longo das fases do empreendimento e costuma ter origem justamente na fundação, quando as premissas ainda estão frágeis ou indefinidas.
Mais do que uma etapa técnica, o orçamento de fundações exige integração entre áreas, visão sistêmica e capacidade de lidar com incertezas. Isso porque os impactos de um erro nesse momento inicial reverberam por todo o ciclo do empreendimento.6 armadilhas comuns no orçamento de fundações – e como evitá-las
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Imagem criada por wirestock - www.freepik.com[/caption]
#1 Confiar em referências genéricas ou padrões paramétricos mal calibrados
Cada terreno é único, cada projeto tem suas particularidades e cada região apresenta suas próprias características. Confiar em referências genéricas ou replicar soluções de empreendimentos anteriores sem ajustar premissas pode ser um atalho perigoso.#2 Tratar a fundação como uma etapa secundária
Um orçamento de fundações bem elaborado funciona como um instrumento de previsibilidade financeira. Ao conhecer os custos e os riscos envolvidos desde o início do projeto, é possível tomar decisões mais inteligentes, negociar com fornecedores e garantir a rentabilidade do empreendimento.Quando tratada como uma estimativa grosseira de uma linha no orçamento, a fundação deixa de receber a atenção necessária nas fases iniciais do empreendimento.
#3 Ignorar a importância da sondagem do solo
Sem sondagem, não há como definir o tipo adequado de fundação – e qualquer decisão será baseada em achismos. Portanto, não negligencie a sondagem. “O que parece economia pode virar prejuízo gigante”, alerta Raphael Chelin.
Além da fundação em si, é preciso prever estruturas de contenção quando há presença de água ou taludes instáveis. “Se o projeto exige contenção com parede diafragma, por exemplo, o custo sobe drasticamente e pode inviabilizar a obra”, destaca Leandro. A análise da sondagem ajuda a antecipar esse tipo de cenário e evitar surpresas.
Leia também: Tipos de solo e as fundações mais aconselháveis para cada um deles
#4 Não revisar as premissas ao longo do projeto
À medida que surgem novos dados – sobre cargas, estrutura, tipo de solo, disponibilidade de equipamento – o orçamento precisa ser reavaliado. Afinal, como lembra Raphael, “cada fase traz informações novas que podem mudar completamente a estimativa inicial”.#5 Falta de integração entre áreas
Quando orçamentistas, projetistas e engenheiros de obra não se falam, cada um trabalha com premissas diferentes, e o risco de revisão do projeto ser economicamente inviável aumenta. Isso é um problema porque o orçamento não pode ser só técnico; ele exige visão sistêmica e diálogo entre todas as áreas.#6 Subestimar o impacto da fundação no planejamento da obra
Por ser o ponto de partida da obra, a fundação influencia diretamente o cronograma e o consumo de recursos. Se houver atrasos ou estouros de custo, o impacto será sentido no orçamento ao longo de toda a obra.O ciclo do orçamento de fundações: o que muda em cada etapa da obra
Infelizmente, porém, não basta conhecer as armadilhas e saber como evitá-las para acertar no orçamento de fundações. É preciso olhar para o ciclo do empreendimento como um todo e adaptar o orçamento de acordo com a evolução das informações em cada fase.
Afinal, o orçamento de fundações não é uma fotografia tirada na viabilidade e congelada até o fim da obra. Ele é um processo vivo, que se transforma conforme novas informações surgem e o projeto avança. A cada etapa – da viabilidade à execução – surgem oportunidades para refinar o orçamento, reduzir riscos e tomar decisões mais seguras.
Etapa 1: Viabilidade – o desafio de orçar sem dados
Na fase de viabilidade, com pouquíssimas informações disponíveis, a pergunta crucial é: quanto custará a fundação? Nesse momento, muitas empresas negligenciam o orçamento detalhado e recorrem a estimativas genéricas. Embora essa abordagem possa parecer rápida e prática, ela ignora as particularidades do terreno e do projeto, levando a estimativas imprecisas e aumentando os riscos financeiros. Lembrando que, se o negócio estiver perto de avançar com o terrenista, é muito importante investir em uma sondagem mesmo ainda nesta etapa, o que poucos fazem.Muitas empresas ainda recorrem ao método CUB + 15% na fase de viabilidade, mesmo sem considerar as particularidades do terreno ou do projeto. “Dessa forma, a discussão deixa de ser técnica e baseada em dados – e vira achismo. ‘Ah, na obra anterior deu certo’, ‘fulano falou que conseguiu fazer por tanto’. E aí o número nasce torto”, comenta o CEO da Celere.
A alternativa mais segura é usar um orçamento paramétrico, baseado em dados de obras anteriores com características semelhantes, ajustado para o terreno, a região e o tipo de produto.Leia também: Orçamento paramétrico: peça fundamental para viabilizar bons negócios
Etapa 2: Desenvolvimento de produto – os primeiros dados técnicos e a revisão das premissas
Com o avanço do projeto arquitetônico, começam a surgir dados sobre as cargas, o número de pavimentos, os subsolos, a topografia e, idealmente, os primeiros resultados de sondagem. “Aqui, você já consegue revisar as premissas iniciais e refinar o orçamento com mais critério técnico”, destaca o executivo. Este, portanto, é o momento ideal para envolver projetistas, revisar hipóteses e, se necessário, ajustar a viabilidade.Etapa 3: Pré-obra – quando o orçamento ganha corpo técnico
Com os projetos executivos em mãos e a definição do tipo de fundação, é possível fazer um orçamento mais robusto. Se houver modelagem BIM, melhor ainda: os quantitativos ganham precisão e o planejamento pode ser integrado. “Com as premissas bem definidas, já sabemos qual composição utilizar, quais são as perdas e quais custos considerar”, explica Raphael.
Ou seja, o orçamento deixa de ser uma estimativa e passa a ser base de contratação.
“No pré-obra, com projetos executivos detalhados e BIM, finalmente conseguimos atingir a precisão necessária para definir custos exatos”, afirma Leandro Nagano.
Etapa 4: Execução, quando o número encontra a realidade
A execução é a prova definitiva do orçamento. No entanto, mesmo com um orçamento bem feito, é comum que a equipe de obra conteste os números – e levante tudo de novo.“O engenheiro de obra recebe o pacote e questiona: ‘isso aqui não faz sentido’. Mas ele não sabe que a gente orçou quando ainda não havia todas as definições que ele tem agora”, explica Raphael.
Para evitar retrabalho e atritos, é fundamental garantir que a equipe de campo compreenda as premissas do orçamento e que o fluxo de informações esteja claro entre orçamento e execução.Como destaca Raphael, “na execução, é comum surgirem diferenças entre o planejado e o executado. Por isso, alinhar claramente todas as premissas entre obra e orçamento é fundamental”.
Neste momento, faz parte das boas práticas fazer um alinhamento constante entre equipe de produção (obra) e engenharia (orçamento) para retroalimentar detalhes construtivos e imprevistos para que futuros orçamentos fiquem cada vez mais completos e precisos.Parâmetros técnicos para orçar fundações com precisão
Como já deve ter ficado claro até aqui, orçar fundações com precisão exige muito mais do que experiência ou bom senso; é preciso partir de dados confiáveis, levantamentos técnicos e premissas bem definidas, que sirvam de base para decisões ao longo de todo o ciclo do projeto.
Como destacou Leandro, esses dados não são meramente informativos; eles são fundamentais para decidir a viabilidade técnica e financeira de cada solução proposta.A Celere mantém um banco com dados acumulados de mais de 600 projetos orçados, o que permite gerar referências sólidas para diferentes cenários.
Entre os parâmetros que fazem a diferença no momento de orçar fundações, destacam-se:- Lâmina média de concreto – indicador que mostra o volume de concreto (em m³) por metro quadrado de área construída. Varia de acordo com o tipo de fundação, número de pavimentos, tipo de solo, presença de subsolos etc.
- Taxa de aço – Relaciona a quantidade de aço (kg) por m³ de concreto.
- Perdas de concreto – Perdas acontecem durante a execução, dependendo do tipo de fundação e da técnica adotada.
- Custo médio por metro quadrado de fundação
- Hélice contínua: cerca de R$ 211/m²
- Estaca raiz: pode ultrapassar R$ 300/m² dependendo da profundidade e da presença de rocha
- Tubulão ou escavada: varia conforme o solo, mas costuma ficar entre R$ 120 e R$ 250/m²
NA PRÁTICA: Orçando uma fundação com hélice contínua
Entre os diferentes tipos de fundação profunda, a hélice contínua se destaca como a solução mais adotada nos empreendimentos verticais atendidos pela Celere – presente em cerca de 80% dos projetos. O motivo? Equilíbrio entre viabilidade técnica, desempenho executivo e custo por metro quadrado.
Por esse motivo, vamos nos aprofundar um pouco mais tecnicamente e explorar a forma como nós, da Celere, fazemos para orçar esse tipo de fundação profunda. Esse tipo de fundação exige atenção a uma sequência de serviços bastante específica:- Perfuração
- Mobilização/desmobilização do equipamento
- Bota-fora para o material (solo) excedente
- Armação
- Concretagem
- Arrasamento
- Custo unitário da estaca: gira em torno de 1,5 vez o diâmetro da estaca por metro linear. Ou seja, para uma estava de 50cm de diâmetro, o custo da escavação será aproximadamente R$ 75/m.
- Perdas de concreto: na hélice contínua, podem variar entre 30% e 35%, por conta da pressão exercida pelo equipamento e da capilaridade do solo.
- Cota de arrasamento e “volume extra”: importante ver no detalhe as cotas de arrasamento de cada estaca e prever o custo do “volume extra”, que será executado para posterior arrasamento (custo de perfuração e volume adicional concreto)
- Arrasamento da estaca: prever o custo de arrasamento desse volume extra, citado acima, que também poderá ser pago por unidade de estaca ou por volume (m³). Lembrando que o custo de arrasamento pode variar conforme o diâmetro.
Esse tipo de atenção ao detalhe é o que diferencia um orçamento genérico de uma estimativa técnica robusta, e é o que permite transformar a fundação em um ponto de partida estratégico para a obra como um todo.
Como a Celere transforma orçamento técnico em decisão estratégica
A Celere adota uma abordagem de atenção aos detalhes em todo o orçamento, e não é diferente nas fundações, onde se integra dados técnicos do solo e do projeto em um ambiente BIM-5D. Essa tecnologia permite que cada componente da obra (desde estacas até blocos de fundação) seja rastreado individualmente, garantindo uma identificação clara das quantidades, perdas e impactos no custo final.“Com a metodologia da Celere, você obtém um levantamento quantitativo diferenciado. É possível filtrar nosso orçamento e saber, com precisão, as quantidades de concreto, aço, formas e o custo da mão de obra em apenas dois ou três cliques”, destaca Leandro.
Essa rastreabilidade, aliada ao know-how de quem já orçou projetos em diversas regiões do país, permite à Celere antecipar cenários. Somos capazes de prever com precisão as perdas de concreto em casos específicos e ajustar rapidamente o planejamento de custos para otimizar o orçamento. Conheça nossas soluções de orçamento que garantem precisão e detalhamento desde as fases iniciais do projeto:- Budget Paramétrico: baseado em um banco de dados com mais de 600 empreendimentos orçados, o Budget Paramétrico é ideal para estabelecer premissas sólidas e orçamentos confiáveis, mesmo com informações limitadas.
- Budget Analytics: perfeito quando já existem projetos de fundação, garantindo rastreabilidade e precisão nos quantitativos dos serviços e materiais.
Enfrentar o desafio de orçar sem ter todos os projetos definidos ou lidar com as consequências de um erro no orçamento da fundação não precisa ser uma dor de cabeça. Com a expertise da Celere, esses riscos são minimizados, transformando incertezas em decisões seguras e assertivas.
Estamos aqui para ajudá-lo a evitar surpresas desagradáveis e garantir o sucesso dos seus projetos. Entre em contato conosco e saiba mais.