O PIB da construção recuou, mas os sinais são mais complexos do que parecem [ConstruFoco #16]

Por Raphael Chelin Publicado em 17/06/2025 Leitura: 3 min
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O PIB da construção recuou, mas os sinais são mais complexos do que parecem [ConstruFoco #16]
No dia 30 de maio, o IBGE divulgou que o PIB da construção civil recuou 0,8% no primeiro trimestre de 2025. À primeira vista, esse pode parecer um sinal negativo, mas quando olhamos os dados com mais profundidade, o cenário é de contradições interessantes – e elas merecem nossa atenção.

Os números que chamam atenção

Sim, houve retração na comparação trimestral. Mas na análise anual, o setor cresceu 3,4% frente ao mesmo período de 2024. Isso sugere que o ritmo desacelerou, mas não estagnamos. Além disso, os indicadores do mercado imobiliário estão bem positivos:
  • 84.924 unidades lançadas (+15,07% vs. 1T24)
  • 102.485 unidades vendidas (+15,69% vs. 1T24)
  • Mais de 52% dos lançamentos ligados ao Minha Casa, Minha Vida
E tem mais: entre janeiro e abril, foram criados 135.202 novos postos de trabalho na construção. O setor já se aproxima dos 3 milhões de trabalhadores – patamar não visto desde 2014. 

A Selic como protagonista

Como era de se esperar, a taxa Selic em 14,75% (maior nível em quase 20 anos) está no centro da questão. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os juros altos foram apontados como o principal problema do setor no primeiro trimestre.

Mas aqui está o ponto: mesmo com esse cenário restritivo, os lançamentos e as vendas continuam aquecidos. Isso me faz pensar que existe uma demanda represada forte o suficiente para sustentar o movimento, pelo menos por enquanto.

O que isso nos diz sobre o mercado?

Na minha leitura, estamos vivendo um momento de resiliência seletiva. Ou seja, o setor não está em queda livre, mas também não está no seu melhor momento. O fato de o Minha Casa, Minha Vida representar mais da metade dos lançamentos mostra que o programa habitacional está funcionando como um amortecedor importante. É uma política pública que está gerando resultados práticos. Por outro lado, os juros altos estão claramente afetando os investimentos de longo prazo – e isso pode se intensificar no segundo semestre, especialmente se considerarmos o aumento do IOF sobre operações de crédito.

O que esperar daqui para frente?

A CBIC mantém a projeção de crescimento de 2,3% para 2025, mas com ressalvas importantes. A economista Ieda Vasconcelos alertou para a necessidade de “atenção redobrada” devido ao ambiente de incerteza.

Minha percepção é que estamos em um momento de definição. Se os juros começarem a recuar no segundo semestre (o que ainda é uma incógnita), podemos ver uma aceleração. Se permanecerem altos, a desaceleração pode se acentuar.

O que não muda é a importância de manter o foco na eficiência operacional e na precisão dos orçamentos. Em cenários de maior incerteza, a margem de erro diminui – e isso vale tanto para quem está planejando novos empreendimentos quanto para quem está executando obras.

Um último ponto

É interessante notar que, enquanto a construção desacelerou, o setor agropecuário cresceu 12,2% no trimestre. Isso mostra como diferentes setores da economia reagem de forma distinta às mesmas condições macroeconômicas.

Para nós, da construção, isso reforça a importância de olhar para nossos próprios indicadores e não nos deixar levar apenas pelo humor geral da economia.

Os números mostram que há dinamismo no setor, demanda ativa e políticas públicas funcionando. Agora é navegar com inteligência e cautela. Raphael ChelinO que você pensa sobre isso? Entre em contato e vamos seguir a conversa! Boa semana! Raphael Chelin CEO