O que os números revelam
Conforme dados do Monitor RGF da Recuperação Judicial, no primeiro trimestre de 2025, o índice de empresas em recuperação judicial no grupo que engloba Construção, Energia e Saneamento atingiu 4,12 por mil – mais do que o dobro da média nacional de 1,98. Segundo o levantamento, mais de 80% dessas empresas atuam diretamente com incorporação e construção. Chama atenção o fato de que esse movimento está acontecendo justamente quando os resultados de 2024 mostraram lucros recordes no setor. E aqui entra o que discutimos na última edição da ConstruFoco: aqueles números refletiam projetos concebidos em um ambiente macroeconômico mais favorável… Mas, claro, não são todas as empresas que estão enfrentando a mesma situação. Como aponta a reportagem, “empresas maiores, com estrutura sólida, têm mais fôlego para atravessar crises econômicas. Já as pequenas e médias sentem o impacto imediato, principalmente com o crédito caro tanto para produção quanto para o consumidor final”.O que me preocupa é que as recuperações judiciais podem ser um indicador antecedente de outros problemas. Quando uma empresa entra em recuperação judicial, ela impacta toda a cadeia: fornecedores, subcontratados, clientes e até mesmo concorrentes que podem herdar obras problemáticas.
Além disso, essas situações dificultam o acesso ao crédito para o setor como um todo, aumentam a percepção de risco dos bancos e podem pressionar ainda mais as margens das empresas saudáveis. Ou seja, é possível que se crie um círculo vicioso.O que isso significa para quem está no mercado
A reportagem aponta quatro pilares estratégicos para a sustentabilidade das incorporadoras: planejamento financeiro rigoroso, diversificação das fontes de financiamento, excelência na execução de obras e bom relacionamento institucional para lidar com riscos regulatórios.
Para incorporadoras e construtoras, esse cenário reforça a importância de manter uma estrutura de capital conservadora. Em momentos de turbulência, caixa é rei. Empresas com boa posição de caixa podem inclusive aproveitar oportunidades que surgem de distorções no mercado. Também é fundamental monitorar de perto a cadeia de fornecimento. A recuperação judicial de um fornecedor estratégico pode comprometer cronogramas e orçamentos. Vale diversificar fornecedores sempre que possível. Por fim, é importante revisar projeções com realismo. Se os números não fecham com a nova realidade macroeconômica, é melhor adiar projetos do que comprometer a saúde financeira.Leia também: Como captar recursos financeiros para viabilizar empreendimentos na construção civil
O que esperar daqui para frente
Minha leitura é que ainda não vimos o pico dessas recuperações judiciais. Os efeitos dos juros altos e da inflação de custos continuam se materializando, e empresas que conseguiram “segurar as pontas” até aqui podem não conseguir sustentar a situação por muito mais tempo. Por outro lado, esse processo de depuração pode ser saudável para o setor no médio prazo. Empresas mal estruturadas saindo do mercado pode significar menos concorrência predatória e ambiente mais racional para precificação. O setor chega, portanto, a um ponto de inflexão: quem se preparou pode sair fortalecido; quem não se ajustou corre o risco de não atravessar 2025. Nesse cenário, previsibilidade e controle nos custos de construção se tornam fatores decisivos.Empresas que estruturam orçamentos sólidos e demonstram governança conseguem não apenas proteger margens, mas também ampliar o acesso a crédito em um ambiente mais restritivo. Essa pode ser a grande diferença entre sobreviver e crescer ou enfrentar sérias dificuldades.
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Por meio de uma base de dados robusta com mais de 600 empreendimentos orçados – sendo quase R$ 8 bi em orçamento de construção nos últimos 12 meses – ajudamos construtoras e incorporadoras a ganhar previsibilidade, demonstrar governança e se posicionar melhor perante financiadores.
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Boa semana!
Raphael Chelin
CEO