Tarifas disparam custos da construção em julho [ConstruFoco #27]

Por Raphael Chelin Publicado em 19/08/2025 Leitura: 3 min
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Tarifas disparam custos da construção em julho [ConstruFoco #27]

Tarifas disparam custos da construção em julhoVocê viu que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) acelerou de 0,69% em junho para 0,91% em julho? Essa foi a maior alta mensal desde que começamos a acompanhar de perto esses indicadores aqui na ConstruFoco.

O que mais chama atenção é que o que está por trás dessa escalada é a disparada dos produtos de PVC devido ao aumento das tarifas de importação de resinas, com tubos, conexões e eletrodutos liderando as altas. Além disso, o índice de Materiais, Equipamentos e Serviços saltou de 0,24% para 0,85% em apenas um mês, enquanto a mão de obra, que vinha pressionando fortemente os custos, ainda subiu 1%, mas com menos fôlego que os 1,32% de junho.

Por que essa alta é mais preocupante que as anteriores?

Se você acompanha a ConstruFoco, sabe que temos discutido constantemente sobre pressões inflacionárias na construção. Mas essa alta tem um componente diferente, pois é resultado de medidas governamentais específicas, não de dinâmicas naturais de mercado.

Quando as tarifas de importação sobem, criamos uma pressão nos custos que não tem relação com produtividade, demanda ou escassez real de materiais. Isso traz pelo menos três desafios para quem está no setor: 1) Imprevisibilidade maior – Diferentemente de oscilações de commodities ou custos de mão de obra, mudanças tarifárias podem acontecer rapidamente e com pouco aviso prévio, dificultando o planejamento orçamentário. 2) Efeito cascata – Produtos de PVC estão presentes em praticamente todas as obras. Quando seus preços disparam, o impacto se espalha por diferentes etapas da construção, desde instalações hidráulicas até sistemas elétricos. 3) Pressão sobre margens já apertadas – Com financiamentos custando até 20% ao ano e o cliente final sentindo os juros altos, repassar esses custos extras se torna ainda mais difícil.

O que esperar daqui para frente?

Vale lembrar que o INCC-DI é um indicador nacional que reflete médias. Na prática, o impacto real nos seus projetos pode ser maior ou menor, dependendo do mix de materiais específico de cada empreendimento. Por isso, mais do que nunca, é importante ter orçamentos detalhados que permitam entender exatamente como essas variações macroeconômicas se traduzem em números concretos para seus projetos.

Empresas que conseguem decompor seus orçamentos de forma granular, identificando rapidamente quais insumos estão sendo impactados por mudanças tarifárias, terão uma vantagem competitiva significativa. É a diferença entre descobrir um aumento de custo quando ele já impactou o caixa ou antecipá-lo e tomar medidas preventivas.

Como a Celere pode ajudar neste cenário

Nossa base de dados com mais de 600 empreendimentos orçados nos permite identificar rapidamente como variações específicas de insumos impactam diferentes tipos de projeto. Com o Budget Analytics, conseguimos rastrear facilmente quais itens estão pressionando mais os custos e simular cenários com diferentes premissas de preço. Além disso, nossa metodologia de orçamento em BIM-5D permite visualizar exatamente onde estão os impactos, facilitando decisões sobre substituições de materiais ou ajustes de especificação que podem mitigar os efeitos dessas altas. Raphael ChelinQuer entender como podemos ajudar sua empresa a se proteger melhor dessas oscilações de custos? Entre em contato, e vamos conversar. Boa semana! Raphael Chelin CEO

PS: O relatório completo do IGP-DI de julho está disponível no site da FGV. Vale conferir os dados específicos por categoria de material.