Novo índice de preços, alta nas vendas de cimento e linha da Caixa para habitação popular são alguns dos destaques do mês
Junho foi movimentado para a construção civil. Enquanto os juros elevados continuam pressionando o crédito e o poder de compra, o mercado imobiliário registrou alta de 15% nas vendas e lançamentos, houve um aumento considerável nas vendas de cimento e a Caixa apresentou uma nova linha de crédito que financia 100% dos empreendimentos de habitação popular. Além disso, o lançamento de um índice nacional para monitorar preços de materiais promete trazer mais transparência e previsibilidade aos custos de obra. Nesta edição do Giro de Notícias, vamos além das manchetes e trazemos os detalhes de tudo isso. Acompanhe!Construção civil ganha novo índice para monitorar insumos em todo o Brasil
O setor da construção civil passa a contar com um novo instrumento para monitorar a variação de preços de materiais: o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC), lançado pelo Sienge em parceria com a Cica Rev Consultoria e apoio da CBIC.
Com abrangência nacional e recortes regionais, o índice acompanha insumos que representam até 55% dos custos totais de materiais usados nas obras no país.
De acordo com os dados mais recentes, o fio de cobre foi o insumo com maior inflação acumulada nos últimos 12 meses, com alta de 8,64%, seguido pelo aço (2,52%) e pelo cimento (1,79%). Já a argamassa (-4,51%) e a tinta (-2,32%) registraram deflação no período. Os dados mostram que a variação de preços tem sido marcada por forte volatilidade e diferenças significativas entre as regiões do país.
A regionalização, aliás, é um dos diferenciais do índice, que mostra, por exemplo, que a inflação do fio de cobre foi mais intensa nas regiões Norte e Centro-Oeste, enquanto a argamassa teve forte deflação no Centro-Oeste e alta no Norte. Os resultados também revelam que a inflação do aço foi impulsionada por aumentos no segundo semestre de 2024, seguidos por quedas no início de 2025. O cimento apresentou estabilidade, mas voltou a subir em abril. A tinta, por sua vez, teve queda expressiva de 4,21% em abril, refletindo possíveis ajustes no consumo do segmento de acabamento, cujo faturamento recuou 3,6% em fevereiro, segundo o Indicador Abramat.Segundo os idealizadores do IPMC, a diversidade nos comportamentos dos insumos exige um acompanhamento constante do mercado. “Enquanto alguns itens são afetados pelo câmbio, como o cobre, outros refletem a demanda interna, como tintas e argamassas”, explica Sergio Castelani, da Cica Rev. A expectativa é que o novo índice ajude a aumentar a previsibilidade e a competitividade da construção civil no Brasil.
? A íntegra do novo índice pode ser acessada neste link.
Mercado imobiliário cresce 15% no início de 2025, apesar da Selic alta
Mesmo com a taxa Selic em 14,75% ao ano, o mercado imobiliário brasileiro registrou um crescimento de 15% nas vendas e lançamentos de imóveis no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados da CBIC indicam que o desempenho positivo foi impulsionado por uma demanda consistente e incorporadoras capitalizadas. Já os números da ABRAINC-FIPE apontam alta de 27,8% nos lançamentos de médio e alto padrão nos últimos 12 meses até fevereiro. Esse desempenho, no entanto, não é uniforme. Enquanto os imóveis de alto padrão resistem bem ao cenário de juros elevados – por dependerem pouco de financiamento bancário –, a classe média enfrenta maior dificuldade, com crédito imobiliário tradicional, baseado no SBPE, sofrendo impacto direto da Selic, o que torna os financiamentos mais caros e reduz a atratividade da poupança como fonte de recursos. No segmento de baixa renda, o programa Minha Casa, Minha Vida continua sustentando o mercado com subsídios e juros reduzidos, protegendo essa faixa dos efeitos da Selic. Um estudo do Instituto Cidades Responsáveis mostra que a alta da Selic entre 2021 e 2025 elevou significativamente o valor das prestações e da renda mínima exigida para financiamento, afetando diretamente a capacidade de compra da população. Segundo a análise, uma prestação que era de R$ 3.966 em 2021 saltou para R$ 5.425 em 2025, enquanto a renda mínima exigida subiu de R$ 13.220 para R$ 18.086.Com um déficit habitacional superior a 7 milhões de moradias e uma demanda futura que supera 11 milhões nos próximos 10 anos, as perspectivas para os próximos meses são otimistas, mesmo em um ambiente de juros elevados.
A ABRAINC e especialistas do mercado acreditam que os lançamentos devem continuar em ritmo forte nos segmentos menos sensíveis ao custo do crédito. No entanto, a continuidade desse crescimento dependerá de avanços na política fiscal e de uma eventual queda nos juros, condição essencial para ampliar o acesso à moradia e manter a expansão do setor.
Leia também: Por que o médio padrão virou o elo mais frágil da incorporação [ConstruFoco #19]
Vendas de cimento crescem 6,5% em maio, mas setor segue em alerta com cenário econômico
As vendas de cimento registraram alta de 6,5% em maio de 2025, totalizando 5,7 milhões de toneladas, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
O resultado representa uma recuperação frente à retração registrada em abril e reflete, em parte, uma base comparativa fraca no mesmo período de 2024, quando desastres climáticos impactaram a região Sul do país. No acumulado do ano, o crescimento chega a 4,6%, com destaque para o avanço de 6% no volume diário médio vendido. Apesar do bom desempenho no primeiro semestre, o setor segue cauteloso quanto ao segundo semestre.De acordo com o SNIC, o aumento dos estoques pelo segundo mês consecutivo acendeu um sinal de alerta entre os empresários do setor. Além disso, a política monetária contracionista, somada à expectativa de desaceleração econômica, pode representar um desafio para o setor de cimento daqui até o fim do ano.
Caixa lança linha de crédito para financiar 100% de habitação popular
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Imagem criada por jcomp - www.freepik.com[/caption]
A Caixa Econômica Federal anunciou uma nova linha de crédito que permitirá às construtoras financiarem até 100% do custo de empreendimentos voltados à habitação popular, incluindo a aquisição dos terrenos e a execução das obras.
A medida vale para unidades com valor de venda de até R$ 350 mil e faz parte do Programa de Apoio à Produção. A expectativa do banco é liberar cerca de R$ 5,8 bilhões ainda em 2025 por meio da nova modalidade, operada com recursos próprios. As construtoras interessadas deverão apresentar seus projetos em agências da Caixa, que fará análises de viabilidade econômico-financeira, do modelo de negócios e de conformidade com as normas jurídicas. A medida chega em um momento estratégico, quando o setor enfrenta dificuldades de acesso ao crédito devido aos juros elevados.Na edição 17 da ConstruFoco, a newsletter semanal da Celere, nosso CEO, Raphael Chelin, falou sobre o significado desse movimento para o mercado. Vale a leitura!
Preços da construção civil sobem 0,43% em maio, puxados por materiais e mão de obra
O Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) registrou variação de 0,43% em maio, levemente abaixo da taxa de abril (0,46%), segundo o IBGE.
O custo médio nacional da construção por metro quadrado subiu de R$1.818,64 para R$ 1.826,53, com R$ 1.051,98 referentes aos materiais e R$ 774,55 à mão de obra. No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 5,01%, acima dos 4,74% observados no período anterior.
A parcela dos materiais teve aumento de 0,51% no mês, acima dos 0,31% registrados em abril, enquanto a mão de obra variou 0,33%, com leve desaceleração em relação ao mês anterior. Em comparação com maio de 2024, quando os materiais apresentaram deflação de 0,05%, o avanço atual é considerado expressivo. Entre as regiões, o Nordeste liderou as altas com variação de 0,77%, impulsionado por reajustes salariais em Pernambuco, estado que teve o maior avanço individual: 2,88%. As demais regiões tiveram variações mais moderadas, com destaque para o Centro-Oeste, que registrou o menor índice (0,18%).