Os números que chamam atenção
Sim, houve retração na comparação trimestral. Mas na análise anual, o setor cresceu 3,4% frente ao mesmo período de 2024. Isso sugere que o ritmo desacelerou, mas não estagnamos. Além disso, os indicadores do mercado imobiliário estão bem positivos:- 84.924 unidades lançadas (+15,07% vs. 1T24)
- 102.485 unidades vendidas (+15,69% vs. 1T24)
- Mais de 52% dos lançamentos ligados ao Minha Casa, Minha Vida
A Selic como protagonista
Como era de se esperar, a taxa Selic em 14,75% (maior nível em quase 20 anos) está no centro da questão. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os juros altos foram apontados como o principal problema do setor no primeiro trimestre.Mas aqui está o ponto: mesmo com esse cenário restritivo, os lançamentos e as vendas continuam aquecidos. Isso me faz pensar que existe uma demanda represada forte o suficiente para sustentar o movimento, pelo menos por enquanto.
O que isso nos diz sobre o mercado?
Na minha leitura, estamos vivendo um momento de resiliência seletiva. Ou seja, o setor não está em queda livre, mas também não está no seu melhor momento. O fato de o Minha Casa, Minha Vida representar mais da metade dos lançamentos mostra que o programa habitacional está funcionando como um amortecedor importante. É uma política pública que está gerando resultados práticos. Por outro lado, os juros altos estão claramente afetando os investimentos de longo prazo – e isso pode se intensificar no segundo semestre, especialmente se considerarmos o aumento do IOF sobre operações de crédito.O que esperar daqui para frente?
A CBIC mantém a projeção de crescimento de 2,3% para 2025, mas com ressalvas importantes. A economista Ieda Vasconcelos alertou para a necessidade de “atenção redobrada” devido ao ambiente de incerteza.
Minha percepção é que estamos em um momento de definição. Se os juros começarem a recuar no segundo semestre (o que ainda é uma incógnita), podemos ver uma aceleração. Se permanecerem altos, a desaceleração pode se acentuar.O que não muda é a importância de manter o foco na eficiência operacional e na precisão dos orçamentos. Em cenários de maior incerteza, a margem de erro diminui – e isso vale tanto para quem está planejando novos empreendimentos quanto para quem está executando obras.
Um último ponto
É interessante notar que, enquanto a construção desacelerou, o setor agropecuário cresceu 12,2% no trimestre. Isso mostra como diferentes setores da economia reagem de forma distinta às mesmas condições macroeconômicas.Para nós, da construção, isso reforça a importância de olhar para nossos próprios indicadores e não nos deixar levar apenas pelo humor geral da economia.
Os números mostram que há dinamismo no setor, demanda ativa e políticas públicas funcionando. Agora é navegar com inteligência e cautela.
O que você pensa sobre isso? Entre em contato e vamos seguir a conversa!
Boa semana!
Raphael Chelin
CEO